24.3.09

Rede social

Não tenho facebook ou twitter, ou lá o que é isso, mas sei de um site de xadrez online em que se joga contra gente bem simpática.

(e começa a dar um bocadinho de luta a partir do nível oito)

Ouçam com atenção a música dois e vejam lá a música três não devia ser o Pride.

Antes de ouvir, também eu dizia que o CD novo dos U2 era um regresso à fase americana, Joshua Tree, e tal, desenvolvia o assunto, eu sou bom a desenvolver assuntos que desconheço de todo, afinal tinha lido a crítica do Expresso e o tipo que escrevia e que já tinha ouvido o CD falava no regresso à fase americana. Claro, para ser credível eu cofiava o queixo e falava com os olhos fixos no horizonte, dá-me sempre um ar mais alucinado quando fixo o olhar no horizonte e os tipos alucinados e que cofiam a barba podem sempre dizer que o CD novo dos U2 lhes faz lembrar a fase americana.
Depois ouvi o CD e estava sempre à espera que a música seguinte fosse o Stories for Boys ou mesmo o Pride. E o Pride e o Stories for Boys não têm nada a ver com a fase americana dos U2. Definitivamente.

22.3.09

Nem gosto muito de duetos. Aliás, abomino duetos.

Às vezes acontecem-me coisas destas, tenho que me ir habituando, a tendência é para piorar, a vida é mesmo assim. Trouxe o "Duets" do Aznavour misturado com uma quantidade de coisas menores, depois meteram-se um conjunto de problemáticas nos meus dias, a seguir tive que resolver umas coisas extremente aborrecidas e, lá está, demorei quase três meses para retirar o celofane, colocar o Aznavour a rodar, antigamente rodava a trinta e três rotações por minuto, agora não sei. Serve-se um cognac, não há nada como cognac para escutar Aznavour, fecham-se os olhos e inclina-se a cabeça para trás, sentado na poltrona.

O "She", com o Brian Ferry, é coisa para me acompanhar amanhã até ao aeroporto, já na versão i-pod.

(também faz dueto com o Julio Iglesias. e com a Laura Pausini. acho que eles lhes pediram muito e o Aznavour é um homem bom, amigo do seu amigo, aquilo devem ser favores, ou assim...)

20.3.09

A rapariga das fotocópias, a que mora em Odivelas, tem um copinho do Starbucks

Se eu tivesse que eleger um monumento ao foleiro, apenas um, ainda que estivessem em competição a "Moda Lisboa", ter acções da Benfica SAD ou aquele restaurante novo que agora abriu em Londres, ali para os lados de Kensington, a que toda a gente vai e que agora não me lembro o nome, havia de escolher o Starbucks, qualquer Starbucks, incluíndo o de Viena, o Wien Arcade Meidling.

O Starbucks tem "ambiente", tem "um conceito", e toda a gente sabe que "ambiente" e "conceito", são valores que qualquer foleiro aprecia. Irrita-me aquele hábito de me perguntarem o nome e de o escreverem no copázio de plástico que me servem e que custa uma fortuna só porque tem um travo a menta ou a nozes, ou lá o que é. Demora um tempo imenso escrever "Visconde de Vila do Conde", a maioria das vezes tenho que soletrar, no fim o café fica frio e toda a gente sabe que café frio é coisa que detesto, quase tanto como café com açucar.

A Starbucks iniciou as operações em Portugal. Podia ter escolhido o Rossio ou a Avenida dos Aliados, mas não. Escolheu um centro comercial. Dentro das possibilidades de escolha na modalidade "Centro Comercial", podia ter escolhido o Cascais Villa ou a Galeria Península, mas não. Escolheu o "não sei quê" em Alfragide.

A Starbucks pode não saber fazer café, mas sabe onde está o seu público-alvo...

17.3.09

O que vejo da minha janela (I)


Foto: Visconde de Vila do Conde


(Lisboa)

15.3.09

Não sei se se nota que ando a reler Vargas Llosa

Sempre ouvi rádio, ainda hoje as minhas horas de rádio são mais que a soma das horas de televisão, mais as horas de blogosfera.

Estudei ao som do "Oceano Pacífico", ainda hoje sorrio complacente quando ouço algumas músicas desse tempo que, se não tivessem passado no Oceano Pacífico ao mesmo tempo que eu tentava resolver integrais triplos, me fariam mudar imediatamente de estação. Mas não, ouço-as quase até ao fim se for o "Words Don't Come Easy" do FR David e ouço mesmo até ao fim se for o "Golden Brown" dos Stranglers ou os Cars com o "Who's Gonna Drive you Home". Ainda hoje, quando ouço o Fernando Alves, estou smepre à espera de ouvir o Zippo a acender mais um cigarro enquanto ele, em silêncio, escutava mais um ouvinte do "Passageiro da Noite" (nesse tempo podia-se fumar em estúdio) .

E um jogo de futebol escutado na rádio dá-me sempre a ilusão de um Sporting permanentemente ao ataque, as jogadas de perigo sucedem-se umas às outras, é um milagre o adversário não sair de Alvalade com uma goleada histórica. O mesmo jogo, visto na televisão, far-me-ía mudar de canal, desesperar, escutar Haydn (já vos disse que estou na fase da minha vida em que melhor entendo Haydn?).

E as locutoras, imagino-as sempre bonitas, elegantes, aquelas vozes não podem pertencer a corpos que não sejam menos que pura fibra, sem vestígios de celulite, imagino-as nas noites de casino, jogando e ganhando, vaporosos vestidos, generosos decotes, elas a falar com aquelas vozes fantásticas e o mundo a parar, suspenso.

Lembro-me sempre das vozes da rádio quando imagino quem está do outro lado dos blogues. Quem escreve bem é sempre elegante, de gostos exclusivos e refinados, corre a maratona e não se cansa, é amante incansável e sempre surpreendente. Na verdade, só queria escrever este último capítulo, aquilo do rádio e mais não sei quê era só para criar ambiente...

14.3.09

Sim, acabo de regressar do Zoológico de Barcelona

E agora és uma carpa e saltas, elegante, evitando o anzol mais o que lhe coloquei para te atrair. E depois és um cão, um Golden Retriever enorme, tranquilo, que me faz festas de cada vez que regresso, acaricio-te o pelo, isso basta-te, e sentas-te ao meu lado enquanto leio na minha poltrona favorita. E agora és um falcão que, lá de cima, vê tudo o que eu não vejo, disparas certeira quando tens o objectivo na mira, falhas e voltas a tentar.

E eu sou a aranha que tece com labor e com tempo a teia em que mais tarde ou mais cedo te vais emaranhar.

10.3.09

Tio Lancastre, há tanto tempo que não me lembrava dele...

Quem tinha uma excelente colecção de Barbie's era o meu Tio Lancastre. Era um coleccionador metódico, dispensava-lhes atenção diária, acarinhava-as, brincava com elas e, muito de vez em quando, fazia uma extravagância e juntava outra Barbie à colecção.

Lembro-me da "Barbie-Secretária-de-Administração", da "Barbie-Contorcionista" (o meu Tio Lancastre tinha uma especial predilecção por esta), a "Barbie-Universitária-Que-Depois-Casou-E-Se-Transformou-Na-Barbie-Baleia-Azul" e, a minha preferida, a "Barbie-Enfermeira-Chefe".

O meu Tio Lancastre geria a sua colecção de Barbie's com mestria, tinha um espaço e um tempo para cada uma delas e nunca tive notícias de desentendimentos entre elas.

As Barbie's do meu Tio Lancastre fizeram ontem cinquenta anos, ele gostava de Barbie's mais novas. Já eu, não gosto muito de Barbie's. Quer dizer, tem dias...

7.3.09

E o último dos U2 não é nada de se deitar fora, embora eu prefira o Joshue Tree, ou lá como se chamava aquele disco da fase americana

Assim de repente não consigo lembrar-me de coisa mais divertida que esse gélido momento em que um exemplar de turista português percebe que há outros portugueses num perímetro de segurança centrado em si próprio (o português no estrangeiro) e que só termina em Vilar Formoso

Com a Easy Jet (o que quer que seja a Easy Jet...) a vender bilhetes a menos de trinta euros (precisamente metade do que custam setenta centilitros de Quinta do Noval do ano em que eu nasci), é espantoso o número de pessoas que acha estranho encontrar compatriotas em Milão ou em Londres.

E que faz um português quando encontra outro? Disfarça. Fala baixinho com o parceiro de viagem (os portugueses não viajam sozinhos, eu sou um caso excepcional), segreda "aqueles são portugueses" e tenta passar despercebido, fazendo de conta que os últimos minutos de piropos de nível zero à empregada do Mc Donald's nunca existiram.

Encontrar portugueses no estrangeiro é um embaraço, é uma machadada fatal na exclusividade, na ilusão de ser os únicos digníssmos representantes da República Portuguesa na fila do "saca-rabos" das pistas verdes de Sierra Nevada ou no elevador da Torre Eiffel.

Eu gosto de encontrar portugueses no estrangeiro. Cumprimento sempre, o mais efusivamente possível, pergunto de onde são, recomendo os sítios que vendem café Delta. Não percebo porque estão sempre com tanta pressa...

E era um elogio

E de repente, a meio do jantar, uma amiga diz-me que há uma parte de mim que pensa feminino.

Sei que sim. E é uma tremenda vantagem...

4.3.09

O garfo

Qualquer jogador de xadrez sabe que um garfo é aquela posição desconfortável em que temos duas peças nossas ameaçadas pela mesma peça do nosso adversário. Não nos resta mais do que escolher o mal menor e é isso que é desconfortável. O adversário tem todo o poder, nós apenas temos que escolher que peça queremos sacrificar.

Um garfo é sempre uma maçada, perguntem a quem quiserem.

(a não ser quando oferecemos o garfo ao adversário para o distrair do xeque-mate que estamos a preparar, evidentemente...)