30.11.08

Se eu mandasse...

...não mando, eu sei que não mando, mas se eu mandasse, não deixava começar nenhum congresso do Partido Comunista sem que visualizassem todos, mas todos mesmo, o "Goodbye Lenin" do Wolfgang Becker.
Depois sim, podiam começar. Se achassem que ainda valia a pena...

28.11.08

Um amigo meu desafiou-me a mostrar o que tenho nos bolsos neste momento. Basicamente, é isto...

Com a cabeça ainda mais cheia de Aznavour

É bem possível que quem passa por aqui não se tenha sentido motivado a carregar no "play" daquele vídeo do YouTube que está ali em baixo, o do Aznavour. Eu entendo, eu nunca vejo os vídeos (*) do YouTube que as outras pessoas, laboriosamente, colocam nos seus blogs. Acho sempre que são mensagens subliminares, que reflectem o estado de espírito do momento e, perguntem a quem quiserem, se há coisa que me incomoda são as mensagens subliminares mais os estados de espírito das pessoas.

Mas, meus senhores e minhas senhoras, acontece que recomendo vivamente a visualização do Senhor Aznavour a interpretar no Olympia o Emmenez-Moi, isto pelo facto de o Senhor Aznavour ser um dos dois homens no mundo capazes de me marejar os olhos de lágrimas (o outro é o Lionel Messi), isto sem contar com o Paulo Bento, mas esse é por outra sorte de motivos, nem quero falar nisso que me dá logo os nervos.

Era só isto, não voltarei ao tema. A não ser que me apeteça, é evidente.

(*) A excepção é a Sem-se-Ver, está claro

27.11.08

Com a cabeça cheia de Aznavour

Décimo Post. Cinco vezes dois, portanto.

Quando estamos com os melhores à nossa frente, resta-nos ser sublimes, buscar as energias que temos e as que não temos e ir à luta.

Ora aborrece-me quando vou a Alvalade e as coisas não acontecem assim, como eu acabei de dizer que devem acontecer. E o que eu vi foi aquela rapaziada dos jogadores de bola a esconder-se atrás de umas moitas que há ali à volta do relvado (há sempre moitas atrás dos relvados, é da natureza das moitas), ali agachadinhos à espera que uma borboleta batesse as asas na Austrália, ou lá onde é que as borboletas batem as asas,e a deslocação de ar multiplicar-se e gerar um minitufão que acabaria em Alvalade, no preciso momento em que o melhor jogador do mundo, Messi, esse, se preparasse para rematar e caísse, derrubado pelo monte de relva (há sempre montes de relva em Alvalade, é da natureza de Alvalade ter tufos de relva) e, ao mesmo tempo, descontando o fuso horário que separa a Sibéria da Austrália, um urso polar, daqueles branquinhos (é da natureza dos ursos polares serem branquinhos), bocejar e aquela massa de ar que ainda agora estava no pulmão do urso polar, liberta-se e arrefece, que as temperaturas na Sibéria não são brincadeira, e, arrefecendo a massa de ar diminui a pressão, qualquer professor de química, mesmo dos que não querem ser avaliados (bem sei, eles querem ser avaliados, não querem é tanta papelada) e aquela massa de ar do bocejo do urso branquinho, subitamente arrefecida, multiplica-se por mil e por um milhão e vem por aí fora e transforma-se num ciclone que vem direitinho, já estão mesmo a adivinhar, vem direitinho a Alvalade e bate na bola da liga dos campeões, quarenta e tal euros de bola, em sendo oficial, as que não são oficiais custam menos de metade e não são piores, bate mesmo por baixo da bola no preciso momento em que a bola ía entrar na baliza errada e muda-lhe definitivamente a trajectória, de tal sorte que ela, a bola, volta para trás e bate em cheio no Paulinho roupeiro.

E aborrece-me, mais do que os jogadores atrás das moitas, aquela rapaziada que pagou para se divertir e não liga ao indesmentível facto de estarmos a levar cinco e grita "olés" para ver se os tipos se baralham e pensam que estão a perder e metem outros cinco e, como se fosse pouco dizer "olé" quando estamos a levar cinco, ainda gritam pelo Real Madrid, que também nos deu cinco ainda o Outono não tinha começado, e também me aborrece terem ido todos embora sem me ajudarem a aplaudir de pé o adversário e, finalmente, aborrece-me o treinador, com aquela vozinha de sketch do Gato Fedorento, depois de levar um baile de bola, vir falar em descoordenação no sector defensivo e descoordenação na transição para os movimemtos ofensivos e mais aquelas coisas sobre não sei quê e penalites que se calhar não foram em vez de dizer, e isto sou eu que gosto das coisas direitinhas, sou um assertivo, não há teste de liderança que não diga que sou assertivo, quer dizer, há uns que dizem que sou manipulador, mas eu consigo sempre arranjar maneira de a coisa dar em cheio no assertivo, em vez de dizer, dizia eu, "os miúdos esconderam-se atrás da moitas e levámos um banho de bola".

E, chegado ao carro, aliás à carrinha, esqueço-me sempre que agora tenho uma carrinha, preta, linda, deparo com o fantástico e perfeitamente adequado, estão sempre a acontecer coisas adequadas na minha vida, tenho que ver o que se passa, aparece-me, ali entalado entre os bancos da frente, dizia eu, a estrondosa Suite Ibéria do Albéniz, Isaac Albéniz, vejam lá vocês, um concerto de um catalão imediatamente a seguir ao concerto de outros catalães, vejam lá se o meu mundo não é perfeito, tão perfeito que demorei três horas a chegar a casa, fui por uma estrada junto ao mar, logo eu que vivo na Lezíria, o Albéniz ali a tocar só para mim e eu a demorar as tais três horas que é o tempo exacto que levo a desaborrecer-me quando me aborreço.

26.11.08

Regras básicas para jantar no Eleven sem marcar mesa antes

1 – Chegado à recepção, faça um ar de incrédula surpresa pelo facto do seu nome não estar com indicação de mesa reservada para daí a cinco minutos.

2- Deixe claro que a resolução do problema cabe ao recepcionista (use a expressão “desta embrulhada que os senhores arranjaram, que maçada…”). Independentemente do facto de a sua secretária ter reservado lugar na Churrasqueira do Campo Grande ou no Pizza Hut do Colombo (há, não há?...), a culpa de não haver mesa reservada em seu nome no Eleven é da exclusiva responsabilidade “dos senhores”.

3 – Eleve o tom de voz ao nível decibélico que costuma utilizar quando fala com a sua bisavó. Observe, sem se desmanchar a rir, as caras dos restantes comensais que se viram para si e, pelo canto do olho, deleite-se com o aumento de pulsação do recepcionista.

4 – Fale alto ao telefone e profira a seguinte conjugação de palavras: “Não imagina o que me está a acontecer no Eleven, senhor presidente”. Não se preocupe, não há qualquer possibilidade de o recepcionista intuir que você está a falar com o presidente do Clube Filatélico e não com O presidente que tem poder de efectivamente influir nos destinos de um país (*).

5 – Fale em francês com o seu acompanhante (se for Visconde, com a sua acompanhante) e inclua na conversa, aleatoriamente, as palavras “retirer”, “étoiles” e “Michelin”.

6 – Sente-se na sua mesa, a melhor mesa do Eleven, exactamente na cadeira onde a Laetitia Casta se costuma sentar.

7 – No final aceite as desculpas do gerente e sorria-lhe. Não estranhe não lhe trazerem a conta, hoje é convidado da casa.

8 - Ainda tem nos lábios aquele travo a madeira da Califórnia do Château Lafite de 58? Excelente…


(*) Filipe Soares Franco

25.11.08

E amanhã, o Barcelona, até me custa a acreditar...

Não há que ter medo de escrever sobre mulheres. Alguns de nós, a vergonha do género masculino, chegam cheios de genica, pêlo na venta, "eu sei tudo sobre mulheres" e depois definham, acobardam-se, não partilham o saber.

Comigo não, meus amigos. Comigo é diferente, eu vou contar tudo o que sei. Sem receios, sem medo de errar.

Começo pelo mais importante que é

E o quadro do Van Gogh não existe

Eu, o mecenas-mor do cinema português, o que se senta sozinho nas salas mais desconfortáveis dos cinemas do país real, o que vê os filmes que mais ninguém tem paciência para ver, não merecia isto.

Eu, que desta vez nem fui lá para visualizar a arte dramática da Soraia Chaves, asseguro que não, até porque a Flora Martinez comove-me muito mais, não merecia isto.

Eu, que perdi quase duas horas a visualizar um filme português falado em inglês, com o Nicolau Breyner, não merecia isto.

Eu, que assisti até ao fim a uma tentativa infame de arremedo de Tarantino, esse farol da sétima arte, não merecia isto.

Eu, que fui ao cinema com a firme intenção de não gostar do filme, não merecia sair da sala com um leve sorriso, não merecia que o filme afinal até fosse razoável, quer dizer, razoavelzinho.

24.11.08

Hora de almoço

Se há coisa que me aborrece é laborar no erro.

Até ontem, e só de pensar nisso até se me dá uns arrepios, até ontem, preparei invariavelmente o sashimi de cavala, finamente cortado, envolvido em suave vinagretta, porém acompanhado de laranja. A vinagretta, evidentemente, foi irrepreensivelmente elaborada com uma mistura de óleo de laranja, vinagre de Jerez e molho de soja, tudo ligado com alho e gengibre. Por aqui nunca houve novidade, a vinagretta nunca foi um problema e, se fosse, a frescura dos filetes de cavala sem espinhas sempre compensa algum deslize na feitura da vinagretta.

A questão, e só ontem entendi na sua plenitude o erro crasso em que vinha laborando, a questão é o acompanhamento com laranja. Em substituindo a laranja por toranja rosa, o palato imediatamente se surpreende e reage em conformidade.

Era só isto. Toranja rosa. Faz diferença. Toda a diferença.

22.11.08

Eyes wide shut

O jantar de ontem trouxe-me à memória um filme. Naturalmente, porque preservo a minha privacidade, não revelarei aqui de que filme se trata.



Percebo que o mundo é um lugar estranho...

...quando dou por mim a ter um genuíno interesse no resultado do jogo do Leixões.

19.11.08

Café forte ao jantar...

Certamente eu teria gostado de estar em Berlim, quando caiu o muro, talvez tivesse sido engraçado ter vinte anos em 1974 e ter estado no Largo do Carmo num certo dia de Abril, tenho mesmo a certeza que teria apreciado ter estado em Paris quando o "Spirit of St. Louis" de Charles Lindberg lá aterrou.

Mas, de tudo, o que mais me dá sensação de perda é nunca ter visto Von Karajan na direcção da Filarmónica de Berlim, principalmente se tivesse calhado naquele dia da interpretação da Quinta de Beethoven, Karajan de olhos fechados a dirigir a orquestra.

Graçolas que perdem o prazo de validade num instante

Sempre gostava de saber quantos professores avaliaram hoje o PROFESSOR Carlos Queirós...

(Memória futura: Brasil 6 - Portugal 2)

18.11.08

Primeiro post

Um dia, algures no Verão, estava o Brent a negociar a mais de cento e quarenta e cinco dólares por barril, e eu a apostar num Brent a duzentos dólares por barril no fim do ano, um amigo meu, também Visconde, assegurava-me que o ficava mesmo bem na minha vida era ter um blog.

Eu, que não sou de modernices, ri-me e disse-lhe que havia de ter um blog no dia em que o Brent valesse menos de cinquenta dólares por barril.

"Mais valia dizer que não está a pensar ter um blog" riu também o meu amigo, Visconde como eu, erguendo a sua taça de Piper-Heidsieck e não pensando mais no assunto.

Hoje o Brent fechou a quarenta e nove dólares e dezoito cêntimos...