30.5.09

Da série "Músicas que não me saem da cabeça" I

Quando falo em público, por razões que agora não interessam mas que estão essencialmente relacionadas com a possibilidade que as pessoas, enebriadas pelas minhas palavras, desatarem a comprar ou a vender acções, quando falo em público, dizia eu, a última imagem que apresento diz que aquilo que acabaram de ouvir não poderá induzir a qualquer atitude, é apenas a minha opinião sobre os factos.

Estou aqui a pensar se não seria boa ideia arranjar um disclaimer parecido para usar no dia-a-dia.

23.5.09

A vergonha...

...que os italianos têm por causa do Berlusconi ser o presidente deles tem algumas semelhanças com a que eu sentia quando o Sousa Cintra era o nosso presidente.

22.5.09

Como é que eu sei isto? Ora...

Parece que um inglês ganhou aquilo que chamam "O Melhor Emprego do Mundo". Seis meses numa ilha deserta (hum...). Oitenta e três mil euros por seis meses (pfff...). Limpar a piscina (uau...). Alimentar os peixes (hum, hum...).

Aquele rapaz não tem o melhor emprego do mundo. Definitivamente.

21.5.09

Será só a mim acontecer-me olhar para a cara deste gajo e parecer-me o Cristiano Ronaldo, mas em mais velho?


Eu era...

...para dar aqui a minha opinião sobre a professora Josefina, mais os seus conhecimentos de sexualidade adquiridos ao longo de quase vinte anos de penosos estudos, mas depois lembrei-me daquilo do Otelo, de "estar a ponderar" recusar quase cinquenta mil euros da promoção, sempre me pareceu estranho quando as pessoas "estão a ponderar" recusar coisas, mas não recusam, só aparecem no vinte e cinco de Abril a dizer que "ponderam recusar", mas depois pensam melhor, sempre são cinquenta mil, caramba, cinquenta mil euros dão para comprar duzentas garrafas de Château Lafite Rothschild de 2004, não que o Otelo usasse o dinheiro para comprar duzentas garrafas de Château Lafite Rothschild de 2004, parece-me um homem sensato, afinal apenas ponderou recusar os cinquenta mil euros, não disse logo que recusava e pronto, no vinte e cinco de Abril admite-se tudo, até o filme da Maria de Medeiros a passar na televisão todos os anos, passa o filme da Maria de Medeiros e percebe-se logo que estamos no vinte e cinco de Abril, com o Música no coração é a mesma coisa, só que o Música no Coração marca a época do Natal, no vinte e cinco de Abril é o filme da Maria de Medeiros mais o Vasco Lourenço a dizer que se for preciso os militares voltam a pegar em armas, eu nunca gostei muito do Vasco Lourenço, sempre me fez lembrar o Otelo, mas em mais gordo e, digamos assim, menos instruído, não tem os estudos que tem, por exemplo, a Professora Josefina.

Agora a sério, o tipo não recusou os cinquenta mil euros, pois não?...

: )

20.5.09

José Caleia Rodrigues, analista de petróleo, diz, em entrevista, que "o petróleo vai andar a oscilar entre os 50 e os 80 dólares".

Visconde de Vila do Conde, analista de situações em geral, diz que:

i) O Sporting terminará a próxima época entre o primeiro e o décimo lugar da tabela
ii) A temperatura do mar na Fonte da Telha, neste preciso momento, deverá oscilar entre os oito e os vinte e sete graus Celsius
iii) O peso da irmã do Cristiano Ronaldo deverá oscilar entre os cento e trinta e os trezentos quilogramas.

O restaurante do Sheraton já não é o que era

Não sei se conseguirei que visualizem a situação, mas aquilo está um daqueles sítios em que olhamos para os rapazes e têm todos ar de ser donos de um Honda Civic CRX. E olhamos para as mesas e parece-nos que há vinho João Pires em todas elas. E olhamos para as raparigas e todas nos parecem parecidas com a irmã do Cristiano Ronaldo. E a música ambiente soa-nos ao Still loving you, mas cantado pelo Demis Roussos. E os empregados são todos parecidos com os empregados do Love Boat, mas vestidos como o Abel Xavier. E a qualquer momento nos parece que as mulheres se dirigem para a pista de dança e começam a dançar umas com as outras. E dá-nos vontade de sair dali. E saímos mesmo.

17.5.09

E o Liedson lá marcou mais dois

Talvez tenhamos passado muito tempo fora das cavernas, a caçar javalis, ou lá o que fosse que se caçava naqueles tempos. E, enquanto caçávamos javalis, acreditámos que elas ficavam sossegadinhas na caverna, à espera que regressássemos com o javali às costas, elas, em nos avistando ao longe bateriam palmas de satisfação e avivariam a brasa, nós, cansados e orgulhosos (já viste que beleza de javali?), descansávamos da jornada, aproveitando para nos informar, por alto, dos avanços da prole (parece que o mais velho já se ajeita com o arco e a flecha), enquanto soltávamos uns ditongos aprovadores.

O problema é qua nunca se nos ocorreu que elas eram capazes de não ficar sossegadinhas enquanto nós tratávamos de caçar javalis. Nas longas jornadas de caça, elas saíam da caverna, teciam elaboradas redes de contactos com as mulheres das cavernas vizinhas, estabeleciam avançadas metodologias de comunicação. Evoluíam, enfim. E nós lá fora, um único objectivo, caçar suculentos e deliciosos javalis que nos forneceriam os glícidos para os próximos dias, nós apenas com um fito, chegar à entrada da caverna, levantar o javali bem alto, olhar em volta, constatar que o nosso javali é o mais gordo, olhar pelo canto do olho e ver a cara do tipo da caverna de cima, cabeça baixa, javali pequeno, a mulher dele com um olhar desaprovador (o vizinho da caverna de baixo é que se esforça, vê-me só o tamanho daquele javalizão), a nossa mulher a olhar-nos embevecida (que forte, só tu conseguirias caçar um javali tão grande), nós a contar alto a terrivel luta que tínhamos tido com o javali.

E nós a pensar que elas tinham ficado sossegadinhas na caverna.

E elas a pensar que eram precisos cinco dias para caçar um javali.

16.5.09

What else?...

Foto: Visconde de Vila do Conde

O consumidor prudente tem agora a excitação de comparar os preços dos combustíveis na autoestrada. Painéis com os preços, não sei se estão a acompanhar o meu raciocínio, eu às vezes falo muito depressa e depois dá nisto, não me faço entender. Temos então os tais painéis, o consumidor prudente dá uma vista de olhos no painel, toma nota num bloco-notas dos preços, olha para o computador de bordo só para confirmar quantos quilómetros aguenta, faz meia dúzia de contas, arrisca, não arrisca, caramba, talvez dê, se não entrar nesta arrisco, mas cinco cêntimos por depósito sempre são cinco cêntimos por depósito, vá, arrisco, que se foda, desligo o ar condicionado nos próximos quarenta quilómetros, cinco cêntimos por depósito vale a pena, em onze depósitos dá para um café, isto se não fôr na área de serviço da autoestrada, em sendo aí já estamos a falar de dexoito depósitos, mas vale a pena, os painéis servem mesmo para isto.
O consumidor prudente, se não tiver que pagar aos tipos da Brisa uns quarenta euros pelo combustível que lhe vai faltar a cinco quilómetros da área de serviço seguinte, acaba por pagar dois euros por um chocolate para acalmar, isto de vir na reserva há trinta e oito quilómetros dá nervos, mas poupam-se os cinco cêntimos e compra-se o chocolate para acalmar, mas sempre se poupam os cinco cêntimos, se não fossem os painéis não se poupavam os cinco cêntimos por depósito.
E que importa que seja, no fundo, o consumidor prudente a pagar os painéis, mais a manutenção dos painéis? E que importa que a gasolina mais cara seja a das autoestradas, que basta abastecer antes de entrar na autoestrada para poupar a sério? Estão lá os painéis, isso é que interessa. É ou não é?...

10.5.09

Mas, afinal...

...quem é a Cláudia Jacques?

Coisas verdadeiramente importantes


Um casal de andorinhas escolheu o meu telheiro para fazer o ninho. Durante dois meses, estacionei o carro fora do telheiro, para não as incomodar lá nas suas vidas. Agradeceram-me e nasceram quatro andorinhas. A primeira voou hoje pela primeira vez. E eu vi.

8.5.09

Do trânsito na segunda circular

Façam uma experiência simples. Olhem para o tipo que está ao vosso lado no fila de trânsito. Mete nojo, não é? Está com meio dedo indicador metido no nariz. Se olharem fixamente para ele, o tipo percebe que está a ser observado e acaba por disfarçar e fazer de conta que está só a coçar o nariz, mas a verdade é que, efectivamente, inequivocamente, o tipo estava a meter a dedonga nariz acima.

Se o tipo estiver efectivamente concentrado no que está a fazer, acabará por retirar resíduos do nariz, às vezes acompanhados por um ou dois pêlos, que retirará, para que a massa não perca capacidades mecânicas que prejudiquem o processo seguinte. E o processo seguinte consiste em rodar os resíduos que retirou do nariz, já liberta de eventuais pêlos que contaminariam o processo, entre os dedos indicador e polegar da mão direita. A espaços, o tipo inspeccionará visualmente a massa e, não lhe agradando o aspecto visual, volta a repetir o processo, girando-a entre os referidos dedos, até que a consistência lhe pareça satisfatória.

Na fase final do processo, a massa é rejeitada para o chão do carro, onde de misturará com as fibras do tapete, colando-se nelas e resisitindo a eventuais aspirações.

Hoje era só isto que eu gostaria de partilhar com todos vós. Bem-hajam.

7.5.09

(Sim, é oficial, não tenho nada para dizer)

Esta noite sonhei que o Reinaldo, aquele das Doce, corria atrás de mim. Eu nem costumo sonhar com o Reinaldo, o das Doce, eu é mais com Porsches cor-de-rosa, não deve haver nada pior que Porsches cor-de-rosa, a não ser Lamborghinis verde-alface, mas a verdade é que costumo sonhar que estou ao volante do meu Porsche cor-de-rosa, cheio de gente a ver, depois acelero e o Porsche cor-de-rosa sai de frente e espeta-se num poste, já imagino que estareis a pensar que Freud explica, que eu sou um tipo que abomina o ridículo e que não tem confiança nas suas capacidades, mas o que não sabeis é que a história do Porsche cor-de-rosa é só para disfarçar, incomoda-me que ficassem a pensar que eu só sonhava com o Reinaldo, aquele das Doce.

Bem, sonhei então que o Reinaldo, o das Doce, corria atrás de mim. Felizmente, o gajo corre pouco.

4.5.09

Do senhor Vasco Granja

Um dia, aliás, uma noite, há muito tempo, fui a casa do senhor Vasco Granja, com um amigo que sabia desenhar muito bem, eu escrevia e o meu amigo, o Carlos Eduardo, está bem, bem sei que não é grande nome para um amigo, na verdade foi só meu amigo até ao segundo ano do ciclo, não foi por causa de se chamar Carlos Eduardo, foi porque emigrou, mas enfim, lá fomos a casa do senhor Vasco Granja mostrar-lhe uma banda desenhada que tínhamos feito, eu escrevi a história e o Carlos Eduardo desenhou, perguntámos ao senhor Vasco Granja o que tinha achado e ele disse que estava muito bom, que tínhamos muito jeito e que havíamos de ganhar a vida a escrever e a desenhar. Eu não ganho a vida a escrever, não sei se o Carlos Eduardo ganha a vida a desenhar, a verdade é que não o vejo desde o segundo ano do ciclo, por isso só posso dizer que, seguramente, o senhor Vasco Granja se enganou pela metade, talvez até mesmo na totalidade, mas, lá está, não vejo o Carlos Eduardo há muito tempo.

Hoje, no dia em que o senhor Vasco Granja se foi, tenho pena de nunca lhe ter dito que lhe perdoei aquilo de ele passar desenhos animados da Bulgária e da Checoslováquia antes de passar o Tex Avery e o Bugs Bunny, fico aqui a pensar que não dizemos as coisas às pessoas em tempo e depois é isto, as pessoas vão e nós ficamos aqui com as coisas entaladas, e afinal os bonecos de plasticina que não falavam faziam nem mais nem menos que o papel dos Kaiser Chiefs nos concertos dos U2.

Basicamente, era isto.

Da feira

Devia ser sempre assim o Pepetela e o Agualusa a autografar livros lado a lado. A fila para Agualusa a abarrotar de miúdas com o "As mulheres do meu pai" na mão, à espera de um beijinho do Agualusa, um sorriso do Agualusa, na esperança que o Agualusa tirasse os óculos de sol.

E o Pepetela, velho senhor, ali à minha espera, eu com o "Planalto e a Estepe" meio lido junto ao mostruário, o Pepetela ali sozinho, cadeira vazia à minha espera, Boa tarde Pepetela, é um grande gosto, é um imenso prazer apertar a mão, assim, firme, a um homem que se levanta para me cumprimentar, diga-me cá, quando é que sai outra aventura do Jaime Bunda, ah, meu caro Visconde, Luanda já não tem lugar para as aventuras do Jaime Bunda, sabe, Pepetela, o Jaime Bunda ficava bem era aqui em Lisboa, arranjava-se um caso com ramificações em Lisboa e sempre queria ver se ele resolvia o caso, os olhos do Pepetela a brilhar, como se nunca lhe tivesse ocorrido que o Jaime Bunda era capaz de se divertir em Lisboa, não é má ideia, não, Visconde, vamos ver o que se pode arranjar, pense nisso Pepetela, um abraço e fique sabendo que gosto mesmo de o ler, o gosto foi meu, Visconde, não quer que lhe autografe o livro?, ah Pepetela, não o queria incomodar, ora, estou cá é mesmo para isso.

E as miúdas, ali ao lado, à espera do Agualusa...

3.5.09

Seis músicas de Alain Oulman e outras três que não,

...era assim que se devia chamar a coisa, chamar-lhe "Amália Hoje" é só a técnica que os tipos inventaram para vender mais. E pronto, cai tudo em cima dos miúdos, que na Amália não se toca, que a Amália deve estar às voltas na arca do Panteão, ainda nem há uma semana lá estive, era a única que tinha flores, até me pareceu mal que o Humberto Delgado ou o Vasco da Gama não tivessem quem lhe levasse flores, mas a vida é mesmo assim, parece que é uma senhora amiga que leva lá as flores três vezes por semana, pelo menos foi isto que me disse o guarda do panteão, que estava com vontade de conversa.

O problema é que a rapaziada não ouviu o disco, limitou-se a ouvir o CD com a música que vinha à borla na Visão e já está, já temos opinião formada sobre a afronta que a coisa é, coitadinha da Amália lá às voltas no túmulo, já viram isto?

Eu gostei. E eu sou o tipo que estava a ouvir uma cassette da Amália no walkman, nas praias das ilhas gregas, o resto da rapaziada a fazer-se às italianas e eu ali, estoicamente, a escutar Amália, isto é coisa para já terem passado uns bons vinte anos, mas lembro-me como se fosse hoje.

E, sabendo eu do que falo, recomendaria que comecem pela primeira música, não percam tempo com a segunda, ouçam a terceira e a quarta em repeat, façam de conta que a Calcanhoto não cantou a quinta, passem a sexta, ouçam com atenção a sétima, ouçam muito bem a oitava enquanto pensam "pá, aquele gajo que fica ali a murmurar l'important c'est la rose mais valia ter ficado calado" e depois ouçam até ao enjoo a última música.

E é só isto, os miúdos pegaram nas músicas do Alain Oulman e deram-lhes outra leitura. O título, o "Amália hoje" é só para vos chatear.

1.5.09

Não me lixes, pá.

Eu avisei-te, pá. Avisei-te que devias ter cuidado com isso, que não era pior veres isso com mais detalhe, podia dar azar. Se calhar não foi suficiente avisar-te, pá. Devia ter-te metido no carro à força e ter-te levado lá, para fazeres as análises ou lá o que tivesse que ser. Não me devia ter iludido com isso de me dizeres meio a rir, que havias de ficar com uma eterna voz de cama , devia ter percebido que aí havia coisa ruim.

Sei que não te queixas, que dirás que a vida é mesmo assim, que és um tipo de sorte e que no fim te vais safar, que te safas sempre.

Devias ter visto isso mais cedo, pá, essas coisas, em sendo vistas mais cedo, sempre se resolvem melhor. Não me lixes, pá, vê lá se isso de te safares sempre é mesmo verdade.