26.2.10

Podemos não ser muito bons a jogar à bola, mas em marketing somos enormes (e lá estarei...)


Da joga da bola de ontem

Lá fui a Alvalade ver aquilo, gosto sempre de números difíceis, de estar lá quando mais ninguém está, dá-se quase sempre o caso de quem não esteve ficar com pena de não ter estado e eu, que estive lá, fico sempre mais aconchegado por, lá está, ter estado lá.

Não vou falar no resultado nem da pretensa exibição de gala, que não foi, houve vezes em que estive lá e eles jogaram igualzinho a ontem, só não ganharam, isto de ganhar, parecendo que não, é importante, em se ganhando parece que tudo flui melhor, tende-se a esquecer o que não esteve bem e tudo é perfeitinho, e eu sei do que falo, como tenho alguma tendência para ir ganhando, parece que tudo sai bem, mas eu cá sei que não, que tenho cá as minhas imperfeições e as minhas fases menos boas, naturalmente, e aqui concordo com as pessoas em geral, são imperfeições bastante discretas, quase invisíveis a olho nu.

Mas, não falando da exibição de gala, o que me impressionou, tanto que até estou aqui a escrever sobre a problemática, foi a constatação de que Costinha será o próximo director técnico, seja lá o que isso for, o Pedro Barbosa foi isso e deu no que deu, o Sá Pinto foi isso e deu no que deu e o Salema Garção também foi isso e deu no que deu. Mas o que me impressionou foi vislumbrar o Costinha com um fato de bom corte, coisa para ser um Ermenegildo Zegna, mas em bom, quadrados brancos e pretos, a assentar-lhe perfeitamente, fato completo, até posso considerar que um blaser aos quadrados brancos e pretos é aceitável, eu próprio tenho um blaser com quadrados brancos e pretos, da marca Burberry, não me assentará tão bem como assenta o do Costinha, mas a verdade é que eu tenho um corpo diferente, com especificidades várias que tendem a que os fatos não me assentem na perfeição, dizia eu que os quadrados no blaser serão aceitáveis, agora o que é de todo de lamentar é quando os quadrados bracos e pretos se estendam às calças, o que, em conjunto com o casaco, origina o chamado fato completo aos quadrados brancos e pretos, e isto é um conjunto que não fica bem a ninguém, isto, naturalmente, se excluirmos a Teresa Ricou.

Do que eu sei de bola, e sei bastante, também sei de livros e músicas e vinhos e cozinha e, parecendo que não, também sei de mulheres, mas, do que eu sei de bola, e é disso que queria falar, sei que fatos de bom corte que assentam como tal e qual são absolutamente contraproducentes em directores desportivos, que se querem másculos, de bigode e de fato de treino, quer se desloquem ao centro comercial com as suas famílias ao sábado à tarde, quer se apresentem na academia de Alcochete no exercício das suas funções. Um director desportivo de fato aos quadrados brancos e pretos transtorna-me o sistema nervoso, já de si debilitado com certas e determinadas situações, pelo que não auguro um prazo de validade a Costinha, sportinguista desde pequenino, mas isso até eu sou, superior ao de Carvalhal e, caso me engane nesta minha arguta antevisão, cá estarei, não para fazer mea culpa, mas para apagar este post, que o blog é meu e não convém que se saiba que eu, às vezes, me engano.

24.2.10

Da resiliência



Da falta de consideração pelo Cliente...

Temos então que o Rock in Rio acontece ao mesmo tempo que o Mundial de Futebol na África do Sul, de onde infiro que quem organiza estas coisas pressupõe que eu tenho o dom da ubiquidade.

ADENDA: verifico, com gosto, que a organização do Rock in Rio tomou em consideração este meu desconforto e adiantou o evento para o mês de Maio, de forma a não colidir com o que eu tinha já agendado. Um enorme bem-haja.

22.2.10

Dos intrincados processos mentais

Este fim de semana, parece-me que sábado, em alegre tertúlia de amigos chegou ao meu conhecimento que Michael Jackson se finou, o que, parecendo que não, me é absolutamente indiferente, embora os meus amigos, alguns deles também bastante inteligentes, tenham ficado deveras assombrados com o meu aparente desfasamento com a realidade das coisas mundanas.

Atendendo ao facto de eu estar deveras bem disposto, de onde se infere que o Sporting ainda não tinha jogado, ou, melhor dizendo, ainda não tinha não jogado, agora o Sporting não joga, conforme verificarei in loco na próxima quinta-feira, com eu estava bem disposto, dizia eu, perdi algum tempo a explicar aos meus amigos o detalhe do meu processo mental e que, basicamente, consiste em olvidar tudo o que não me interessa no preciso momento em que tomo conhecimento de que, efectivamente, não me interessa e, note-se, sei muito bem que Leonard Cohen ainda não morreu, ao contrário de Jacques Brel e mesmo Edith Piaf, de onde se verifica que, na verdade, tenho um critério para me esquecer de coisas e reter outras.

E por hoje é só.

(o quê? também me devo referir a Freddy Mercury como "o falecido Freddy Mercury"? Caramba...)

21.2.10

Palavra do Senhor

Talvez fosse melhor escrever sobre o tempo, a chuva, o frio, e tal, toda a gente fala sobre o tempo, que não se pode com tanta chuva e, lá está, o frio, mas a verdade é que eu gosto mesmo do inverno, gosto mesmo de correr à chuva e de meter lenha, do sobreiro que caiu, na lareira, gosto mesmo de calçar botas, e o frio, caramba, se há coisa que eu gosto é de frio, por isso, por não estarem reunidas as condições óptimas para escrever sobre o frio que não se aguenta, sempre vos digo que entre os vinis que me couberam na herança, lá estava o Tubular Bells, lá meti o Tubular Bells a tocar no gira-discos, eu agora tenho um gira-discos, só para ouvir os vinis da herança, vai daí a Tubular Bells tem a música do Exorcista, vai daí apeteceu-me rever o Exorcista e o que eu queria mesmo partilhar com toda a população em geral é que não é bom ver o Exorcista depois do jantar, eu sempre fui um tipo sensível e aquelas cenas da miúda a vomitar-se toda é coisa que não lembra a ninguém.

20.2.10

Dos segredos

Desde que fingi que gostava de This Mortal Coil, só para impressionar uma mulher, prometi a mim mesmo que nunca mais fingiria ser o que não sou. Basicamente, foi este o meu momento de bloqueio emocional, lá longe, no início da adolescência.

(Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Visconde de Vila do Conde haveria de saber que nem sequer tinha sido necessário fingir que gostava de This Mortal Coil)

19.2.10

Pardon my french, mas...

...hoje foi um dia fodido.

(não há outra maneira de dizer isto)

18.2.10

Post número trezentos

Tenho então seguidores, que é coisa para me enternecer até à quinta casa decimal, caramba, eu, que nunca fui exemplo para ninguém, agora tenho seguidores, o que quer que isso seja, mas será bom com toda a certeza e, além do mais, inflama-me o ego, como se isso ainda fosse possível.

Um bem-haja a todos, obrigado por serem meus seguidores e, se querem uma informação útil, usem-na como entenderem, saibam que nem eu próprio me seguiria...

Da bola

O problema do Sporting é o Caicedo, que se tivesse marcado os três golos que falhou de baliza aberta, todos eles aos noventa e sete minutos de jogo, todos eles teriam dado pontos ao Sporting, vai daí o Caicedo conseguiu falhar onde nem eu falharia, e se eu sou tipo de falhar golos de baliza escancarada, mas afinal o Caicedo sai do Sporting e no primeiro jogo que faz pelo Málaga, finta cinco jogadores e faz um golo que é o terceiro melhor da jornada, isto a bem dizer não quer dizer nada, afinal o melhor da jornada é um golo do Simão Sabrosa de livre directo, uma ode ao dejá vu, mas a verdade é que pelo Sporting o Caicedo nem o vigésimo sétimo melhor golo da jornada foi capaz de fazer, pela simples razão que não fez golo nenhum, pelo contrário, o problema do Sporting é que eles saem de Alvalade e parece que aprendem a jogar à bola, ponham os olhos no Varela e vejam se não é a pura das verdades o que eu digo.

17.2.10

Das viagens

Foto: Visconde de Vila do Conde

Porque foi num mês de Fevereiro que aconteceu a primeira manifestação popular a reivindicar melhor ambiente, era o tempo em que os minerais eram calcinados ao ar livre e o enxofre corria livre. Morreram cem pessoas. 1888 ficou para sempre "o ano dos tiros" nas minas de Rio Tinto.

16.2.10

Da organização de heranças

Foto: Visconde de Vila do Conde

Dos Goya

Eu teria escolhido o Yo, También, a verdade é que ando um sentimentalão, quando eu escolho o Yo, También para ganhar os Goya está tudo perdido, mas a verdade é que para mim era mesmo o Yo, También que devia limpar aquilo, apeteceu-me fazer como aquele maluco nos MTV e ir ao palco dizer que está mal, que o mundo assim fica pior, ainda para mais, já não bastava a ministra da cultura ir vestida daquela maneira, está certo que ainda gastava meias solas, escusava era de ir assim vestida, mas enfim, o Celda 211 também não está mal, embora eu preferisse o Yo, También, não sei se já tinha dito.

13.2.10

Das viagens

Até ontem qualquer pessoa poderia dizer "Sim, o Visconde, e tal, mas a verdade é que nunca foi a Gibraltar...".

Até ontem.

11.2.10

Tio Lancastre

"Deseja então saber o que me fascina nas mulheres?", perguntou-me o Tio Lancastre enquanto me conduzia para a sua biblioteca, mão firme por cima do meu ombro, segurando-me a porta para eu entrar, servindo-se de uma cálice de Henessys, acendendo lentamente um Partagas nº 1, um charuto que só fumava quando se preparava para partilhar os seus saberes.

E explicou-me longamante que as mulheres perdem demasiado tempo a treinar os olhares fatais, a escolher roupas, a preocupar-se em ensaiar os gestos para que lhes saiam cuidadosamente descuidados, acreditam que os homens reparam nos cabelos ou no decote ou nas pernas bem torneadas ou em tudo ao mesmo tempo. Na verdade - continuou o meu Tio Lancastre, o que fascina numa mulher é o "factor WOW!". Quando uma mulher se prepara para o primeiro encontro ou para uma entrevista de trabalho ou para jantar fora preocupa-se com o acessório e esquece o essencial, o "factor WOW!", afinal o único parâmetro que os homens a sério valorizam.


E explicou-me detalhadamente o que é o "factor WOW!".

Escrevi "caralho" num post. Aposto que o Visconde não perdoa...

Há qualquer coisa de mágico em mandar para o caralho um jantar de gala, aposto que teria um Porto de Honra, num restaurante da moda e canapés que certamente incluirão patês variados e tâmaras com bacon e apertos de mão a senhoras a cheirar a Chanel nº 5 e sentar-me na mesa de gente que me pergunta "se me pode dar uma palavra" e três copos diferentes e conversa sobre "o mercado", há qualquer coisa de mágico em mandar tudo para o caralho e bater-me com uns filetes de polvo com arroz de feijão aqui na Ribeira, acompanhado por um fino Super Bock, sozinho, eu e o Douro e o tipo da tasca, que Deus lhe perdoe, tinha o emblema do Fócuporto tatuado no pulso.

9.2.10

Isto agora é meu, aqui não se vai falar de vinhos nem de Tios Lancastre, isto agora é mais bola e gajas

O Senhor Visconde diria "Pardon my French" antes de blasfemar, mas o Senhor Visconde foi ali tratar de umas situações deveras complicadas, maneiras que quem está aqui a tomar conta disto sou eu e eu não sou de dizer "pardon my french" antes de mandar o João Pereira para um certo e determinado sítio, mais propriamente para uma parte do corpo da mãe dele.

Das coisas que têm que ser

Por motivos de linha editorial, este espaço ficará temporariamente entregue a Horácio Inácio.

7.2.10

Da felicidade

Hoje, por unanimidade familiar, herdei para cima de mil livros, centenas de discos de vinil e a velha máquina fotográfica do meu Tio de Paris.

Onde quer que ele esteja, sei que gostaria que fosse assim.

Então é isto?...

Talvez fosse dos meus olhos, mas pareceu-me que o Avatar é uma mistura do Terminator com o Jurassic Park, com um suave toque de Rei Leão e da Procissão de Velas de Fátima, com uma piscadela de olho ao Exorcista, tudo isto com a mensagem do Wall-E e um final em que o herói fica azul. Como no Titanic.

6.2.10

Das rotinas que às vezes nos tramam

A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois. A Iberia sai sempre do Terminal Quatro, a TAP é que sai do Terminal Dois.

4.2.10

Dos dias de chuva

O tempo que demoro a chegar ao Porto mede-se pela Tosca de Puccini, em havendo trânsito na segunda circular já se sabe que não chego à rotunda dos produtos estrela antes da parte em que Tosca descobre que Scarpia faltou ao acordado, traiu para além da sua própria morte, essa parte faz-me marejar os olhos, toda a gente sabe que sou uma alma sensível, perguntem a quem quiserem, e eu, de olhos marejados, custa-me a ver a estrada e não ver a estrada é desagradável, principalmente se se vai a conduzir, de maneira que opto sempre por fazer a última parte do percurso em rotação alta, é mais seguro e ganham todos em geral, hoje distaí-me a olhar pelo retrovisor, tinha chovido e fazia sol, havia um arco-iris a perseguir-me, as pessoas normais vão atrás do arco-iris, só a mim é que me acontece fugir do arco-iris mais do pote de ouro, e estava eu a pensar nesta problemática quando dou por mim já em plena ponte do Freixo, as coisas são mesmo assim, uma pessoa distrai-se e depois nem se apercebe que já chegou ao destino e, desta vez, nem me apercebi que a Tosca já se tinha atirado pelas muralhas abaixo para ir ajustar contas com o Scarpia, lá no reino dos infernos, e isto quer dizer que eu deixo que se acabe a Tosca antes de chegar ao Porto, parecendo que não é uma maçada, porque acabei por deduzir que conduzo mais devagar em havendo chuva, o que é capaz de ser sinal de maturidade.

2.2.10

Às vezes...

...acho que sou do Sporting só para ter alguma coisa que me aborreça na vida.

Dos desterramotos

E lá chegámos então a Fevereiro, que é o mês em que realmente as coisas acontecem, sempre me dei bem com o mês de Fevereiro, pensando bem, também não tenho nada a dizer do mês de Dezembro ou Junho, ou mesmo todos os meses do ano, mas dá-se o caso de estarmos em Fevereiro e isso é que interessa, os meus balanços fazem-se em Fevereiro, a vida ensinou-me, do pouco que me ensinou, que no primeiro de Janeiro há sempre demasiadas pontas soltas, demasiada poeira no ar para tomar decisões ao mesmo tempo que se comem passas, de onde que Fevereiro é que é, ainda neste Janeiro tive um desterramoto na alma, um desterramoto é assim a modos que um terramoto ao contrário, um desterramoto é quando tudo o que tinha ficado em cacos, e é bom quando a alma fica em cacos, volta ao que sempre foi, é como se alguém carregasse no rewind e andasse tudo para trás, mas isso foi em Janeiro, já é só uma luzinha lá ao fundo, virá o dia em que a luzinha se apaga mesmo e aí não há volta a dar, mas, por enquanto, ainda é como nas televisões antigas, eu sou do tempo das televisões antigas e do tempo em que o Damas ainda jogava à nossa baliza, mas, dizia eu, nas televisões antigas carregava-se no botão de desligar e ficava o tal pontinho de luz por uns segundos, e, quem diria, hoje é o dia mundial da zonas húmidas.