28.9.09

Da tentação do abismo

Começo a viciar-me nisto de confiar numa nota breve que a secretária me estende e, dependendo dos dias, de um briefing do que se vai passar daí a momentos, ditado em passo apressado, eu já atrasado para a reunião, copo de café na mão, a fingir que absorvo as palavras-chave que ela vai debitando.

Depois, vistos os números e as projecções e os forecast, decidir. E decidir confiando menos nos números e mais no meu feeling, as cabeças que se viram na minha direcção, desconfortáveis pela decisão sem o respaldo dos números, sem o conforto dos powerpoint preparados por consultores.

Neste momento, sozinho no escritório, James bem alto nos ouvidos, gravata atirada para um canto, mangas arregaçadas, penso que um dia sou capaz de me foder.

Hoje ainda não foi o dia…

Bécaud, Gilbert Bécaud

25.9.09

Visconde, em Modo Ponderativo

Voar de Lisboa a Pequim. Comboio de Pequim a Moscovo. Voar de Moscovo a Lisboa.

Hum.

Estou capaz de ponderar isto.

24.9.09

Das coisas que eu penso que sei

Hoje aprendi que o Nilo não nasce no Lago Vitoria, como sempre pensei. No lago Vitoria nasce o Nilo Azul, que se junta ao Nilo Branco por alturas ali do Sudão. Parecendo que não, isto é importante, afinal podia apostar tudo o que tenho em como o Nilo nascia no Lago Vitoria. E perdia.

Being Visconde de Vila do Conde

Ora o que a seguir ia contar aconteceu, se não me falha a memória, no dia seguinte a alguém me ter dito que acabei por incorporar no meu verdadeiro self a inexpressividade, aconteceu dois dias depois de alguém me ter chamado a atenção para as desvantagens da minha arrogância e, se me lembro bem, aconteceu três dias depois de me terem chamado de parte para me levarem a corrigir a atitude vagamente sobranceira e ocorreu precisamente uma semana depois de me terem comunicado que as pessoas em geral me acham intimidatório.

O que eu ia aqui contar aconteceu hoje, portanto.

As mulheres...

...gostam de homens com dramas existenciais, mentes tortuosas, ar grave, dúvidas filosóficas, discursos densos, elaborados, vidas sofridas e corações amargurados, nós cegos na cabeça que só elas, as mulheres, sejam capazes de desatar e, assim, salvá-los de uma vida de psicanálise eterna.

É por isso que eu às vezes tenho que fingir que sou um tipo que se preocupa com as coisas.

15.9.09

Da política

Acompanhei ontem o programa que dava voz aos pequenos partidos que concorrem às legislativas. Dez partidos, duas horas de programa.

Acho que percebi, finalmente, o conceito do "Twitter"

13.9.09

Dos Beatles

Por circunstâncias que não é conveniente enumerar neste momento, tive ocasião de assistir à ante-estreia do espectáculo de tributo aos Beatles que vai acontecer um dia destes no Coliseu de Lisboa.

Aconselho, chegam ao pormenor de o vocalista se parecer bastante com o Paul McCartney (ou com o John Lennon, eu nunca os soube distinguir).

11.9.09

Oito anos



Fotos: Visconde de Vila do Conde

O Tio Lancastre não o diria melhor

"O que menos ama é o verdadeiro motor de uma relação."

(cito de ouvido, recuso-me a identificar o filme em que foi dito)

10.9.09

Contaram-me

Há um restaurante afrodisíaco no "Freeport".

Não há nenhuma loja que venda Senhoras de Fátima, daquelas que ficam luminosas durante a noite, no Red Light District.

Não há nenhuma loja dos trezentos nos Champs Elysées.

Não há nenhuma casa de alterne na cidade do Vaticano.

Mas há um restaurante afrodisíaco no "Freeport".

8.9.09

Disto ninguém fala nos debates, não é?

É absolutamente intolerável que as agências de viagens, em pleno Setembro, não disponibilizem ainda os programas de férias de neve para a próxima temporada...

7.9.09

Para não falar que agora tenho que comprar frascos de Dunhil de cinquenta mililitros.

Foram hoje condenados os tipos que pretendiam, em 2006, rebentar uns tantos aviões, misturando explosivos líquidos.

Que os anos de condenação a trabalhos forçados sejam os mesmos que, desde esse dia, estes imbecis nos fizeram perder na área de segurança dos aeroportos.

E se alguém me entrasse no computador e visse?

Reparo que nos "Favoritos", na pasta "Informação", só tenho dois links, um para o "Record", outro para a "Bola". Isto não anda nada bom, eu estou farto de o dizer, mas ninguém me liga.

Abençoados sejam...

...os locutores de rádio que anunciam que a próxima música é dos "Deolinda".

Dá sempre tempo para um homem mudar de estação.

6.9.09

Fase Um

Aos sessenta e dois convites para o Facebook, é capaz de não ser má ideia ir ver o que é isso do Facebook.

We'll always have Alcochete


Foto: Visconde de Vila do Conde

3.9.09

Da nostalgia

A primeira vez que dormi em Paris, fiquei nos relvados do Champ de Mars.

A última vez que dormi em Paris, fiquei num hotel agradável.

A primeira vez foi muito melhor. Não sei se isto é um sinal, mas, se for, que não seja sinal que estou a abichanar.

2.9.09

Cinco dias, quatro noites, Inverno nos Andes

De vez em quando dou por mim a pensar na aventura de Henri Guillaumet, um dos pioneiros da Aeropostale, cinco dias e quatro noites a pé, nos Andes, depois de ter espatifado um Potez 25, motor Lorraine de 12 cilindros. Saint-Exupery, esse mesmo, também piloto da Aeropostale, havia de falar da aventura de Henri Guillaumet em "Terre des Hommes" que, depois de "Vol de Nuit" é capaz de ser o seu melhor livro. Cinco dias e quatro noites, não sei se me estou a fazer entender, pleno Inverno nos Andes, o Potez 25 virado ao contrário, só o homem e o seu casaco de cabedal, cinco dias, quatro noites a andar, sem material de escalada, a fazer o impossível. Salvou-se, « Ce que j'ai fait, je te jure, jamais aucune bête ne l'aurait fait», dizia ele a Saint-Exupery, esse mesmo, que o foi resgatar à aldeola onde Henri Guillaumet acabou por chegar, cinco dias e quatro noites depois.

Podia ter dito que se salvou porque era forte, porque nunca deixou de acreditar, porque os pilotos da Aeropostale eram preparados para sobreviver. Mas não, disse que sobreviveu porque pensou numa mulher. Se isto não é uma história de amor, então não sei nada sobre histórias de amor.