3.4.10

Coisas da época

Se calhar é má ideia rever hoje a Vida de Brian.

28.3.10

Do bullying e dos seus efeitos a prazo

Sempre que vejo o Paulo Rangel, afigura-se-me que aquilo é homem para, em criança, ter levado muita porradinha na escola, se fosse hoje dir-se-ia que foi vítima de bullying, naquele tempo era só "moche ao badocha" e imagino o Paulo Rangel, com os seus livrinhos demasiado avançados para a idade, a levar porrada só porque sim.

Ora estas coisas são desagradáveis e deixam marca pela vida fora, nota-se bem no Rangel adulto que a coisa deixou marcas, normalmente os tipos que levam porrada na primária chegam a adultos e pensam que vestem um fato às riscas e está feito, que apagam as marcas de gajo que levava porrada nos intervalos das aulas. A coisa não se dá assim, para usar fatos às riscas é preciso habituação, é preciso ter tido uma infância feliz e que o nosso saldo de levar na tromba seja equilibrado (e o meu conceito de equilíbrio é quando a coisa me é favorável em mais de noventa por cento).

Usar fato às riscas é coisa séria, requer atitude e Rangel não percebeu nada disto, usou fato às riscas sem ter consciência de regras ancestrais e, claro, a coisa foi-se desgovernando até à estocada final, um homem que usa um fato às riscas com propriedade não diz, acabadinho de levar um banho de votos de um tipo que não interessa a ninguém, que está ali para ajudar o tipo que acabou de o derrotar. Um verdadeiro homem de fato às riscas, depois de perder uma batalha (que normalmente não perde) dirá ao vencedor, olhos nos olhos, que lhe vai fazer a vida negra, que as ideias em que acredita, mais tarde ou mais cedo vingarão e ai dele, do vencedor de hoje, nesse dia aziago.

Das vantagens competitivas

Numa multinacional que teve o raro privilégio de contar comigo nos seus quadros, há muitos anos, éramos preparados para o "teste do elevador", tínhamos que estar preparados para, em caso de nos cruzarmos com presidente da companhia no elevador, lhe responder em vinte segundos (o tempo que o elevador demorava desde o piso das garagens até ao quinto andar, onde ele sairia) à pergunta "Então, como vão as coisas na sua unidade de negócio?". Em vinte segundos, tínhamos que estar preparados para dizer o essencial ao presidente da companhia sobre o negócio, o objectivo do ano, como o iríamos conseguir, o que nos separava do objectivo, o que podia correr melhor, o que já foi feito, o que faltava fazer e, calhando, como se nos afigurava que fosse o plano para os próximos cinco anos e ainda tinha que sobrar tempo para falar de futebol e perguntar-lhe pela família.


Vinte segundos. O tempo que demorava o elevador a chegar ao piso do presidente.

25.3.10

Das longas noites

A vantagem de se ter uma secretária é quando nos encontramos em ambiente adverso, pessoas que vêm em sentido contrário ao nosso e nos estendem a mão para nos cumprimentar, há ali um segundo de hesitação, o indivíduo aproxima-se, é suposto sabermos o nome, cumprimentá-lo sorridente e tratá-lo pelo nome, todos nós gostamos que nos tratem pelo nome, é dos livros, é para isso que servem as secretárias, para nos segredarem ao ouvido "Sr. X, CEO da empresa Y" e nós repetimos "Sr. X, é um enorme prazer, obrigado por estar presente.

(sim, também me lembrei do "Diabo veste Prada", com a nuance de eu não ser o Diabo e preferir Armani)

23.3.10

Daquilo que me é dado observar...

...concluo que os fatos às riscas voltam a estar na moda nesta estação (na verdade, para mim, nunca passaram de moda, mas eu sou eu). Estejamos atentos, pois.

22.3.10

Não foi bom o Benfica ter ganho...

...mas teve o seu je ne sais quoi o Bruno Alves ter perdido.

18.3.10

Resumo do post ali de baixo (para facilitar a vida às pessoas que não apreciam posts longos e maçadores)

Cheguei tarde ao jogo.

Dos dias do avesso

Que isto hoje tinha tudo para correr mal, passei metade da noite a congeminar uma ideia para fazer de conta que inventava uma fórmula vencedora para o negócio que me fará cumprir os objectivos do ano em pleno mês de Março, coisa para me fazer ir em paz para Chamonix na próxima semana, sem ter que me preocupar em parar no meio da pista e atender telefones e a organizar as tropas, a metade da manhã foi passada a foder uma bateria de telemóvel a tentar explicar no meu italiano perfeito a uma italiana perfeita que nos separam apenas trezentos mil euros, na verdade há muito mais que nos separa, ela é que não sabe, não sei onde vai parar o mundo, agora as pessoas preocupam-se com trezentos mil euros, cada vez nos preocupamos mais com minudências, chego a pensar que sou o único com capacidade de ver a big picture, estava eu na parte mais brilhante da explicação, isto é tudo uma questão de o Brent estar a noventa dólares em Dezembro, ou, pelo contário, bater nos setenta, ninguém é capaz de ver as coisas com esta amplitude de espírito senão eu, mas, na melhor parte, a bateria deu o pifo final, ainda não eram onze da manhã, foi ali por alturas da saída para Aveiro, e eu, em se me acabando as baterias de telemóvel, dá-me para ouvir Gotan Project e, isto está tudo relacionado, em ouvindo Gotan Project muito alto dá-se o caso de o carro se me acelerar demasiado e, para tornar uma long story short, acontece-me uma alteração do sistema cognitivo que me tolda a visualização de automóveis da marca Subaru, de cor azul, desses que têm o poder de me fazer parar na berma da A1 e saem de lá tipos que me perguntam se sabia a que velocidade me deslocava e eu não sei, mas digo que sei só para não perder mais tempo, ainda me falta chegar ao Porto em meia hora, coisa para me complicar os planos, o pior é que acabei por não almoçar, e o que eu gosto de almoçar no Porto, sou um tipo sem imaginação nenhuma, continuo a gostar do Cafeína, e quando dou por mim são seis da tarde, tenho precisamente duas horas e cinco minutos para chegar a Alvalade e ainda estou no Dragão, aperto a minha pedra da sorte com força, desde que ma ofereceram nunca me falhou, e não foi aqui que ela me falhou, às oito horas estava eu a passar o aeroporto, o pior foi a segunda circular, eram oito e oito da noite e já estávamos a perder, eram oito e um quarto e estava eu a entrar no estacionamento do estádio, empatámos, nunca tinha ouvido um golo nosso estando eu fora do estádio, parece que uma caça bombardeiro passa sobre as nossas cabeças, só depois é que o tipo do relato do rádio diz que foi golo nosso, percebe-se, o tipo do rádio tem que mandar a voz para o satélite, depois a voz tem que vir do satélite para o meu rádio, tudo isto leva o seu tempo, enquanto isso, ouvindo o som directo a coisa é quase instantânea, são trezentos e quarenta metros por segundo, e quando eu entro no camarote os outros acabam de meter o segundo, agarro na minha pedra que me dá sorte e aperto-a com força, não é que eu precise de uma pedra dê sorte, que fique claro, a verdade é que acabou por me falhar, nem quero lembrar-me disso, quero é lembrar-me que a noite está fantástica e esta noite não tenho que passá-la acordado a inventar soluções, está uma noite perfeita para ouvir Brel e, quem sabe, jogar mais um jogo de póquer comigo próprio, começo a ficar bom nisso e às vezes ganho, com ou sem pedra da sorte.

17.3.10

Da reciclagem

Se me perguntassem, que não perguntam, não me escandaliza que os do Grupo Leya reciclem certos e determinados autores, os chamados monos, que estão nos stands da feira do livro a cinco euros cada três livros, aquilo nem paga o trabalho das pessoas que, zelosamente, cumprem o desígnio que Deus nosso Senhor lhes atribuiu e que é exactamente passar o dia a tentar escoar livros a cinco euros cada três livros, já a mim o Criador me deu outro papel no mundo, digamos que sou um evangelizador, ficaria um bocadinho triste se visse um Saramago novinho em folha a ser triturado e transformado em papel reciclado, embora me seja agradável a ideia de ver Caim, edição de luxo, comemorativa, a ser transformado em papel do 24 Horas, isto é a vida, sempre em constante mutação, mas o problema, o que efectivamente me leva a pensar na injustiça do género humano para com os seus iguais, é que pensar que a editora da Playboy poderá enveredar pelos ínvios caminhos da Leya e ousar reciclar as sobras de edições menos conseguidas, e aqui será difícil escolher uma específica, sobra-me alguma réstea de confiança no género humano em geral e nos homens da reciclagem em particular, sei que poderemos contar sempre com esses bravos, imagino-os a não levantar um dedo para evitar que Goethe seja deglutido pela máquina da reciclagem, mas, ai de nós!, ei-los que farão o que tem que ser feito e defenderão o que tem que ser defendido, ousasse alguém enviar as sobras das lendárias edições com as aquelas manas cantoras para a máquina da reciclagem, que aquilo é uma máquina, que ninguém ousa, que para essas sobras algum destino se há-de arranjar, quanto mais não seja distribuição gratuita com os livros da Leya, os dos cinco euros por três livros, que veriam o seu valor de mercado aumentar em flecha, sendo que o ávido leitor de Manuel Luis Goucha ou Vera Roquette, ambos editados pela Oficina do Livro, se veria compelido à aquisição, chama-se compra por impulso, mas, na verdade, o que eu queria mesmo dizer é que não estou nada confiante no Pedro Silva amanhã a titular, e isto é uma associação de ideias a que não é alheia a reciclagem de obras ruins.

15.3.10

A quatro mãos

Mais uma aterragem em Lisboa, mais uma vez ninguém à minha espera com o tal cartaz "Mister Visconde from Conde Village" (Visconde, essa sua obsessão revela uma infância desestruturada, com evidentes necessidades afectivas), caramba, até havia alguém à espera de um tal Mister Ibrahim (Visconde, parece-me vislumbrar uns laivos de xenofobia para com os indivíduos oriundos da península Arábica), a verdade é que nunca há ninguém à espera dos da tribo do avião das sete e dez (Visconde, isso não será uma tentativa de desvalorizar o facto, tentando justificá-lo com os danos colaterais de pertença a um grupo?), talvez esteja alguém com o tal cartaz à minha espera, na próxima aterragem (Visconde, esperança num futuro melhor? Hummm..., que é feito do seu proverbial e lendário cepticismo na humanidade?) , Horácio Inácio e se fosse para o caralho? (Certamente, Visconde, se é esse o seu desejo...).

14.3.10

Aquilo é roupa interior, não é?

O que me faz suspirar pelo fim do Inverno é que, previsivelmente, deixarei de me cruzar com mulheres que envergam leggins, esse fantástico retrocesso civilizacional, essa peça de vestuário feminino que a história registará como símbolo de um dos períodos mais negros da história da moda feminina, e eu já vi coisas muito más, nomeadamente, mas não só, vivi o auge das calças coleantes floridas e até mesmo as calças de ganga vermelhas, tudo isto males menores para a poluição visual da minha visão periférica, quando comparados com as leggins.

11.3.10

(Vou mudar para os Morangos Silvestres, Bergman sempre me apaziguou o espírito)

Está ali o Santana Lopes a ser entrevistado na SIC Notícias e já disse três coisas que mereceram a minha concordância.

(Não me tinha apercebido que o meu estado era tão periclitante.)

Adenda extremamente importante: Hoje de manhã tentei lembrar-me de, pelo menos, uma das coisas importantes que Pedro Santana Lopes ventilou e não retive nenhuma. Tudo normal, portanto.

10.3.10

Tio Lancastre

Aos domingos, o Tio Lancastre gostava que eu o acompanhasse a almoçar no Porto de Santa Maria, ali para os lados do Guincho, o Tio Lancastre gostava de conduzir o Jaguar pelas estradas sinuosas da Serra de Sintra enquanto decidíamos se encomendaríamos o robalo grelhado ou se optaríamos por uma garoupa que havíamos de repartir.

"As mulheres, meu rapaz, fazem de conta que preferem os maus rapazes, os de cabelo despenteado e sorriso rasgado, a pele com sabor a sal e hálito a gin" começava o Tio Lancastre. "Fazem de conta, meu rapaz, porque na verdade, na hora de escolher, acabam por se decidir pelos de casaco assertoado, que lhes seguram a porta, que as levam a casa e não forçam a subida, que colocam o guardanapo em cima dos joelhos e os talheres nas cinco e vinte e cinco depois de terminar a refeição".

Eu tentava explicar ao Tio Lancastre o que eu próprio sabia sobre o tema, que não era necessariamente assim, que, se o Tio Lancastre me permitisse discordar, eu teria todo o gosto em lhe expor os meus saberes, mas depois, e pensando bem, o peixe no Porto de Santa Maria sabia-me sempre melhor quando eu fazia de conta que concordava com o Tio Lancastre.

8.3.10

Dia Internacional da Mulher, by Horácio Inácio

A ver se, ao menos hoje, me lembro de baixar o tampo da sanita. Ou levantar, ou lá o que é...

Dia Internacional da Mulher, by Visconde de Vila do Conde

Hoje, como nos outros dias, havemos de lhes preparar um pequeno almoço com sumo de laranja e torradas feitas com pão alentejano acabado de cozer, havemos de as mimar, de as ouvir, de cozinhar para elas uns revueltos de espargos verdes com presunto pata negra, havemos de lhes ler ao ouvido as melhores passagens de Henry Miller, havemos de ir com elas às compras a Paris e não nos importarmos se elas compram sapatos, havemos de as amar ternamente, havemos de as seduzir, havemos de lhes oferecer músicas só porque sim, havemos de as levar a jantar ao Jockey, ali ao pé da Calle de Hermosilla, havemos de lhes acender a lareira e dançar com elas ao som da música que elas escolherem.

6.3.10

Das coisas que me oferecem e eu fico com elas

Eu nem comprei, ofereceram-me, nunca fui grande apreciador de versões, lembra-me sempre o Rui Reininho a cantar as Doce, maneiras que é complicado falar de um disco de versões, ainda para mais do Peter Gabriel, por isso posso afirmar com toda a certeza que eu não tencionava ouvir o disco do Peter Gabriel, em não comprando o disco e em não sabendo sacar coisas da net estaríamos conversados, só não me ocorreu que me tivessem ofertado o disco do Peter Gabriel e, antes que acontecesse o costume, que é eu trocar o que me oferecem, também, quem é que manda oferecerem-me versões menores das Variações Golberg, as pessoas pensam que aquilo é tudo igual, sejam as variações interpretadas pala Sinfónica de Berlim ou pela Philarmonia Slavonica, eu bem lhes digo que o preço aqui conta, quanto mais caro, melhor é a interpretação, já nos vinhos não se aplica esta regra, bem entendido, um bom Rioja Crianza, digamos um Gontés, que se compra por menos de dez euros, depois de vertido no decanter pessa pelo melhor Esporão e, com certas pessoas que se dá o caso de eu conviver, até se pode dizer que ali está um Pera manca ou um Cabeça de Burro, pois o bom amigo que me ofertou o disco do Peter Gabriel, sabendo desta minha tendência de trocar os discos, retirou-lhe o celofane antes que eu pudesse reagir, e aqui soube aproveitar o momento, eu agora nem reajo a nada, estou oficialmente em modo moço deixa lá isso, e colocou o disco e eu tive que ouvir com atenção, dá-se o caso de haver uma versão do Heroes, só é pena que não tenha o These Foolish Things, nem era pela música, é mais pelo Brian Ferry, se eu pudesse escolher ser outro homem, e não quero, havia de escolher o Brian Ferry, embora, sob um certo e determinado ponto de vista, o Di Caprio talvez não fosse má opção, pelo menos nesta fase Bar Refaeli, e aqui sei que vou perder parte da dignidade que me resta, mas hoje apetece-me deixar que o meu lado mais psicadélico veja a luz do dia, maneiras que o disco do Peter Gabriel é coisa para eu ouvir com atenção, embora o que é mais relevante, e é sempre a última ideia a ser desenvolvida que fica registada na mente das pessoas, o relevente, pela negativa, é que o Porto marcou dois golos enquanto eu escrevia este post e isso não é bom para ninguém.

Provavelmente, o próximo treinador do Porto.


4.3.10

Da série "E agora, algo completamente diferente"

Que me lembre, é a primeira vez que escrevo sob o efeito de níveis de fodibilidade extremos, a maior parte dos dias não há nada, mesmo nada, que me altere o nível de fodibilidade para valores acima de zero, perguntem a quem quiserem e toda a gente vos responderá "O Visconde? Não há nada que lhe altere os níveis de fodibilidade", isto dito num tom que varia entre uma leve compaixão pelo meu estado em que visualizo sempre o copo meio cheio, digamos, setenta por cento cheio, mesmo nos casos em que não há nada dentro do copo, e um tom de secreta admiração por eu conseguir que, em olhando bem, o copo que parecia, mas é que parecia mesmo, vazio, afinal, vendo de um determinado ângulo, do meu ângulo, está mesmo setenta por cento cheio e, em me apetecendo, até pode suceder que o copo acabe por transbordar, e parecia mesmo que estava vazio.

Acontece que, por rara conjugação astral, estou a escrever sob efeitos de fodibilidade extrema, só para ver o que acontece, por exemplo, quando o Sporting perde, eu evito escrever, fujo para a frente, um dia havemos de ganhar, a coisa acaba por me passar, baixa o nível do coeficiente de fodibilidade e eu volto à minha vidinha normal, trabalho-casa, casa-trabalho, mas a verdade é que uma sucessão de situações extremamente desagradáveis acontecidas ao longo da semana contribuiram para um aumento vertiginoso dos meus níveis de fodibilidade a tal ponto que parece que tudo me corre mal, logo a mim que não fui feito para que as coisas me corram mal, a verdade é que lido mal com estes cenários em que a coisa me corre mal dois dias seguidos, quanto mais uma semana inteira, isto com excepções, não me posso esquecer das excepções, embora, pesados os prós e os contras, a tendência seja claramente a meu desfavor, daí estas dores nas costas, esta taquicardia, esta vontade de mandar tudo para a puta que pariu, não me lixem, eu pareço que às vezes estou em estado semi-vegetativo, mas não, estou só a descansar os olhos e, em atingindo coeficientes de fodibilidade extremos, o que é o caso neste preciso momento, fico com a visão periférica mais nítida, desentorpece-me o cérebro e fico com os sentidos mais alerta, fico mais clarividente, passo a trabalhar em one-shot-mode, fico o resto da temporada a acertar no alvo à primeira e, claro, experimento novas sensações, afinal é por isso que estou aqui a escrever pela primeira vez na vida sob os nefastos efeitos dos indíces de fodibilidade extremos.

3.3.10

Hoje...

...era capaz de ser boa ideia, mensagem subliminar, e tal, prantar aqui um Requiem.

Mas afinal, não.

26.2.10

Podemos não ser muito bons a jogar à bola, mas em marketing somos enormes (e lá estarei...)


Da joga da bola de ontem

Lá fui a Alvalade ver aquilo, gosto sempre de números difíceis, de estar lá quando mais ninguém está, dá-se quase sempre o caso de quem não esteve ficar com pena de não ter estado e eu, que estive lá, fico sempre mais aconchegado por, lá está, ter estado lá.

Não vou falar no resultado nem da pretensa exibição de gala, que não foi, houve vezes em que estive lá e eles jogaram igualzinho a ontem, só não ganharam, isto de ganhar, parecendo que não, é importante, em se ganhando parece que tudo flui melhor, tende-se a esquecer o que não esteve bem e tudo é perfeitinho, e eu sei do que falo, como tenho alguma tendência para ir ganhando, parece que tudo sai bem, mas eu cá sei que não, que tenho cá as minhas imperfeições e as minhas fases menos boas, naturalmente, e aqui concordo com as pessoas em geral, são imperfeições bastante discretas, quase invisíveis a olho nu.

Mas, não falando da exibição de gala, o que me impressionou, tanto que até estou aqui a escrever sobre a problemática, foi a constatação de que Costinha será o próximo director técnico, seja lá o que isso for, o Pedro Barbosa foi isso e deu no que deu, o Sá Pinto foi isso e deu no que deu e o Salema Garção também foi isso e deu no que deu. Mas o que me impressionou foi vislumbrar o Costinha com um fato de bom corte, coisa para ser um Ermenegildo Zegna, mas em bom, quadrados brancos e pretos, a assentar-lhe perfeitamente, fato completo, até posso considerar que um blaser aos quadrados brancos e pretos é aceitável, eu próprio tenho um blaser com quadrados brancos e pretos, da marca Burberry, não me assentará tão bem como assenta o do Costinha, mas a verdade é que eu tenho um corpo diferente, com especificidades várias que tendem a que os fatos não me assentem na perfeição, dizia eu que os quadrados no blaser serão aceitáveis, agora o que é de todo de lamentar é quando os quadrados bracos e pretos se estendam às calças, o que, em conjunto com o casaco, origina o chamado fato completo aos quadrados brancos e pretos, e isto é um conjunto que não fica bem a ninguém, isto, naturalmente, se excluirmos a Teresa Ricou.

Do que eu sei de bola, e sei bastante, também sei de livros e músicas e vinhos e cozinha e, parecendo que não, também sei de mulheres, mas, do que eu sei de bola, e é disso que queria falar, sei que fatos de bom corte que assentam como tal e qual são absolutamente contraproducentes em directores desportivos, que se querem másculos, de bigode e de fato de treino, quer se desloquem ao centro comercial com as suas famílias ao sábado à tarde, quer se apresentem na academia de Alcochete no exercício das suas funções. Um director desportivo de fato aos quadrados brancos e pretos transtorna-me o sistema nervoso, já de si debilitado com certas e determinadas situações, pelo que não auguro um prazo de validade a Costinha, sportinguista desde pequenino, mas isso até eu sou, superior ao de Carvalhal e, caso me engane nesta minha arguta antevisão, cá estarei, não para fazer mea culpa, mas para apagar este post, que o blog é meu e não convém que se saiba que eu, às vezes, me engano.

24.2.10

Da resiliência



Da falta de consideração pelo Cliente...

Temos então que o Rock in Rio acontece ao mesmo tempo que o Mundial de Futebol na África do Sul, de onde infiro que quem organiza estas coisas pressupõe que eu tenho o dom da ubiquidade.

ADENDA: verifico, com gosto, que a organização do Rock in Rio tomou em consideração este meu desconforto e adiantou o evento para o mês de Maio, de forma a não colidir com o que eu tinha já agendado. Um enorme bem-haja.

22.2.10

Dos intrincados processos mentais

Este fim de semana, parece-me que sábado, em alegre tertúlia de amigos chegou ao meu conhecimento que Michael Jackson se finou, o que, parecendo que não, me é absolutamente indiferente, embora os meus amigos, alguns deles também bastante inteligentes, tenham ficado deveras assombrados com o meu aparente desfasamento com a realidade das coisas mundanas.

Atendendo ao facto de eu estar deveras bem disposto, de onde se infere que o Sporting ainda não tinha jogado, ou, melhor dizendo, ainda não tinha não jogado, agora o Sporting não joga, conforme verificarei in loco na próxima quinta-feira, com eu estava bem disposto, dizia eu, perdi algum tempo a explicar aos meus amigos o detalhe do meu processo mental e que, basicamente, consiste em olvidar tudo o que não me interessa no preciso momento em que tomo conhecimento de que, efectivamente, não me interessa e, note-se, sei muito bem que Leonard Cohen ainda não morreu, ao contrário de Jacques Brel e mesmo Edith Piaf, de onde se verifica que, na verdade, tenho um critério para me esquecer de coisas e reter outras.

E por hoje é só.

(o quê? também me devo referir a Freddy Mercury como "o falecido Freddy Mercury"? Caramba...)

21.2.10

Palavra do Senhor

Talvez fosse melhor escrever sobre o tempo, a chuva, o frio, e tal, toda a gente fala sobre o tempo, que não se pode com tanta chuva e, lá está, o frio, mas a verdade é que eu gosto mesmo do inverno, gosto mesmo de correr à chuva e de meter lenha, do sobreiro que caiu, na lareira, gosto mesmo de calçar botas, e o frio, caramba, se há coisa que eu gosto é de frio, por isso, por não estarem reunidas as condições óptimas para escrever sobre o frio que não se aguenta, sempre vos digo que entre os vinis que me couberam na herança, lá estava o Tubular Bells, lá meti o Tubular Bells a tocar no gira-discos, eu agora tenho um gira-discos, só para ouvir os vinis da herança, vai daí a Tubular Bells tem a música do Exorcista, vai daí apeteceu-me rever o Exorcista e o que eu queria mesmo partilhar com toda a população em geral é que não é bom ver o Exorcista depois do jantar, eu sempre fui um tipo sensível e aquelas cenas da miúda a vomitar-se toda é coisa que não lembra a ninguém.

20.2.10

Dos segredos

Desde que fingi que gostava de This Mortal Coil, só para impressionar uma mulher, prometi a mim mesmo que nunca mais fingiria ser o que não sou. Basicamente, foi este o meu momento de bloqueio emocional, lá longe, no início da adolescência.

(Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Visconde de Vila do Conde haveria de saber que nem sequer tinha sido necessário fingir que gostava de This Mortal Coil)

19.2.10

Pardon my french, mas...

...hoje foi um dia fodido.

(não há outra maneira de dizer isto)

18.2.10

Post número trezentos

Tenho então seguidores, que é coisa para me enternecer até à quinta casa decimal, caramba, eu, que nunca fui exemplo para ninguém, agora tenho seguidores, o que quer que isso seja, mas será bom com toda a certeza e, além do mais, inflama-me o ego, como se isso ainda fosse possível.

Um bem-haja a todos, obrigado por serem meus seguidores e, se querem uma informação útil, usem-na como entenderem, saibam que nem eu próprio me seguiria...

Da bola

O problema do Sporting é o Caicedo, que se tivesse marcado os três golos que falhou de baliza aberta, todos eles aos noventa e sete minutos de jogo, todos eles teriam dado pontos ao Sporting, vai daí o Caicedo conseguiu falhar onde nem eu falharia, e se eu sou tipo de falhar golos de baliza escancarada, mas afinal o Caicedo sai do Sporting e no primeiro jogo que faz pelo Málaga, finta cinco jogadores e faz um golo que é o terceiro melhor da jornada, isto a bem dizer não quer dizer nada, afinal o melhor da jornada é um golo do Simão Sabrosa de livre directo, uma ode ao dejá vu, mas a verdade é que pelo Sporting o Caicedo nem o vigésimo sétimo melhor golo da jornada foi capaz de fazer, pela simples razão que não fez golo nenhum, pelo contrário, o problema do Sporting é que eles saem de Alvalade e parece que aprendem a jogar à bola, ponham os olhos no Varela e vejam se não é a pura das verdades o que eu digo.

17.2.10

Das viagens

Foto: Visconde de Vila do Conde

Porque foi num mês de Fevereiro que aconteceu a primeira manifestação popular a reivindicar melhor ambiente, era o tempo em que os minerais eram calcinados ao ar livre e o enxofre corria livre. Morreram cem pessoas. 1888 ficou para sempre "o ano dos tiros" nas minas de Rio Tinto.

16.2.10

Da organização de heranças

Foto: Visconde de Vila do Conde

Dos Goya

Eu teria escolhido o Yo, También, a verdade é que ando um sentimentalão, quando eu escolho o Yo, También para ganhar os Goya está tudo perdido, mas a verdade é que para mim era mesmo o Yo, También que devia limpar aquilo, apeteceu-me fazer como aquele maluco nos MTV e ir ao palco dizer que está mal, que o mundo assim fica pior, ainda para mais, já não bastava a ministra da cultura ir vestida daquela maneira, está certo que ainda gastava meias solas, escusava era de ir assim vestida, mas enfim, o Celda 211 também não está mal, embora eu preferisse o Yo, También, não sei se já tinha dito.

13.2.10

Das viagens

Até ontem qualquer pessoa poderia dizer "Sim, o Visconde, e tal, mas a verdade é que nunca foi a Gibraltar...".

Até ontem.

11.2.10

Tio Lancastre

"Deseja então saber o que me fascina nas mulheres?", perguntou-me o Tio Lancastre enquanto me conduzia para a sua biblioteca, mão firme por cima do meu ombro, segurando-me a porta para eu entrar, servindo-se de uma cálice de Henessys, acendendo lentamente um Partagas nº 1, um charuto que só fumava quando se preparava para partilhar os seus saberes.

E explicou-me longamante que as mulheres perdem demasiado tempo a treinar os olhares fatais, a escolher roupas, a preocupar-se em ensaiar os gestos para que lhes saiam cuidadosamente descuidados, acreditam que os homens reparam nos cabelos ou no decote ou nas pernas bem torneadas ou em tudo ao mesmo tempo. Na verdade - continuou o meu Tio Lancastre, o que fascina numa mulher é o "factor WOW!". Quando uma mulher se prepara para o primeiro encontro ou para uma entrevista de trabalho ou para jantar fora preocupa-se com o acessório e esquece o essencial, o "factor WOW!", afinal o único parâmetro que os homens a sério valorizam.


E explicou-me detalhadamente o que é o "factor WOW!".

Escrevi "caralho" num post. Aposto que o Visconde não perdoa...

Há qualquer coisa de mágico em mandar para o caralho um jantar de gala, aposto que teria um Porto de Honra, num restaurante da moda e canapés que certamente incluirão patês variados e tâmaras com bacon e apertos de mão a senhoras a cheirar a Chanel nº 5 e sentar-me na mesa de gente que me pergunta "se me pode dar uma palavra" e três copos diferentes e conversa sobre "o mercado", há qualquer coisa de mágico em mandar tudo para o caralho e bater-me com uns filetes de polvo com arroz de feijão aqui na Ribeira, acompanhado por um fino Super Bock, sozinho, eu e o Douro e o tipo da tasca, que Deus lhe perdoe, tinha o emblema do Fócuporto tatuado no pulso.

9.2.10

Isto agora é meu, aqui não se vai falar de vinhos nem de Tios Lancastre, isto agora é mais bola e gajas

O Senhor Visconde diria "Pardon my French" antes de blasfemar, mas o Senhor Visconde foi ali tratar de umas situações deveras complicadas, maneiras que quem está aqui a tomar conta disto sou eu e eu não sou de dizer "pardon my french" antes de mandar o João Pereira para um certo e determinado sítio, mais propriamente para uma parte do corpo da mãe dele.

Das coisas que têm que ser

Por motivos de linha editorial, este espaço ficará temporariamente entregue a Horácio Inácio.

7.2.10

Da felicidade

Hoje, por unanimidade familiar, herdei para cima de mil livros, centenas de discos de vinil e a velha máquina fotográfica do meu Tio de Paris.

Onde quer que ele esteja, sei que gostaria que fosse assim.

Então é isto?...

Talvez fosse dos meus olhos, mas pareceu-me que o Avatar é uma mistura do Terminator com o Jurassic Park, com um suave toque de Rei Leão e da Procissão de Velas de Fátima, com uma piscadela de olho ao Exorcista, tudo isto com a mensagem do Wall-E e um final em que o herói fica azul. Como no Titanic.

6.2.10

Das rotinas que às vezes nos tramam

A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois.

4.2.10

Dos dias de chuva

O tempo que demoro a chegar ao Porto mede-se pela Tosca de Puccini, em havendo trânsito na segunda circular já se sabe que não chego à rotunda dos produtos estrela antes da parte em que Tosca descobre que Scarpia faltou ao acordado, traiu para além da sua própria morte, essa parte faz-me marejar os olhos, toda a gente sabe que sou uma alma sensível, perguntem a quem quiserem, e eu, de olhos marejados, custa-me a ver a estrada e não ver a estrada é desagradável, principalmente se se vai a conduzir, de maneira que opto sempre por fazer a última parte do percurso em rotação alta, é mais seguro e ganham todos em geral, hoje distaí-me a olhar pelo retrovisor, tinha chovido e fazia sol, havia um arco-iris a perseguir-me, as pessoas normais vão atrás do arco-iris, só a mim é que me acontece fugir do arco-iris mais do pote de ouro, e estava eu a pensar nesta problemática quando dou por mim já em plena ponte do Freixo, as coisas são mesmo assim, uma pessoa distrai-se e depois nem se apercebe que já chegou ao destino e, desta vez, nem me apercebi que a Tosca já se tinha atirado pelas muralhas abaixo para ir ajustar contas com o Scarpia, lá no reino dos infernos, e isto quer dizer que eu deixo que se acabe a Tosca antes de chegar ao Porto, parecendo que não é uma maçada, porque acabei por deduzir que conduzo mais devagar em havendo chuva, o que é capaz de ser sinal de maturidade.

2.2.10

Às vezes...

...acho que sou do Sporting só para ter alguma coisa que me aborreça na vida.

Dos desterramotos

E lá chegámos então a Fevereiro, que é o mês em que realmente as coisas acontecem, sempre me dei bem com o mês de Fevereiro, pensando bem, também não tenho nada a dizer do mês de Dezembro ou Junho, ou mesmo todos os meses do ano, mas dá-se o caso de estarmos em Fevereiro e isso é que interessa, os meus balanços fazem-se em Fevereiro, a vida ensinou-me, do pouco que me ensinou, que no primeiro de Janeiro há sempre demasiadas pontas soltas, demasiada poeira no ar para tomar decisões ao mesmo tempo que se comem passas, de onde que Fevereiro é que é, ainda neste Janeiro tive um desterramoto na alma, um desterramoto é assim a modos que um terramoto ao contrário, um desterramoto é quando tudo o que tinha ficado em cacos, e é bom quando a alma fica em cacos, volta ao que sempre foi, é como se alguém carregasse no rewind e andasse tudo para trás, mas isso foi em Janeiro, já é só uma luzinha lá ao fundo, virá o dia em que a luzinha se apaga mesmo e aí não há volta a dar, mas, por enquanto, ainda é como nas televisões antigas, eu sou do tempo das televisões antigas e do tempo em que o Damas ainda jogava à nossa baliza, mas, dizia eu, nas televisões antigas carregava-se no botão de desligar e ficava o tal pontinho de luz por uns segundos, e, quem diria, hoje é o dia mundial da zonas húmidas.

31.1.10

Dos posts que parecem confusos, mas não

O meu pai mandava-me ao ar e depois agarrava-me, agarrava-me sempre, eu sabia que ele me agarraria sempre, sei que vem desse tempo este meu saber que, ainda que pareça que estou a cair no vazio, há sempre uma mão que me vai agarrar, é sempre assim, por isso é que eu posso arriscar sempre tudo no preto, parece que vai sair vermelho mas, no último instante, acaba por sair o preto.

O melhor de eu saber que havia sempre uma mão que havia de me agarrar é que podia ocupar o meu tempo de queda a elaborar mirabolantes planos bê, cê e mesmo dê, imaginava os rapazinhos que não tinham um pai que os agarrasse quando os atiravam ao ar, como resolveriam eles o problema, eu nunca precisava de os usar os meus planos alternativos, sabia que nunca precisaria de os usar, afinal o meu pai agarrava-me sempre quando me mandava ao ar, por isso os meus planos alternativos imaginários podiam ser os mais mirabolantes, os mais espantosos, os mais elaborados, com explosões e poeira no ar, no fim, eu havia de sair em triplo mortal encarpado, e a verdade, verdadinha é que agora esses planos bê, cê e mesmo dê são uma grande ajuda, quando tudo falha, que não falha, parece que falha mas não, no fim é só sacudir a poeira e ajeitar o nó da gravata, toda a gente sabe que os nós de gravata têm uma certa tendência a ficar desajeitados depois de um triplo encarpado.

30.1.10

Maneiras que hoje esta era a mensagem

A verdade é que eu, no género "tipo que as senhoras velhinhas apreciam deveras" sou praticamente imbatível, é ver-me sentadinho no meu lugar seis à, tenho contrato vitalício para me sentar no lugar seis à, e, em se aproximando uma senhora velhinha, mira-me com o seu olhar tipo "jovem rapaz auxilie-me aqui com estas malas que transportam chumbo", eu dobro o El Pais, retiro o i-Pod dos ouvidos e pergunto delicadamente minha senhora, posso ajudá-la?, e a senhora velhinha diz que sim, e eu rearrumo o que já está na bagageira e, aqui é que está o momento crítico do processo, sorrio, e eu, em sorrindo, dá-se o caso de as senhoras velhinhas entenderem o meu sorriso como querendo dizer "apreciaria deveras a sua companhia durante a viagem, minha senhora", sorriem também e, apesar de serem as felizes possuidoras de uma reserva para a fila vinte e dois, sentam-se, não no lugar seis cê, mas no lugar seis bê e eu, ai de mim, escuto interessadamente a história do netinho mais velho, que estuda nisso dos computadores, mais a história do falecido, que bom homem era o falecido, reparem, o Criador podia ter-me reservado uma boa performance no género "tipo por quem as indivíduas extremamente parecidas com a Uma Thurman simpatizam" e, nesse caso, convidar-me-iam para suas casas, abririam um Collares de Setenta e Quatro, provavelmente um Viúva Gomes, e, enquanto eu as servisse delicadamente, com parcimónia, elas haviam de me interromper o gesto e proporcionar-me uma violenta sessão de sexo, mas não mais de três minutos, que as coisas são como são e não como nós as imaginamos.

28.1.10

Eu, jogador de póquer...

...não poderia deixar de assinalar que hoje se celebra o Dia Europeu da Protecção de Dados.

25.1.10

E também preciso de um gira-discos, herdei uns vinis.

Do que eu precisava mesmo era de um mapa daqueles grandes, em vez das ruas havia de ter as coisas cá da minha vidinha, e um círculo vermelho que me dissesse "Você está aqui".

Isso é que era.

24.1.10

(Still loving you)

A verdade é que já dancei ao som dos Spandau Ballet, já tive singles dos Alphaville e do Gazebo e dos Human League, comprados por mim, de livre vontade, caramba, quem diria que tinha tanta margem de progressão, agora ele é Haydn, ele é Liszt, e ainda não cheguei à idade de me preocupar com isso da próstata, sabe-se lá o que estarei a ouvir daqui a dez anos, mas a verdade é que ele há dias em que fico mais sensível, caramba, eu ainda sou do tempo em que eles dominavam o Top Mais, o Klaus Meine mais o Rudolf Schenker, uma semana a seguir à outra, via-se o Top Mais só para saber quem tinha ficado em segundo e agora fazem-me isto, ao fim de quase duzentos anos de carreira, resolvem acabar assim, sem um aviso prévio, ao menos podiam fazer como os Delfins, sempre doía menos.

23.1.10

Da absoluta necessidade de identificar a problemática da situação

Na maioria dos dias, posso usar este blog para aquilo que ele foi criado, para me divertir. No entanto, há alturas em que o que acontece à minha volta, os problemas do mundo, me tocam de tal forma que me vejo na necessidade premente de não calar mais a dor, de deixar que a revolta se liberte, de não ser apenas mais um a assistir às notícias à hora do jantar e a virar a cara para o lado, fazendo de conta que não é comigo. Há alturas em que o horror, o choque e a confrontação com os males do mundo me exacerbam o sentido cívico e a necessidade de exercer a cidadania, não calando o que me vai a alma e contribuindo, enfim, com uma acção válida para uma outra visão, um pequeno contributo para a luz.

Como já certamente se percebeu, estou a falar da problemática do Sá Pinto e do Liedson, e o que mais me faz pensar que o mundo está podre é que todos se tenham focado no confronto físico. O problema, a essência da questão, é que um verdadeiro líder jamais pode beliscar a imagem de alguém da sua equipa, jamais pode apontar publicamente um erro depois de ele ter acontecido. E este é que é o choque, é imaginar Sá Pinto no banco a desancar em Rui Patrício.

Qualquer pessoa que saiba os mínimos sobre a ciência de liderar de homens (ou, mais difícil ainda, liderar mulheres) sabe isto. Sá Pinto, não sabia. E isto é que me atormenta.

Era só, ide em paz. Já desabafei.

22.1.10

Da amizade

Ultrapassada a última etapa de troca de presentes de Natal, verifico que não recebi nem Dan Brown nem Rodrigues dos Santos.

São estes pequenos nadas que provam que tenho uns amigos fantásticos.

Já é dia vinte e dois de Janeiro...

... e o mais longe que estive de casa foram quatrocentos quilómetros. Acho que estou a abichanar.

20.1.10

Da minha triste vida

As pessoas que me conhecem, e aqui não me refiro a quem me conhece mais ou menos, isso até eu me conheço mais ou menos, sabem bem que eu tenho uma poltrona onde me refastelo todo o santo dia, embrulhado num edredão, daqueles com forro de flanela, às flores, acho que são girassóis, ou então são papoilas, para mim é tudo flores, eu caí no caldeirão da felicidade quando era pequenino e agora não preciso de tomar nada, só vejo flores e das cor-de-rosa, estou eu sentadinho na poltrona e o edredão a cobrir-me todo, nem uma pontinha fica de fora, e, note-se, no meu caso particular nem seria coisa de espantar que ficassem pontas de fora, eu enroscadinho, com uma lâmpada daquelas de descer às grutas, eu sei que devia dizer um "frontal, do género dos utilizados para a prática de espeleologia", mas a temática do post desaconselha que eu utilize aqui os meus vastíssimos conhecimentos da ciência dos desportos radicais, isto é um post sobre um homem que está sentado numa poltrona debaixo de um edredão, por isso lá estou eu, edredão por cima de mim abaixo, lâmpada acesa para ler os meus livros de histórias de amor com finais felizes, que aquilo debaixo de edredão, parecendo que não, é escuro, só quem passa o dia debaixo de um edredão é que sabe como aquilo é escuro, eu ainda uso um frontal para alumiar, mas outros há que não pensaram nesta solução engenhosa, tudo aquilo é silêncio, é da natureza dos interiores de edredão ser silenciosos, eu só saio da poltrona quando ouço as vozes, aí levanto-me da poltrona, sempre debaixo do edredão, braços levantados aos céus, mãos a tapar os ouvidos, não me perguntem como é que se faz isto, e desato a correr pela casa, aos gritos de "oh não, as vozes voltaram, outra vez as vozes!", o problema é que acabo sempre por chocar com os móveis, é o que dá não sair de debaixo do edredão.

18.1.10

E tudo isto descobri sozinho, sem ajudas

Vai daí, um homem passa a vida a fazer-se forte, isto vem já do tempo das cavernas, ou dos descobrimentos, dá igual, um homem saía de manhã e caçava um bisonte ou um ptelossauro, estavam os bisontes, ou os ptelossauros, dá igual, a beber calminhos na bordinha do rio e um homem disparava a flecha, ou a lança, dá igual, o bicho desfalecia logo ali, e, em chegando a casa, um homem contava que o bicho se tinha virado, que os animais feridos são assim mesmo, e os gritos de dor do animal eram tão altos que veio a família toda dos ptelossauros, mais a dos bronquioliticosauros, que são aparentados, e nisto da dor é um toca a reunir, somos uns para os outros, e ela, todo o santo dia no aconchego da caverna, está bem que tinha deitado abaixo umas árvores durante a manhã, para acender a fogueira, está bem que espantou uma onça que entrou na caverna, está bem que teve que ir buscar água ao rio, fintando os crocodilos ou os jacarés, dá igual, mas ela olhava para ele, piedosa, e gabava-lhe a coragem, sim senhores, belo bisonte, vai descansar, toma lá as chinelas, eu vou já depenar o bicho, não te incomodes, não tarda nada está na mesa, que coragem, que fortuna a minha.

Vai daí, um homem passa a vida a fazer-se de forte, só para se armar. O problema é que um dia um homem apercebe-se que elas preferem os sofridos, os dos dilemas, os que pedem colo, caramba, os que choram.

Passei todo o dia a pensar nisto

Mas porque razão é que um homem vai querer umas cuecas iguais às do Cristiano Ronaldo?...

17.1.10

(Era só para dizer que estou a reler Dostoievski)



Ontem...

...um rapaz com uns vinte e tal anos, que me deve alguns favores, aproximou-se, tocou-me no braço respeitosamente, disse-me "há quanto tempo Senhor Visconde!...", eu respondi "rapaz, que tal vão esses ossos?" e o rapaz, fazendo aproximar uma rapariga também com uns vinte e tal anos, disse-me "Gostava de lhe apresentar a minha senhora", e disse "Gostava de lhe apresentar a minha senhora" com ar sério, sem se rir.

Não sei o que pensar disto.

15.1.10

Em memória

Se eu tivesse mesmo um Tio Lancastre, havia de ser como o meu Tio de Paris, sempre impecavelmente vestido fosse qual fosse a ocasião, sempre pronto a ter uma interminável conversa sobre vinhos, sempre tão conhecedor que conseguiu a impossibilidade estatística de, nas primeiras cinco vezes que estive em Paris, não tivesse repetido nenhuma rua, nenhum museu, nenhum lugar.

Se eu tivesse mesmo um Tio Lancastre, havia de ser assim, como o meu Tio de Paris, um homem que viajou mais do que aquilo que eu jamais viajarei, que comprava arte a artistas de rua, que lia desenfreadamente, que me ensinou a saber cozinhar iguarias de qua nunca tinha ouvido falar antes e a nunca desprezar a importância da qualidade dos ingredientes e que, sempre elegante, foi um lutador. Até hoje.

14.1.10

Para memória futura

Nunca mais almoçar no restaurante da Casa da Música.

(nem jantar)

12.1.10

Tio Lancastre

Lembro-me perfeitamente do semblante carregado do Tio Lancastre quendo me ouviu comentar com o meu primo Benoliel de Faghundes que a Ruth Marlene tinha cobrado apenas oitocentos euros para posar para uma revista de reconhecido interesse público. O Tio Lancastre, com o seu ar grave e sério, chamou-me de lado e recomendou-me que estivesse dentro de dois minutos no seu escritório. Naturalmente, obedeci.

Já no escritório, rodeados de madeiras nobres e primeiras edições de livros raros, o Tio Lancastre acendeu demoradamente o seu Partagas nº1, e fez sinal ao fiel Ezequiel para que servisse dois copos de conhaque, mostrando, com a distância entre o seu indicador e polegar na posição horizontal, a quantidade que me deveria ser servida. Depois, sentou-se tranquilamente na sua poltrona e indicou-me uma cadeira baixa para eu me sentar, sempre que me queria explicar algo que achava que eu já tinha idade para saber, indicava-me uma cadeira baixa, colocando-me num plano inferior ao da sua magnífica poltrona de couro, que pertencia à família há catorze gerações e meia.

E explicou-me longamente o Tio Lancastre que a Ruth Marlene poderia até ter pago do seu próprio bolso (embora não fosse evidente nas fotos, o Tio Lancastre fez-me notar que a Ruth Marlene, em condições normais, tem bolsos), poderia ter pago dos seu bolso, continuou o Tio Lancastre, os custos de produção da reportagem fotográfica e, ainda assim, teria um retorno bastante aceitável, uma vez que o cachet extra que passará a cobrar por cada espectáculo, a melhoria do contrato com a sua representante, a visibilidade que terá a partir da saída da magnífica reportagem, com a agenda preenchida em espectáculos pelo Verão fora, mais o circuito da emigração, fará com toda a certeza aumentar o pecúlio da jovem.

Eu fiquei a matutar, é da minha natureza matutar, e fiquei a pensar que o Tio Lancastre sempre foi capaz de ver para além do óbvio.

Promessas...

Diz que as enfermeiras vão queimar as fardas...

11.1.10

Era isto, ou então falava do tempo.

De tudo o que me aborrece na vida, pudesse eu escolher apenas um aborrecimento, unzinho, e havia de eleger como aborrecimento-mor as mensagens da victoria miles a dizer que agradecemos a sua mensagem que merecerá a nossa melhor atenção, contactaremos o mais breve possível, com os melhores cumprimentos, a Equipa do Programa Victoria.

Reparem, mais do que aborrecer-me ser apenas mais um na longa lista de penitentes do Victoria Miles, ser apenas um número, eu, o Visconde de Vila do Conde, mereço exactamente o mesmo tratamento que pessoas comuns, o que em entristece é ter que enviar justificativos das minhas viagens, quando a coisa certa seria eu ter uma passadeira vermelha em cada aeroporto por onde passo, powered by Victoria Miles, os senhores da Star Alliance haviam de contratar alguém cuja função seria estender-me a tal passadeira vermelha, alguém que estivesse às sete da manhã no aeroporto de Lisboa a servir-me chá com scones quentes, aqueles tipos da ANA ou lá o que é, que dançaram no Natal, quero-as a fazer uma coreografia só para mim, havia de se chamar Visconde Dance, um clássico, haviam de desenvolver uma metodologia para me ler a íris ainda na segunda circular e creditar-me automaticamente as milhas em classe executiva, sem eu ter que me aborrecer, ou alguém por mim, a bem dizer não andei eu a matar-me com tantos estudos para depois ter que perder o meu tempo a enviar comprovativos das milhas, mas, em resumo, a coisa havia de se dar assim, haja algum respeito por quem ainda voa sem ser em low-cost.

Da partilha

Derivado da situação de um homem se propor escrever, cito, um post bonitinho, a puxar ao sentimento, emotivo, e tal, fim de citação, houve alguém lá em cima, se é que me faço entender, nunca faço, a minha vida corre bem em quase tudo, graças a deus, excepto no capítulo que concerne à questão de me fazer entender, que não gostou da ideia e que, antevendo um post com borboletas saltitantes e nuvens fofinhas ou mesmo um tratado sobre a questão dos peitos, digo sempre peitos, acho que me dá um toque de excentricidade, da Ruth Marlene, caramba, os meus conhecimentos sobre não-assuntos chegam ao pormenor de saber que se escreve Ruth e não Rute, mas então sucedeu que o todo-poderoso terá ficado pouco contente com a ameaça da exposição pública da minha veia poetico-sentimental e, todo-poderoso que é, apagou da minha memória a palavra-chave que me abre as portas deste antro e eu, orgulhoso que sou, não quis perguntar a quem sabe e, vai daí, deitei-me a adivinhar e, por tentativa-erro lá cheguei à palavra certa, pelo menos uma vez na vida fui capaz da palavra certa, e cá está, bastou digitar a palavra tydfdredad e cá estou de novo com capacidade para escrever o que me vai na alma, e agora poderíamos perder algum tempo sobre os motivos que me levaram a escolher tydfdredad como palavra-passe, mas se calhar, é melhor não irmos por aí, já me basta querer ir por aí quando a conjuntura do momento me aconselha a não ir por aí, maneiras que o que eu queria dizer é que estariam reunidas as condições para poder escrever o tal post fofinho, mas deu-se o caso de, entretanto, a minha apetência para posts fofinhos ter ficado severamente prejudicada, maneiras que fica apenas uma lição deste episódio, que as circunstâncias terem uma tal volatilidade que, querendo eu escrever um post fofinho, não estavam reunidas as condições técnicas e, estando reunidas as condições técncicas, já não estão reunidas as condições espirituais para escritos que se enquadrem na categoria de fofinho. E isto, a bem dizer, é uma lição de vida.

4.1.10

Hummm...

(olhando para as últimas produções, quer-me parecer que é capaz de estar na hora de escrever um post bonitinho, a puxar ao sentimento, emotivo, e tal...)
Depois de umas curtas e merecidas férias, o dia é passado a receber pessoas, todas elas com assuntos extremamente urgentes, todas elas a requerer a minha colaboração inteligente e extremamente decisiva para que as coisas aconteçam da melhor forma para todos em geral e para quem não se quer atravessar um bocadinho em particular.

Maneiras que industriei a minha fiel secretária na nobre missão de seleccionar para minha análise apenas uma em cada vinte solicitações.

Sinto-me um bocadinho Willy Wonka.

3.1.10

Allegro ma non troppo

Corre, não fraquejes agora, a vizinha norueguesa está no jardim, estás na visão periférica dela, levanta a cabeça, corre, agora acena ao tipo do trezentos e dezasseis, ainda ontem fez dois abaixo do par, não pares, deseja-lhe um bom dia com voz firme e com fôlego, olha, agora vem na tua direcção a da casa azul, dizem que sabe tudo o que há a saber sobre pintura, cumprimenta-a, não pares, mantém-te direito, não olhes para trás, agora não podes parar, está o casal de velhotes suiços a passear o cão, dizem que usam a piscina todo o ano, são bem capazes disso, não pares, cumprimenta só, o cão gosta de ti, todos os cães gostam de ti, embora tu só gostes dos cães grandes, corre, não pares, agora é a miúda do Volvo que te pergunta se o ano foi bom, não pares, diz que sim, obrigado, parece que estão todos na rua, não podes parar, olha, estás a chegar a casa, a cadela está a saltar-te para o peito, podes parar, deita-te no chão, põe Keith Jarrett, Keith Jarrett é bom para recuperar o fôlego, podes parar finalmente, talvez não devesses ter comido tanto estes dias, meu rapaz.

Tio Lancastre

Quando faltava um minuto para terminar o ano, o Tio Lancastre escapava-se para o jardim, copo de conhaque na mão, sentava-se na velha poltrona que estava por baixo da sacada, estendia as pernas, cruzava os pés e acendia o seu Cohiba. Depois, enquanto dentro de casa todos se abraçavam e desejavam um bom ano, o Tio Lancastre sorria, tranquilo, e puxava doze baforadas do Cohiba, contava-nos que era a sua interpretação da tradição das doze passas, nunca lhe perguntei se pedia desejos, apostaria que não, que o Tio Lancastre não era homem de desejar, era dos que fazia acontecer e pronto.

Também comecei este ano de charuto na mão, lá fora, à chuva, enquanto segurava um copo na mão que ergui numa saúde imaginária à memória do Tio Lancastre.

2.1.10

Este ano voltei a não comer passas

E, ainda assim, estou certo que todos os meus desejos se vão realizar, mesmo aqueles que eu só vou desejar lá mais para o final do ano, mesmo aqueles que ainda não sei que são desejos, isto de desejar é mesmo assim, a coisa vai fluindo, ora agora não desejo, afinal, bem vistas as coisas, até desejava, pronto, não se fala mais nisso, a situação ascendeu à categoria de desejo.

E eu, em desejando, a coisa acaba por se dar, o problema é se eu não desejar, desejar mesmo a sério, porque, se eu desejar, a coisa dá-se, qualquer que seja o ano, e não será dois mil e dez a estragar-me as estatísticas.