30.12.11

Definitivamente 2012 começa mal

A Super-Bock vai ser substituída pela Coca-Cola no countdown das três televisões.

29.12.11

Tenho a certeza...

..que, a seguir ao Natal, os tipos dos centros comerciais aproximam ainda mais os dois pilaretes à entrada das escadas rolantes.

27.12.11

Até ontem...

...eu acreditava que os tipos da publicidade da Coca-Cola eram jeitosinhos, embora ficassem atrás dos tipos da publicidade da Absolut e muito longe dos tipos da publicidade da Super-Bock.

Mas, valha-me Deus, esta publicidade da felicidade, ou lá o que é, valha-me Deus...

Londres

Durante muitos anos o meu limiar de dor, tensão e desespero foi assistir a um Benfica-Sporting resolvido a penalties, em que um dos nossos falhava o decisivo penalti.

Aprendi entretanto que acompanhar uma adolescente a um centro comercial, em dia de pré-saldos e troca de presentes, alegremente munida de vales de compras para utilizar em lojas de roupa, é o meu novo paradigma de sofrimento.

23.12.11

Post de Natal

Descobri hoje duas coisas, quase na mesma janela temporal, uma relativa ao facto de a viatura em que me deslocarei nos próximos dois anos, uma carrinha, estou naquela idade em que me assentam bem as carrinhas, o que quer dizer que estou demasiado velho para ter um Mini e ainda não cheguei à idade em que adquirirei um Porsche, corta a potência quando se alcança a marca de duzentos e cinquenta quilómetros por hora (*), uma maçada, diz que com os Mercedes é a mesma coisa, fraco consolo, e como são duas coisas que descobri, falta enunciar a segunda e a segunda coisa é que há colunas de som debaixo do banco do condutor, o que proporciona um efeito divertido quando se ouve Bruce Springsteen, eu ando a ver se ainda aprecio Bruce Springsteen para decidir se vou ao Rock in Rio (**), aquilo nos graves do Born in USA a bombar no sub-woofer debaixo do banco faz um efeito trepidante na parte tanzaniana do meu corpo, o que é divertido até certo ponto, bem entendido, faltará dizer que as coisas são como são, há que tempos que eu não conjugava esta sequência de palavras "as-coisas-são-como-são" (***).

(* ah, seu monstro, isso são lá velocidades a que se ande na estrada? (Calma, eram duas da manhã e foi nas descidas de Fátima, tranquilos, em sendo Fátima está tudo abençoado...))


(** Já não há bilhetes para esse dia, palhaço! (Calma, estamos a falar de mim, não há memória de não ter ido a um sítio onde realmente quisesse ir por falta de bilhetes para a coisa...))


(*** Olha, a mandar recadinhos no blog... (As coisas são como são...))

20.12.11

(a ver se ainda consigo aqui escrever sobre bola)

Primeiro foi o passamento para o outro mundo de Amália e até a Radar passou músicas da diva até à exaustão.

Agora partiu Cesária para a vida eterna e não há rádio que não passe mornas até à náusea.

Quase desejo o falecimento dos Gotan Project.

16.12.11

Balanço

Este ano houve Dublin e Monte Carlo para ver a bola. Houve Chamonix no Verão e Rio de Janeiro no Inverno. Houve Marraqueche e Cannes. Houve Cinqueterre. Voltou a apetecer-me escrever neste blog e soube-me bem deixar de encher chouriços duas vezes por dia num outro. Mudei de carro por duas vezes.  Fiz duas mudanças de casa para o mesmo amigo. Continuei a não gostar de gin tónico. Comecei a ler Ulysses e sei que será um projecto que durará pelo menos mais um ano. Não fui a nenhum casamento, mas fui a mais que um divórcio. O Sporting jogou mal até ao Verão e joga razoavelmente desde o fim do Verão. Conheci pessoas novas e não foi mau. Prometi nunca mais ir ver cinema numa sala Lusomundo e voltei a comprar discos de vinil. Não aderi ao acordo ortográfico e voltei a estudar. Abracei dois amigos numa cama de hospital e despedi-me para sempre de um deles.

Este ano não foi definitivamente um bom ano.

Descoberta de ontem

É infinitamente mais poderoso fazer de Pai Natal para duzentas criancinhas menos afortunadas do que apresentar gráficos com correlações entre Brent e Dólar para duzentos tipos com gravatas Prada.

11.12.11

Associações


Que se cruzem no meu caminho...

... as de má vida, as que me ganham ao xadrez, as que falam demais, as menos bonitas, as desvairadas, as que dizem "é assim" e "tipo", as do Benfica, as que confundem Manet e Monet, as louras de raízes pretas, as dos comprimidos para dormir, as que falam dez decibeis acima da minha zona de audição de conforto, as dos Blackberry, as que não gostam de vinho.

Mas poupem-me às sonsas.

7.12.11

Breve contributo para um mundo melhor

Se as mulheres fizessem as compras de Natal no dia em que decidem começar a fazer dieta (30 de Junho) e se iniciassem as dietas quando decidem fazer as compras de Natal (20 de Dezembro), o mundo delas perfeito.

4.12.11

Se me aparecesse um génio da lâmpada e eu tivesse só um desejo...

..eu havia de desejar "snipers" nas salas de cinema, cuidadosamente dissimulados entre as colunas de som, o olhar felino cuidadosamente preparado para detectar comedores de pipocas, bastava vislumbrá-los a trespassar a porta de entrada e logo afinavam a mira telescópica da UZI israelita, "one shot", centenas de pipocas doces a saltar, misturadas com pedaços de mãos esfaceladas dos prevaricadores, depois haveria os especialistas em eliminar tipos que atendem telemóveis, estes haviam de se equipar com revólver Colt, são melhores para acertar nas têmporas, o balázio havia de se alojar a meio da rara massa encefálica, um ligeiro fio de sangue seco a escorrer pelas patilhas, o olhar vítreo e os braços abandonados ao longo do corpo ainda a segurar o telemóvel, o amigo a berrar do outro lado "Tou, Tó-Zé, tou?..." seriam as únicas evidências da situação, finalmente os especialistas em tipos que comentam as cenas dos filmes, estes haviam de ter um detector de vibrações por ultra-sons que não deixaria escapar o mais leve murmurar, seriam complacentes, o feixe laser na testa do atrevido seria uma espécie de aviso único, à segunda prevaricação, uma Kalashnikov de canos serrados faria o que havia a fazer, milésimos de segundo depois a bala entraria pela boca aberta do sarraceno e havia de sair pela nuca, pulverizando toda a superfície acima do paralelo do pescoço, de forma a que o receptor da conversa intuísse que aqueles vestígios de cérebro do emissor seria o sinal de fim de conversa.

Um homem percebe que já não caminha para novo...

...quando regressa da festa da émeoitenta a pensar que aquilo não foi assim tão tenebroso como isso.

30.11.11

Momentos de Ouro com Hoegaarden

Esta é a mesa de jogo em que já fui feliz. Várias vezes. Nesta mesa já se jogou poker com óculos escuros, coisa séria, fumo na sala, no fim ficou do meu lado o suficiente para patrocinar um jantar num restaurante com estrelas Michelin.

(caramba, isto é viciante...)
Foto: Visconde de Vila do Conde

29.11.11

Momentos de Ouro com Hoegaarden

Estes são os meus livros, a fonte dos meus saberes. Nas noites de insónia abro um deles ao acaso e fico a saber tudo o que interessa sobre o Rei Herodes ou sobre Heraclito. São uns bons livros, fiáveis, imponentes e impressionantes, apesar de terem sido ganhos numa noite de poker.

(ah, se eu tivesse um blog cor de rosa, o potencial que anda por ai...)

Foto: Visconde de Vila do Conde

27.11.11

Tio Lancastre

"A problemática, meu rapaz" - começou o Tio Lancastre, enquanto aquecia o balão que havia de projectar o aroma do Hennessy, "é que elas não se preparam para a coisa correr mal, vem-lhes do excesso de visualização de telenovelas, a igreja atapetada de rosas brancas, dia de sol lá fora, o padre que pergunta lentamente, Bernardo de Vasconcellos e Sousa Lumbrales aceita Cátia Vanessa Silva, as coisas são como são, nas novelas os ricos podem escolher as cabeleireiras, para sua esposa, protegê-la na saúde e na doença, pára a imagem, close-up da lágrima furtiva que cai cara abaixo da mãe da noiva, câmara que se volta a focar no ar grave do padre, todos os dias da vossa vida?, pára de novo a imagem, foco na amiga de Bernardo que sorri enigmaticamente, câmara focada no rosto expectante da Cátia Vanessa que aguarda o sim, pára a imagem de novo, câmara detém-se agora em Ruben Micael que acaba de entrar afogueado na igreja, há tensão no ar, alguns amigos de Bernardo fulminam Ruben Micael com olhares de forcado, foco de novo em Bernardo, que respira fundo, sorri, e acaba por dizer Sim, aceito, câmara foca em primeiro plano o suspiro aliviado da mãe da noiva, Ruben Micael sai pelo seu próprio pé, é como te digo, meu rapaz, elas não se preparam para que a coisa corra mal, ninguém as treina para reparar que a amiga de Bernardo ainda não tirou o tal sorriso enigmático".

Vai ser preciso muito mais...

...para me convencer a sintonizar a Rádio Amália.

22.11.11

Chá de menta

Foto: Visconde de Vila do Conde

18.11.11

Disso do simbolo químico da água, ou lá o que é

Sei qual é a capital do Liechtenstein, quem realizou "Laranja Mecânica", quem escreveu "Doutor Jivago", quem foi o segundo homem a pisar a lua, quem inventou o Walkman, quem disse "os nossos clientes podem escolher a cor do carro que quiserem, desde que seja preto", sei que me espanta que a grande maioria dos mais novos com quem falo não saiba quase nada do que são os meus saberes e também sei que me espanta ainda mais eu saber tão pouco dos saberes deles.

(e também sei quem disse "nunca me esqueço de uma uma cara, principalmente se já me sentei em cima dela")

13.11.11

Não esperes muito de mim

Sou só um tipo que gosta de pegar na bicicleta ainda o sol não nasceu, só para ir tomar café e ler o jornal do dia, cão preto a correr ao meu lado, eu gosto de falar com cães, vê lá como são as coisas, depois regresso e visto o meu fato às riscas, pagam-me para vestir fatos às riscas, logo a mim que falo com cães e também falo com os mais velhos que, à hora do meu café em sossego, já vão na segunda aguardente do dia, esta é caseira, amigo!, sou só um tipo que gosta de pensar que os vinhos têm que ligar com a comida, ainda ontem assei castanhas na lareira e vi um filme a preto e branco e abri um porto vintage que liga bem com chocolate amargo, não esperes muito de mim, sou só um tipo que gosta de ir a sítios onde os outros não gostam de ir, depois é meter-me pelas ruas que não são as mais largas e deixar-me ir ficando, há sempre alguém que virá perguntar porque raio é que eu estou ali e não estou nas ruas largas, sou só um tipo que se delicia com pianos que tocam em discos de vinil a acompanhar petiscos feitos por mim.

Não esperes muito de mim, portanto.

30.10.11

Domingos

Gostava que aquilo do Duarte Lima tivesse sido com outro tipo qualquer, afinal o Duarte Lima criou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, lembro-me do concerto para angariação de fundos, o maestro José Cura a cantar a "Feiticeira" em dueto com o Luís Represas, afinal o Duarte Lima deu a conhecer o Domingos António, está bem que não estamos a falar de um pianista de topo, mas sempre tem aquela história de menino pobre que tocava piano em imaginárias teclas na mesa, afinal o Duarte Lima impulsionou o banco de dadores de medula, se aquilo do Duarte Lima foi efectivamente com o Duarte Lima, é coisa para me aborrecer.

24.10.11

Post programado para sair a seguir ao jogo da bola que eu fui ver hoje à noite, espero que tudo corra conforme as escrituras

Durante muito tempo, o Sporting era a única coisa que me corria mal na vida, era assim como o tipo a quem nada corria bem na vida, a mulher tinha fugido com o melhor amigo, tinha sido despedido do trabalho e os filhos andavam na droga, o tipo decidiu comprar uns sapatos três números abaixo do dele só para ter um prazer na vida que era chegar a casa e descalçar os sapatos, eu era assim mas ao contrário, as coisas corriam-me bem mas eu insistia em ir a Alvalade, só para sofrer, era assim uma coisa em certo, com que se podia contar, isto de não ter definitivamente nada que o aborreça é uma maçada, um homem fica sem referências.

22.10.11

Carvalho Meneses

Há cinco anos o Carvalho Meneses vestia fatos às riscas, usava gravatas italianas e usava botões de punho, eu próprio perguntava coisas ao Carvalho Meneses e as pessoas do Carvalho Meneses faziam o que o Carvalho Meneses dizia, isto porque, bem entendido, o Carvalho Meneses dizia coisas acertadas.

Um dia veio uma depressão ou um esgotamento ou lá o que foi, não percebo muito destas coisas e, ao mesmo tempo, a mulher do Carvalho Meneses saiu de casa, na verdade não sei se a depressão do Carvalho Meneses veio por causa disso da mulher ou se a mulher se foi por causa da depressão.

O Carvalho Meneses começou a ter que se governar à base de comprimidos que lhe faziam tremer as mãos, ficavam-lhes as frases a meio, diz que isto das depressões é mesmo assim, apesar de se esquecer de coisas o Carvalho Meneses não se esquecia de me tratar pelo nome, se calhar era por eu nunca ter tido pena do Carvalho Meneses nem fazer de conta que tinha coisas muito urgentes para fazer quando o Carvalho Meneses se chegava à máquina do café.

Ontem, estava eu na fila da churrasqueira, isto toca a todos, e a mão do Carvalho Meneses tocou-me no ombro e eu dei um abraço ao Carvalho Meneses e fiquei mesmo contente por o ver e estivemos ali à conversa e eu percebi quase tudo o que o Carvalho Meneses me dizia, apesar de o Carvalho Meneses falar com  voz arrastada e me dizer que se vai andando, eu não gosto muito que me digam que se vai andando, mas o Carvalho de Meneses pode, afinal ainda há cinco anos me explicava coisas.

O que mais me custou não foi o Carvalho Meneses cheirar a mijo e ter o casaco cheio de caspa e ter os sapatos com pó. O que me tocou mesmo fundo foi o Carvalho Meneses ter encomendado só meio frango assado.

19.10.11

Tio Lancastre

"O que gostava de lhe dizer, meu caro" começou o Tio Lancastre com a voz grave das grandes ocasiões, enquanto indicava ao fiel Sebastião que servisse duas flutes de Don Perignon gelado, "é que pode escolher as que não têm rostos simétricos, as que não têm os dentes alinhados, as que não têm um índice de massa corporal razoável, as que são sensíveis ao efeito da força de gravidade, as que não têm a certeza do copo em que lhes servirão o vinho. Mas, meu caro, por quem é, não escolha nunca uma que beije de olhos abertos".

18.10.11

E agora isto é um Baby-Blog (II)

E falamos do projecto do mais novo, a realização de um filme para a disciplina de "não sei quê cívica".

Nas primeiras cenas, Jesus Cristo converte-se ao Budismo, explica-me ele numa linguagem vagamente Montypytoniana.

Pedi-lhe para não me contar mais nada.

17.10.11

E agora isto é um baby-blog (I)

Os meus filhos trocam mensagens com toda a gente, menos comigo.

Resolvi falar sobre o tema, implorando-lhes inclusão.

Afinal não é nada pessoal, o meu problema é que não sou "Extravaganza".

15.10.11

Isto da crise...

... não é senão uma cabala que o Universo, na sua infinita sabedoria, idealizou para acabar de vez com os fashion-blogs, mai-las roupinhas da Zara e as pulseirinhas da H&M, tudo a combinar com os sapatinhos da Berska, novinhos em folha e comprados aos pares, um de cada cor.

14.10.11

Sim, havia uma luz ao fundo do túnel

...era o comboio em sentido contrário.

(ena, dois posts no mesmo dia, já quase me esquecia de como se faz...)

Se eu tivesse um blog cor-de-rosa (IV)

A Fitch baixou a avaliação do UBS de A+ para A? Não há memória de um Outubro com tanto calor? Os Okupas de Wall Street estão prestes a ser expulsos? Ninguém quer o Yannick Djaló?


Who cares? Afinal de contas o Barca Velha de 95 mantem a taxa de IVA intermédia!

13.10.11

Quase Vila Nova de Tazém

Na medida inversamente proporcional ao meu martírio com as películas, em que é aposta certa que o meu próximo filme será o pior que vi na vida, numa clara demonstração de que existe equilíbrio no universo, o meu campeonato dos livros só me dá alegrias, o último que leio é quase sempre dos melhores que li na vida, certamente haverá aqui muito da minha capacidade de depuração nas escolhas do que leio, com o tempo desenvolvi um processo de selecção que me permite perceber se um livro é bom depois de ler as duas primeiras páginas, em caso de dúvida ainda abro uma página ao calhas lá para meio do livro e logo vejo se merece a pena correr o risco, a verdade é que me penitencio por só agora, chegado a esta idade em que me faltam vinte anos para me começar a preocupar com a próstata, só agora, dizia eu, me ocorreu ler o "Sinais de Fogo", quando digo que me penitencio quero mesmo dizer que me vou auto-flagelar, vou reçomeçar a leitura de "Ulysses", é justa penitência por ter preterido durante tantos anos Jorge de Sena, ele ali na prateleira e eu a escolher coisas menores, dois volumes ao lado.

12.10.11

Do jogo da bola de ontem

Faltou-nos abrir espaços onde eles aparentemente não existiam.

(Qualquer bom amante sabe como fazê-lo)

10.10.11

Era só um jantar no Rio

A sério que sim, a ideia era ficar só ali pela Zona Sul, um mergulho em São Conrado, a praia da rapaziada da Rocinha, o que é sinal de segurança total, talvez uma picanha na Gávea, no limite um pé de samba num dos bares da Lapa, afinal era só um fim de semana no Rio.

Mas não, houve o velho Regis, taxista compositor de samba, uma daquelas pessoas que ri com a cabeça inclinada para trás, desafiador implacável do trânsito, uma mão no celular, outra no som do cêdê, "eu que fiz este samba meu irmão, é um samba p'ra minha mulhé, ela ficou doida...", mais som, "não sei quê na nossa cama, quero você otra veiz", imagino a alegria da senhora Régis, ter um samba dedicado a sair pela janela do táxi do marido e a misturar-se com os trinta graus de Ipanema não é para todas, chope Brahma, a senhora Régis já desfilou no Carnaval, só pintada, "um corpão, meu irmão", pode ser que a música do velho Régis tenha ganho a final na noite passada e tenha sido a escolhida para o Carnaval da escola de samba, "era bom, meu irmão, essa grana faiz falta para horas de voo para a minha minina, cê já viu? pilota de avião filha de taxista?", espero bem, Régis, rio enquanto ele me conta que foi "num Pai de Santo, mil reais para afastar o namorado da minha minina, o probema é que o cara é mais rico que eu e já me falaram que pagou dois mil reais a outro Pai de Santo, aí eu vou primeiro...".

Era só um jantar no Rio, a sério que sim.

6.10.11

Praticamente Rio

Mão amiga (conhecida, vá...) fez-me chegar à mão (à caixa de mail, vá...) os princípio disso de ser retrossexual, diz que Paga sempre a conta, mesmo que ela insista muito (Checked, custa um dinheirão, mas as coisas são como são), que Enfrenta os desafios todos, desde ladrões em casa a pneus furados (Checked, não há mês em que não fure um pneu de bicicleta, que são muito mais difíceis de mudar que os dos carro),  que Demora muito até dar conta que está a viver um relacionamento (Checked, nota mental : verificar que raio será isso de "relacionamento"), que É sempre ele que põe a mão na massa em dias de festa lá em casa e trata do churrasco (Checked, até porque o tipo que trata do churrasco não tem que falar com as amigas da mulher, bebe mais cerveja que toda a gente e fica sempre com os melhores pedaços da picanha), que Nunca é visto no banco do pendura num automóvel (Checked, era só o que faltava...) que Só chora quando o cão morre ou quando o clube perde (Checked, e mesmo assim, só se o cão for grande e o clube que nos ganha for o Benfica), que Deve possuir uma mala de ferramentas, mesmo que não a use (Checked, inclui cabos de bateria, compressor de ar e cabos de reboque no carro para o que der e vier), que Nunca vai ao médico, nem que esteja gravemente doente (Checked. E nem sequer tomo comprimidos. E supositórios está fora de questão. E exame à próstata é coisa que não me assiste), que Tem sempre uma cicatriz de um acidente com uma história mirabolante (Checked. Cicatriz no lábio inferior por ter levado com um barco nos queixos enquanto me preparava para lastrar antes de mergulhar num dia de mar feio, cicatriz num joelho por ter ficado sem menisco porque o sacana do esqui não saltou) e, finalmente, que Nunca se senta num bar (Checked. Num bar controla-se o ambiente. De pé. Com um copo de Jameson 18 anos na mão. Aliás, nem sabia que havia bancos nos bares).

5.10.11

Quase Rio

Ontem disseram-me que eu era um retrossexual e que isso era bom e tinha aceitação, que os metrossexuais estavam absoluta e definitivamente fora de moda e que retrossexual é que era, ainda argumentei que se calhar não, retrossexual, assim à primeira audição, pareceu-me um neologismo para homossexual mas em passivo, e eu, não desfazendo, não sou apreciador.

Em tendo tempo, terei que averiguar o que é isso do metrossexual.

4.10.11

Não sei quê Paris

Dentro do campeonato "pior filme que vi na vida" há um outro campeonato, o de "pior filme de Woody Allen que vi na vida", enquanto no primeiro campeonato eu consigo equilibrar as perdas, visualizando Bergman em dêvêdê por entre as películas que vão estreando, já com o campeonato segundo a coisa ocorre de maneira diferente, derivado da minha opção de achar que Woody Allen só resulta no cinema só visualizo os filmes à medida que vão estreando, o que torna a espiral de decadência incontrolável.

Neste último, o "não sei quê Paris", para além de ter passado parte do tempo todo a olhar para a actriz loura e a achar que não coincidiam as formas com as das últimas fotografias que eu memorizei da Scarlett Johansson, só lá para meio do filme é que realizei que o orçamento só deu para a Rachel MacAdams, uma espécie de Scarlett Johansson mas em mais barato, passei outro tanto do tempo a pensar qual seria a cidade a patrocinar a próxima fita de Woody Allen e diverti-me a pensar que a Costa de Caparica, não sei se repararam que eu sei que se diz Costa de e não Costa da, bem podia candidatar-se, a receita é fácil, uns pescadores a chegar com robalos a saltar nas redes à praia de São João e depois uma trama sofisticada, a descoberta que Pessoa foi feliz na Parque de Campismo do Inatel, coisas desse nível, um filme para as pessoas se distraírem, que é o que precisamos todos, derivado disto da troika e do aumento do IVA e dessas coisas.

(e tenho para mim que se o tipo da barba, o que sabia tudo, é um tipo dos que agora lhes chamam SMILF, isto é a gente a conversar, está claro...)

29.9.11

Se eu tivesse um blog cor de rosa (III)

O Brent subiu na última meia hora? A Euribor a um mês sobe há quatro dias seguidos? A Sharapova teve que abandonar o torneio de Tóquio por causa do tornozelo? Vai chover no Rio de Janeiro para a semana?

Who cares? Afinal de contas logo à noite vou ver o Sporting-Lazio!

27.9.11

Se eu tivesse um blog cor de rosa (II)

Estou a ver o jogo do Benfica no hotel. Aborreço-me de morte. Vou correr meia hora e depois vou jantar uma francesinha. Talvez tome chá, nunca se sabe.

(se eu tivesse um blog cor de rosa este post tinha vinte comentários, haveria quem batesse palminhas por ser tão inteligente que descobriu que estou no Porto, haveria quem manifestasse solidariedade com o meu aborrecimento e dissesse que "já me senti assim", haveria quem se focasse na solidão que é passar tanto tempo em hotéis, haveria quem se lembrasse da odisseia dos 21 kms de domingo passado e me aconselhasse só dez minutos a passo, haveria quem me dissesse que "lol, corrida e francesinha é fatal" e, finalmente, haveria quem não deixasse passar a suave dúvida da última frase)

26.9.11

Se eu tivesse um blog cor-de-rosa (I)

Há uma tribo que vê os programas dos prémios do cinema mas não quer saber dos prémios do cinema, interessa-se pelos maus vestidos das estrelas que vão aos programas de prémios de cinema, há uma tribo que vê os programas de gente fechada em casas mas não quer saber de gente fechada em casas, interessa-se pela voz esganiçada das apresentadoras de programas de gente fechada em casas, há uma tribo que lê blogs de pessoas que gostam de escrever sobre gatinhos fofinhos e roupinha baratinha mas não gostam de gatinhos e roupinhas, só lá está para dizer (outra vez) que não gosta de gatinhos fofinhos e roupinha baratinha, há uma tribo que não perde pitada da história da fulana dos blogs que manda recadinhos no blog para a cicrana dos blogs mas não sabe de nada, só lá está para perguntar o que se passa, que tem andado fora disso dos blogs.

25.9.11

Para o ano é que é..

Resolvo apanhar o autocarro como toda a gente, afinal estou aqui pelo convívio, apanho uma carga de nervos porque nos misturam a nós, os da Meia, com os outros, os da Mini, atletas musculados, pura fibra,  prestes a cavalgar vinte e um garbosos quilómetros misturados com rabos alimentados a comida rápida, saberá o Criador como conseguirão arrastar-se os seis quilómetros de martírio que têm pela frente, chegamos à ponte, os portentos de músculo seguem pelo corredor da direita, uma grade de ferro separa-nos da tribo dos badochas, eh lá, que é isto? um tipo careca e de bigode com uma t-shirt a dizer "Auto Jacinto" e uma senhora de idade posicionam-se junto da minha pessoa, tento explicar-lhes que o lugar deles é do outro lado dos ferros mas eles indicam-me o dorsal Banif, o dos da meia, distinto do dorsal EDP-Segafredo, o dorsal dos outros, aliás, têm uma t-shirt técnica como a minha, com buraquinhos no material de fibras têxteis sintéticas de alta tecnologia por onde há-de transpirar este corpo são, talvez não tenham sido os únicos que aproveitaram a inscrição de um amigo que ficou doente, os do outro lado têm t-shirts com o mesmo desenho, mas de algodão, reparo que temos todos sapatos desportivos caros, a dizer "gel" e "tecno", vamos a isto, começa a corrida, um quilómetro e ainda não consigo correr, há demasiada gente à minha frente, não sei que faz aqui esta gente, sabemos todos que no fim ganham os indivíduos de raça negra, começa a descida da ponte, entro na minha velocidade cruzeiro, sinto o apoio do público, imagino que me gabam o corpo ligeiramente flectido, os cotovelos a movimentar-se junto ao tronco, os cabelos esvoaçando, dois quilómetros, primeiro reabastecimento, a miúda que distribui as águas grita-me "não pares, não pares", sorrio, estão sempre a dizer-me a mesma coisa, toda a gente sabe que nunca paro, oito quilómetros, o corpo ressente-se das tirinhas de entrecosto na brasa acompanhadas por vinho da casa, a mim o que me desgraça sempre é querer fazer de conta que sou do povo e que não me importo de alinhar no vinho da casa, dez quilómetros, estamos a meio, os números dizem-me que estou capaz de fazer a coisa por volta das duas horas, uma miúda canta ao vivo Amy Winehouse, parece-me adequado, a minha condição actual é parecida com a da própria Amy, corro, corro sempre, há demasiadas mulheres a ultrapassar-me, isso aborrece-me, ainda para mais elas parecem frescas, acelero o ritmo e vejo-as ficar para trás, as coisas são como são, dezoito quilómetros, a vista começa a turvar-se, as formas das pessoas começas a ficar difusas, o meu cérebro diz-me para continuar, falta pouco, parece-me que um tipo com uma cruz vermelha me pergunta se está tudo bem, nem lhe respondo, faço só um sinal com o polegar levantado, subo a rua para o Vasco da Gama, há crianças que me gritam que falta pouco, meta, uma hora e cinquenta e oito, mas que caralho farão estes dois tipos que me amparam, um de cada lado?, só preciso de uns minutos, não, não preciso de oxigénio, está tudo bem, obrigado, comigo está sempre tudo bem.

24.9.11

E tu?

Sei que há um castelo na Ilha Kirrin, percebi o conceito da manipulação com aquilo do Tom Sawyer a pintar a cerca da Tia Polly, ainda hoje não entro numa gruta sem pensar que o Índio Joe pode ainda por lá andar, aprendi a importância de gerir a informação com o Tintin e aquilo do eclipse do sol, ainda hoje me lembro de Phileas Fogg quando marco reuniões em Lisboa à mesma hora que descolo em Madrid, sei quem disse que cativar significa criar laços, ocorre-me o dilema de Ivánovitch de cada vez que aposto na roleta, identifiquei-me com Juan Belmonte a cada vez que me dizem "como o famoso jogador de futebol", estive no 221B de Baker Street mesmo a sério, aprendi com Corto Maltese que a linha da vida se pode prolongar a golpes de canivete, nunca mais entrei no castelo da minha cidade sem pensar na História do Cerco, estive em Paris e pensei o que teria levado  Jacinto a voltar a Tormes.

(baseado na crónica da Clara Ferreira Alves no Expresso de hoje)

22.9.11

Horácio Inácio is back

Desde os tempos de antanho fomos treinados para sobrevalorizar as das mamas grandes, era ainda o tempo das cavernas, há tanto tempo que eu não citava o tempo das cavernas, e um homem era incentivado pelos sarracenos que caçavam leões a dar pontos extra às das mamas grandes, este equívoco foi passando de geração em geração, nunca se soube explicar muito bem porque haviam as das mamas grandes de ter um tratamento preferencial, isto até chegarem os das psicologias, a tentar encontrar nexo causal entre a alimentação e as das mamas grandes, notai, um homem que já sabe apreciar um bom risotto e sabe distinguir uma boa alheira de caça brava a ter de assumir que lá no parietal direito, ou lá onde é que se encontram as mensagens subliminares, que há causalidade entre mamas grandes e alimentação sadia, é por estas coisas que os psicólogos sempre me causaram taquicardia, é aparecerem-me à frente e lá fico em hiperventilação, a ouvir vozes na minha cabeça, vieram depois tempos mais felizes, o homem começa pouco a pouco a racionalizar, há quem chame processo de abichanamento, começa o homem a libertar-se do peso do que diziam os antigos, da informação genética passada de boca para ouvido e chegamos a este estadio civilizacional em que, sim senhores, um homem sabe que não há razão nenhuma para preferir as das mamas grandes mas, ainda assim, respeita as tradições, que isto nunca se sabe.

Tio Lancastre

"O que te queria dizer, meu rapaz", começou o Tio Lancastre enquanto me indicava uma cadeira, dobrando o Times e apantando-me a garrafa de Royal Salute 21 anos da qual eu havia de me servir, recusando o gelo, "O que te queria dizer é que em caso algum deverás dobrar o pijama (aliás, em caso algum deverás usar pijama), colocar as pantufas em posição horizontal, usar pulseiras étnicas, beijar de olhos abertos, gostar de restaurantes que sirvam cozinha de fusão, secar o último pingo com papel higiénico, usar gravatas de poliéster, camisas de manga curta ou botões de punho que não tenham as tuas iniciais. Em caso algum deverás preferir as mulheres incapazes de ver as relações como um longo jogo de xadrez ou aquelas que não sabem quem era Lillas Pastia".

Eu assenti, concordante. Até porque, por uma vez, nada do que me recomendava o Tio Lancastre me era desconhecido.

19.9.11

Coisas que aprendi hoje

O Sporting tem jogadores que se chamam Onyewu, Schaars e Wolfswinkel.

(e diz que marcam golos)

Pergunta para conhecedores

Qual é a música de Bécaud que está no meu i-Pod e que me faz lembrar Alberto João Jardim?

Era só isto, a partilha faz-me bem

Por algum motivo que me escapa ganhei uma aversão fatal a indivíduos com lentes escuras em pala por cima de óculos graduados, é uma aversão do mesmo tipo que me causam indivíduos vestidos de vermelho com uma ave estampada sobre o sítio onde imagino que estará o mamilo esquerdo, isto no caso deles, no caso delas, a ave, em estando sobre o mamilo esquerdo, estaria ao nível da cintura, é uma aversão que enquadro na mesma sintomatologia que me causam pessoas que escrevem "lol" e começam as frases por "é assim", em estando na minha linha de visão um indivíduo com as tais palas, principalmente se estiverem levantadas, começam a dar-se-me os nervos, começa aquilo das vozes a ressoar na minha cabeça e acabo sempre por me aborrecer e eu, em me aborrecendo, é uma maçada para todos, inclusivamente para mim.

18.9.11

Uma rápida vista de olhos ao que se escreveu nos blogs durante o fim de semana...

...permite-me concluir que nenhuma blogger tira fotos a si própria, desnudada.

16.9.11

Post em tempo real

Era uma vez uma mulher muito bonita que estava a passear-se pelos livros da secção de viagens, pegou no guia Nepal e eu imaginei-a uma mulher do tipo espiritual, posição de lótus em sinal de recolhimento, as pernas musculadas talvez se aventurassem até ao campo-base do K2, depois pegou num guia da Áustria e eu pensei que afinal ali estava uma apreciadora dos cafés de Viena, uma amante de música exacta, finalmente deteve-se no guia de Nova Iorque e eu pensei que afinal a mulher bonita era uma apaixonada pelas cidades grandes, pelas compras, pela sofisticação.

Acabou por levar o guia dos parques de campismo de Portugal.

Retomando a conversa

"Quando um homem está enamorado, nunca lhe ocorre que a rapariga o possa ignorar: julga sempre que lho confessou francamente num tom de voz ou num aperto de mão"

Graham Greene, in "O Terceiro Homem"

12.9.11

6.9.11

É a economia, estúpidos!

Ouçam-me com atenção, vou dizer isto apenas uma vez: se teimarem nessa ideia bizarra de me castigar até à medula com isso dos impostos eu começo a ponderar substituir Cartuxa de 87 por Duas Quintas de um ano qualquer, esqui nos Alpes por poker em casa dos Vasconcellos de Meirelles, Quinta do Lago por Novotel, BMW por Renault.

E sempre quero ver como se aguentam sem o imposto sobre o valor acrescentado que pago com o Cartuxa de 87, sem o imposto sobre produtos petrolíferos que incide sobre o jet-fuel do voo para Genéve, sem o Imposto Automóvel que pago pelo BMW.

Estou só a avisar, não me queiram ver realmente aborrecido.

5.9.11

Factos

Dez quilómetros demoram quarenta e seis minutos se tiver Tannhäuser no i-Pod, cinquenta minutos se tiver a Nona Sinfonia e uma hora se tiver o CD do Oceano Pacífico.

Este fim de semana...

... em circunstâncias que não vale a pena enunciar, experimentei isso de Nutella. A excitação que a ingestão deste produto causa nas bloggers cor de rosa escapa-me em absoluto.

(é por estas e por outras que cada vez me convenço mais que nunca conseguirei ter um blog de sucesso)

Há poucas coisas tão constrangedoras...

...como assistir ao diálogo de duas amigas que se encontram na secção de "produtos com defeito" da Burberry do Freeport.

4.9.11

Heranças

Ao principio eu acreditava que havíamos de pescar trutas num rio de águas rápidas, talvez avistássemos ao longe um urso cinzento, remaríamos num barco de madeira ao por do sol, havia de lhes contar histórias que começariam por "Numa ocasião..." ao redor da fogueira e, finalmente, havia de os aconchegar nas tendas enquanto eu ficaria ali a vigiar mais uns minutos, não se lembrasse algum coiote de aparecer.

(entretanto realizei que não vivemos nas Montanhas Rochosas).

(para compensar, ensinei-os a ler mapas e a gostar de montanhas)

2.9.11

Tio Lancastre

"Carlos da Maia, rapaz", começou o meu Tio Lancastre enquanto esperávamos que nos servissem um Château Lafite Rothschild na esplanada do Hotel Mont Blanc em Megève, "Carlos da Maia era um caso sério entre as mulheres porque o avô Afonso em boa hora contratou Mister Brown para o educar. Não fosse o espírito pragmático do Senhor Afonso da Maia e seria ele um Eusebiozinho, em menos roliço. Repara, rapaz, Carlos da Maia não chegou a dar umas bengaladas no Dâmaso Salcede, que bem era merecedor, nunca se explicou capazmente com a Gouvarinho,  nunca se chegaram a ver resultados nem do investimento no laboratório nem no consultório de médico nem sequer se lhe viram progressos nos ideais de usar o seu nome e a educação que lhe caiu dos céus para melhorar o seu tempo e os do seu tempo. E isto, meu rapaz, nenhuma mulher tolera, esta errância e este desbaratar de recursos são a segunda pior coisa que um homem pode fazer aos olhos de uma mulher, imediatamente a seguir a ignorá-la".

E, enquanto olhávamos o sol a esconder-se por detrás das montanhas e nos serviam finalmente o vinho, o meu Tio Lancastre continuou: "Carlos da Maia era um bom partido para a aventura breve, para uma vida paralela, e ele era sabedor disso, repara como nunca se interessou por mulheres que não fossem de outros. As mulheres, meu rapaz, sabiam-no bem e apreciavam-lhe as maneiras correctas, os modos galantes e, vá lá, o saber das viagens pagas pelo avô".

E, por fim , rematou o Tio Lancastre, sábio como sempre: Carlos da Maia, elas sabiam-no bem, era do tipo "não é para casar".

E eu acenei que sim, concordante.

1.9.11

(na verdade, sei a resposta)

De cada vez que releio "Os Maias" fico sempre a pensar no veriam as mulheres de tão especial no Carlos da Maia.

(se calhar isto nem é um blog)

A maioria dos bloggers tem um gato. E fuma. E conhece pelo menos dez outros bloggers. E gosta de praia.

Eu tenho um cão. Fumo depois do quinto gin. Não conheço quase ninguém dos blogs. E gosto de montanhas.

31.8.11

À atenção do Real Club Zaragoza

Meus caros, tenho aqui uns sapatos de golfe praticamente novos e uma garrafa de Cointreau quase cheia.

São vossos por cem mil euros.

Atentamente, Visconde de Vila do Conde.

Que comecem os jogos

O binómio "homem branco bem apessoado com bebé negro às cavalitas" está para as mulheres como o binómio "rapariga de saia curta bem apessoada a sair do lugar de condutor de descapotável" está para os homens.

30.8.11

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (VI)

Há no Mónaco uma visita turística que se chama "Le grand Tour".

Não sei o que dizer sobre isto.

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (V)

Ninguém imagina quão emocionante pode ser entrar em Génova a assobiar a canção do Marco.

Tio Lancastre

"A grande maçada com as mulheres", começou o Tio Lancastre com a sua voz grave, enquanto me servia de uma generosa dose de um Médoc acabadinho de ser levado à temperatura certa, "a grande maçada com as mulheres, meu caro, é que não há maneira de considerarem a possibilidade de ser menos importantes para nós do aquilo que somos para elas".

29.8.11

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (IV)

E depois descias do glaciar, os músculos das pernas a latejar, a água que se tinha acabado, tu a pensar que se calhar teria sido melhor uns dias de praia, o caminhar sem fim. Do nada, surge Notre Dame de la Gorge.

E ficas com a certeza de que talvez Deus exista mesmo.

(Foto: Visconde de Vila do Conde)

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (III)

E agora dá-me a mão, não fales, quero levar-te a Monterrosso, a primeira das Cinque Terre, quero dar-te a beber um copo de Sciacchetrà, fecha os olhos.



(Já podes abri-los)


(Fotos: Visconde de Vila do Conde)

28.8.11

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (II)

(Foto: Visconde de Vila do Conde)

E depois, talvez a felicidade seja isto, um café depois de três horas de caminho.

(O Sporting o quê?...)

Se me tivessem apetecido blogs durante as férias (I)

(Foto: Visconde de Vila do Conde)

Talvez nunca tenhas subido à Aiguille du Midi, Wagner nos ouvidos, o vento a dar-te de frente, tu quase sem forças, um pé depois do outro, sempre um pé depois do outro. Nem sabes o que perdeste.

9.8.11

The printed blog

Estava aqui a ler a "The Printed Blog", edição Portugal e a primeira coisa que posso dizer é que o velho mito de que as bloggers são todas feias cai definitivamente por terra.

(já os bloggers...)

Da mesma forma que hoje nos interrogamos sobre a problemática dos penteados à Sheena Easton...

... um dia debruçar-nos-emos sobre os desígnios insondáveis que concorrem para que uma mulher opte pelo binómio calça branca transparente - cueca de gola alta.

8.8.11

(ainda estou com os nervos em franja)

Eu pensava que ia a São Carlos assistir ao Barbeiro de Sevilha, levava o Ulysses debaixo do braço, nem sei porque levava um livro debaixo do braço, e logo o Ulysses, que é pesado, só que entrava no São Carlos e aquilo afinal era o Colombo e eu ficava baralhado, depois começavam a aparecer indivíduos vestidos de vermelho, o Benfica jogava nessa noite, e eu ficava ali no corredor central, petrificado, olhava para as escadas rolantes e via filas de pessoas do Bnefica, umas a subir e outras a descer, a visão era horrível, mas podia piorar, e piorou, agora eram mulheres enormes vestidas de vermelho que se dirigiam para mim, todas com umas mamas muito grandes e muito descaídas, com umas camisolas a dizer Benfica e TMN, vinham de todos os lados e começaram a cercar-me, eu só lhes dizia que era engano, eu estava ali só para ver o Barbeiro de Sevilha, e quando elas me agarraram eu acordei e nunca me soube tão bem acordar de um pesadelo.

7.8.11

As coisas são como são

O treinador do Benfica diz "Xamponsligue" e "jegadores".

O treinador do Porto diz "adbersários" e "bitória".

O treinador do Sporting diz "temos que melhorar processos" e "peço paciência aos sócios".

6.8.11

Na minha aldeia, como em todas as aldeias, há dois malucos, o maluco bom e o maluco mau.

O maluco bom tem uns óculos grossos, calça umas sandálias com meias brancas, veste umas camisas havaianas qua não combinam com as calças que lhe ficam curtas. Sorri para toda a gente e agradece as sandes de carne assada que as senhoras velhinhas lhe estendem quando estão pessoas a ver.

O maluco mau tem o cabelo desgrenhado e anda sempre às voltas na praça, às vezes grita aos miúdos e depois ri-se, diverte-se a bater palmas fora de tempo à banda filarmónica que toca no coreto e agradece aos homens que lhe oferecem minis de super bock quando ninguém está a ver.

O maluco mau simpatiza comigo e acaba sempre por me descobrir no meio das pessoas para me contar anedotas que os meus filhos não deviam ouvir. Ontem rimo-nos os dois e depois o maluco mau perguntou se eu lhe pagava um mini e eu fiz como as senhoras velhinhas e saiu uma sandes de carne assada e ele foi para o coreto e quando a banda filarmónica atacava uma música tranquila de um senhor compositor de marchas militares tranquilas, o maluco mau gritou "Toca mas é o Malhão" e riu-se alto e saiu dali para fora e foi uma sorte que a sandes de carne assada não tivesse acertado no maestro da banda filarmónica, se fosse uma garrafa de mini super-bock, acertava-lhe de certeza.

Visão de longo prazo

Um dia, há muitos anos, ainda as coisas se vendiam em francos, comprei numa livraria do Quartier Latin um livro que tinha escrito na capa "Tour du Mont Blanc" e tinha lá dentro mapas e símbolos e algumas, poucas, fotografias. Achei que talvez me fizesse falta um livro que explicasse como se sobe ao Monte Branco. E faz.

5.8.11

O Capitão América...

... só beijou a miúda uma vez. E beijou mal.

4.8.11

Meu querido mês de Agosto

Nem todos os meus Agostos foram assim, atento aos mercados, o que quer que sejam os mercados, a carregar em "send" e a ver seguir coisas escritas com instruções que, convenço-me eu, são estratégias venencedoras para aplicar depois de acontecer o que ainda nem sequer foi inventado.
Porque Agostos existiram em que o objectivo era saber quem primeiro conseguia chegar à ilha da barragem a nado, à noite haviam de se comer melancias que tinham ficado todo o dia no rio, Agostos existiram em que rezávamos para que não aparecesse nenhum carro em sentido contrário ao nosso, que descíamos para a vila em bicicletas sem travões, Agostos existiram em que gastávamos um par de ténis Sanjo por semana a jogar à bola, Agostos existiram em que tínhamos trinta dias de Europa à nossa frente, um bilhete de comboio, um mapa estendido no chão, em que escolhíamos a próxima cidade porque era para lá que iam as miúdas italianas que estavam no compartimento ao lado do nosso.

(cada vez mais abichanado, este blog)

3.8.11

Tio Lancastre

"Pensa como quiseres, meu rapaz", dizia-me o meu Tio Lancastre enquanto escolhia o melhor ferro para atacar o buraco treze, "Pensa como quiseres, mas, se desejares realmente uma mulher, diz-lhe que não, mesmo que quase vaciles e creias que o "sim" é a palavra certa, mesmo que o "sim" quase te salte da boca". E perscrutando o horizonte e tomando balanço para que a bola não caísse no lago, caía sempre, puxando uma baforada do Partagas nº1 enquanto semicerrava os olhos para melhor acompanhar a curva descendente da bola que havia de cair no lago, caía sempre, continuou "Se lhe disseres que sim, provavelmente não mais a verás e lamentarás ter cedido, o "não" é a única forma de conservar uma mulher perto de ti até ao fim dos teus dias".

(E foi nesse dia que eu percebi que o Tio Lancastre também se enganava)

2.8.11

Os números, devidamente torturados, dizem o que nós quisermos

Isto do Benfica ter trocado o Roberto por aquele monte de notas é mais ou menos como se o meu banco já tivesse dado como perdido o dinheiro que lhes devo e, em troca do perdão da dívida, me tivesse comprado pelo valor da dívida perdoada um quadro do "Menino a Chorar" que eu tenho guardado algures no sótão.

Não, pois não?

Já falei daquele dia em que eu quis fazer uma surpresa aos meus sobrinhos e peguei em meia dúzia deles e abalámos todos para Alvalade e eles pensavam que iamos dar um giro pela cidade e afinal fomos ver o jogo da bola e vimos um leão branco puxado por um trator e o leão estava ali com uma cara muito aborrecida, em calhando apetecia-lhe estar noutro sítio qualquer e mesmo estando o leão relaxado ouviam-se no estádio uns rugidos muito ferozes e nós até nos rimos e depois aconteceu aquilo que se sabe e acabou tudo com os meus sobrinhos a animar-me e a dizer que a vida é mesmo assim e que o que conta é a intenção e a minha intenção foi boa e eu fiquei tão comovido com os meus sobrinhos que acabámos todos no Mc Donalds?

1.8.11

Ceci n'est pas une pipe

O tipo do retrato ali de cima sou eu, num dia em que tive medo de morrer. Aborrece-me vir aqui escrever coisas e ver um retrato meu, tirado  num dia em que tive medo de morrer, logo eu que, tirando essa ocasião e mais duas, nunca pensei muito nisso de poder morrer logo ali se não tivesse sorte.

Havia nevoeiro e eu tive que parar, logo eu que não gosto muito de parar. Mas, se não parasse, se teimasse em seguir em frente como se não houvesse nevoeiro, eu era bem capaz de morrer, já não havia ninguém em pista para além de mim e de quem me tirou o retrato. Não se nota bem no retrato, mas havia um abismo no meu lado esquerdo e os abismos, parecendo que não, são desagradáveis quando o nevoeiro é denso.

Um dia destes, em não tendo nada que fazer, sou capaz de tirar outro retrato para prantar ali, eu sempre gostei de retratos no cimo dos blogs, pelo menos no cimo dos meus blogs. Talvez escolha um retrato sem tanto nevoeiro, nunca se sabe.

30.7.11

Às vezes os desportivos lembram-me os blogs cor de rosinha...



Ele há coisas...

Um homem anda meio perdido nisso de escolher onde jantar numa sexta-feira, acaba por decidir dar uma oportunidade ao restaurante do Museu do Oriente, tinham-lhe dito que as vistas eram razoáveis, depois um homem percebe as movimentações das pessoas, todas a movimentar-se ao mesmo tempo, um homem pergunta ao rapaz que lhe trouxe os cafés se havia alguma coisa que justificasse as movimentações, que sim, que havia espectáculo, um homem acaba por perceber que ainda há bilhetes em lugares bons, e não é que estava a tocar o Bob Stewart, aliás, o grande Bob Stewart, ali mesmo à minha frente, ele e os Tuba Project?

27.7.11

Confesso

Já tinha saudades de ouvir o Jorge Jesus dizer "jegadores".

zzz

Se eu quisesse mesmo ganhar dinheiro a sério, assim mesmo à grande, gravava as entrevistas do ministro das Finanças e vendia os CD's aos pais que desesperam porque não conseguem adormecer as criancinhas.

(conduzir a seguir a um almoço de leitão, cruise control nos 130, o sol de frente e o senhor ministro a discursar na TSF pode ser fatal...)

26.7.11

A maioria das pessoas queixa-se da falta de objectivos

Mas eu não, eu tenho dois objectivos: escolher carro até amanhã (nem que seja por um-dó-li-tá) e acabar o Ulysses até ao fim desta semana (para começar a ler a biografia do sacana do Hitler que em ofereceram um destes dias em que fiz anos).

25.7.11

O tal questionário dos livros

Noutro tempo responderia a isto do questionário dos livros sem pensar muito na coisa, uma pitadinha de ironia ali, outra de sobranceria acolá e a coisa despachava-se. Acontece que quero responder mesmo a sério, apetece-me.

1. Existe um livro que relerias várias vezes?

Houve um tempo em que relia os livros várias vezes, que o digam as datas anotadas a caneta, com números de menino, nos livros dos "Cinco", com poucas semanas de intervalo, sinal que aqueles eram tempos em que não tinha todos os livros que desejava.
Neste tempo, em que não consigo ler todos os livros que tenho, quase nunca releio, isto se aplicarmos a excepção dos livros que leio aos meus filhos, em suaves prestações, antes de dormir (e assim reli Sepulveda e outra vez "Os Cinco").

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

"O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder, há muitos anos. Houve um outro que nunca cheguei a terminar, Miguel Esteves Cardoso, "O amor é fodido".

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?

Teria que ser um livro grande, que eu ainda vou viver muitos anos. "Os Maias" é um livro grande.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Vários, evidentemente. Mas sinto-me desconfortável por nunca ter lido Tolstoi.

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?

"O Velho e o mar" de Hemingway.

("O velho estava a sonhar com os leões.")

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Lia tudo, desde os rótulos dos Corn Flakes da Nacional, até ao Diário Popular. E Enyd Blyton e o Agente Langelot e Julio Verne e Sandokan.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

A Bíblia. Porque tive medo que o Todo Poderoso me castigasse se não lesse tudo até ao fim.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Os livros preferidos têm a ver com um tempo da nossa história. "A Ilustre casa de Ramires" foi o único livro português que levei para um desterro de Erasmus e foi importante. "A História do Cerco de Lisboa" foi lido a quatro mãos, numa viagem de comboio que durou cinco dias de Lisboa até Atenas. "A Insustentável Leveza do Ser" foi lido em três dias de escalada nos Picos de Europa.

9. Que livro estás a ler?

"Ulysses", toda a gente sabe isto!

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito

(Caramba, não tenho dez amigos...)

Trocar de carro - a saga (III)

O único "stand" que repeti foi o da Alfa Romeo. Isto quererá dizer alguma coisa.

(não necessariamente boa)

22.7.11

Trocar de carro - a saga (II)

Passei a manhã a tentar decidir que carro conduzirei nos próximos dois anos. Uma manhã inteira perdida a ouvir falar da estabilidade que umas jantes de dezoito polegadas proporcionam, da "qualidade de vida a bordo", o que quer que isso seja, e do espaço nos lugares traseiros, que é coisa que a mim, que conduzo sempre no lugar da frente, nada me diz.

Uma manhã inteirinha, que poderia ter usado a ler duas páginas do Ulysses, passada a cortar a palavra a tipos com demasiado gel no cabelo...

21.7.11

Trocar de carro - a saga

O tipo das vendas da Mercedes foi o único que me soube responder ao que lhe perguntei sobre binário do motor (todos os outros tentaram refocar a minha atenção nas aplicações em madeira do tablier), na Mercedes foi o único local onde não me chamaram a atenção para pormenores de equipamento imbecis (bancos aquecidos?!), o Mercedes é o único que tem um sistema de navegação a sério, o Mercedes é a melhor escolha no que toca ao value for money, o tipo da Mercedes foi o único que me deu um aperto de mão como deve ser no final, na Mercedes foi o único sítio onde se percebeu que querem mesmo vender automóveis.

Cá em casa não me deixam comprar Mercedes.

Palminhas...

Era uma vez eu e uma mulher muito bonita que trazia uma saia curta e um decote inversamente proporcional ao tamanho da saia. Reunimos frente a frente, com uma mesa de tampo de vidro transparente. Olhei-a nos olhos durante toda a hora que durou a reunião.

20.7.11

Ando cá com uma vontade...

...de me encostar aquela coluna das bobines de filmes que vai do chão até ao tecto da Cinemateca, só para ver o que acontece...

18.7.11

Siga a vida

O Paraguai está nas meias finais da Copa América.

(nunca pensei vibrar com uma coisa destas...)

15.7.11

Post em tempo real

Ha poucas formas tão poderosas para chamar a atenção de uma mulher como tentar acompanhar o final do Nessun Dorma a plenos pulmões, vidros abertos, na fila da segunda circular.

Ulysses, página 72 (ou como ter sempre um bom título até ao Natal)

Ontem, jantar no restaurante de tapas do Cafeína. Hoje, jantar no Galeto.

Porto dez, Lisboa zero.

12.7.11

Ulysses, página 40

Há uma boa razão para eu pagar para assistir ao género "comédia romântica com Julia Roberts" apenas uma vez a cada vinte anos.

(e espero que a minha memória me ajude a que assim continue a ser)

11.7.11

Nos intervalos do Ulysses

Quem verdadeiramente gosta daquilo do Principezinho não pode deixar de ir à Quinta de Regaleira, é assim uma espécie de Harry Potter, tudo o que está no livro é o que está na peça, what you see is what you get, um homem está ali a ver a peça e já sabe o que eles vão dizer a seguir, principalmente na cena da raposa, aquilo do cativar, e tal, a única coisa verdadeiramente criativa é que o Principezinho é uma princesa, eu sei disto porque em Sintra aquilo é frescote ao fim da tarde, e também gostei de ver uns miúdos com uns cartazes na Volta do Duche a dizer que davam abraços grátis, eu até saí do carro, não resisto a nada que seja grátis, entretanto os carros da frente começaram a circular e os que estavam atrás não apitaram, afinal ainda há quem respeite que um abraço não é coisa que se interrompa.

10.7.11

A minha vida com Ulysses

Quinhentas e cinquenta e uma páginas, a que em rigor se deverão deduzir as sete primeiras, as do título, das coisas técnicas e as que explicam que se aproveitou a tradução em português do Brasil de António Houaiss porque se diz por aí que essa é que é boa. Letras pequenas e sem um único desenho.

Até agora registo três páginas razoavelmente simples, a primeira que diz "Ulisses", a segunda que está em branco e a quinta que diz "I". Por outro lado, hoje ainda não consegui passar do primeiro parágrafo da página treze, que reza "Vegetissombras flutuavam silentes na paz matinal desde o topo da escada ao mar que ele contemplava. Da borda para fora o espelho do mar branquejava, esporeado por precípites pés lucífugos. Colo branco do mar pardo. Ictos gémeos, dois a dois. Mão dedilhando harpicordas fundindo-lhes os acordes geminados. Undialvas palavras acopladas tremeluzindo sobre a maré sombria".

(Isto é capaz de não ser empreitada fácil, vou ali comer umas bolachas Oreo que agora inventaram, com o dobro do recheio, e descansar um bocadinho a vista.)

7.7.11

Há poucas coisas tão constrangedoras...

...como ver um homem adulto a tentar introduzir a namorada nova no seu (dele) círculo de velhos amigos.

Desalinhado

Ontem, precisamente à mesma hora que os Coldplay atacavam a primeira música, iniciava eu a leitura de Ulisses, de James Joyce.

6.7.11

Isto não é para si, a sério que não

Nestes quase vinte anos que levo de blogosfera (éramos tão poucos, naquele tempo...), apendi que não há forma de convencer as pessoas que não conhecemos, que não nos conhecem, que apenas tropeçam no que escrevemos porque o Google as encaminhou para aqui porque achou que isto é o sítio certo para quem digita "boas mamas", não há forma de as convencer, dizia eu, que o que escrevemos não é para elas, que não pode ser para elas, pois se nem sequer sabemos que elas existem...

5.7.11

Saberes empíricos

Se perguntarmos às mulheres o que mais as atrai no género oposto, nove em cada dez darão a resposta clássica e responderão "sentido de humor", apesar de, na vida real, acabarem por ficar com o tipo que paga as contas.

(já nós. daremos também a resposta clássica "que tenha boas mamas" e, na vida real, acabamos por ficar com a que tem sentido de humor)

3.7.11

Acabaram as férias

(A partir de amanhã as minhas ordens voltarão a ser obedecidas.)

1.7.11

Outra vez do Sul

Que eu não vislumbre mulheres com o nome dos filhos tatuado nos braços em letra tipo "Old English" tamanho vinte e quatro, que não existam famílias com geleiras azuis com fatias de melancia lá dentro, que a área de segurança à minha volta seja a equivalente a um quadrado de pelo menos dez por dez metros, que exista zona de sombra para que a minha leitura não seja prejudicada, que sejam providenciadas conquilhas e cerveja fresca que não seja Heinecken no bar de apoio, que não existam indíviduos com bigode, pele vermelha e sotaque de Liverpool até onde a minha vista alcance, que a água seja fria e as ondas sejam de dois metros, que não se ouça o barulho das raquetes de praia quando regresso da água e me estendo ao sol de olhos fechados, que o tipo das bolas de berlim só passe uma vez de manhã e outra à tarde, que as nuvens tapem o sol durante cinco minutos em cada vinte, que os meus filhos nunca deixem de praticar a agradável actividade do "mosh ao pai", que o mais novo continue a achar que eu sei centrar a bola como os melhores, que a mais velha continue a fazer-me perguntas e eu saber a maior parte das respostas, que a que não é minha filha continue a achar que eu não tenho emenda.

29.6.11

Do sul

Um destes dias, quando eu voltar a entrar no elevador e me perguntarem se as férias foram boas, vou demorar dois segundos, pensar no robalo grelhado do Gigi acompanhado pela banda sonora do Fantasma da Ópera, no vinho branco gelado bebido ao jantar, na corrida das sete da manhã na marina, nos dias de sal na pele, nas noites longas, nas havaianas enfiadas nos pés, na cerveja fresca e responderei, sorriso nos lábios, o que se responde nestas ocasiões: "sim foram boas, mas curtinhas...".

26.6.11

Uma vez por outra, escrevo sobre coisas cá minhas

Chegou de mansinho, a ganhar território aos poucos, primeiro conquistou os mais novos, certo, quem meus filhos beija minha boca adoça, depois chamou-me pai e eu realizei que, sem dar por isso, tinha uma filha nova, mostrei-lhe o mar, levei-a aos jogos da selecção, não consegui vencer o "factor Cardozo", isto dos sangues é como é, aprendeu a gostar de caracóis e de lambujinha, animou-me quando o Sporting perdia, eu abracei-a com força e chorei com ela a morte do melhor amigo, ela disse que podia viver aqui o resto da vida, eu tracei-lhe um plano para os próximos sete anos, fez-me fazer o que eu disse que nunca faria e levantei-me às quatro da manhã para a ir buscar às festas da moda, deu-me a volta e eu fiz de polícia mau, levou uma bandeira de Portugal na mala e disse que havia de abrir um restaurante de comida portuguesa em Assunção, que esta comida é de Deuses, num ano tocou-nos a todos, a cada um de sua maneira e nós, sei-o eu, virámos-lhe a vida ao contrário, para ela nada será como antes deste ano em Portugal.

A minha Paraguaia ligou-me hoje, só para dizer que chegou bem e disse que tinha saudades minhas. E eu quase chorei duas vezes no mesmo ano.

25.6.11

A festa da minha terra é linda

Daqui onde me encontro, gin tónico numa mão, consigo vê-los a todos, aos da tribo dos desdentados com o copo de plástico da Super-Bock morna na mão, às velhotas que dançam aos pares, aos que já estavam entornados na largada de toiros das seis da tarde e agora dançam o Apita o Comboio como se estivessem possuídos, aos duros que se preparam para estar na largada das duas da manhã, à miudagem que não larga a loura que acabou de chegar do Luxemburgo, consigo adivinhar o preciso momento em que o vocalista sentirá necessidade de agitar as massas e atacará o follow the leader, sigame.

Daqui onde me encontro, tomo nota mental para não me esquecer de reservar a temporada para o São Carlos.

23.6.11

Old school

A grande vantagem de eu não ser utilizador disso do Facebook é não poderem dizer de mim "já lhe dei os parabéns pelo Facebook".

21.6.11

(Que as há...)

O homem que se sentou à minha frente cheirava a Tabac, eu sempre associei o cheiro a Tabac a homens que fumam Ducados ou Gitanes sem filtro, bem sei que é uma associação de ideias rudimentar, a verdade é que o homem não tinha ar de quem fumasse Ducados ou Gitanes sem filtro, o que é uma maçada, aborreço-me sempre quando os meus estereótipos se abalam,  e este post era sobre isso, de estereótipos que não resistem ao confronto com a realidade, isto do homem que cheirava a Tabac era só para me lembrar que houve um tempo em que se fumava Gitanes sem filtro, lembro-me bem que nesse tempo tudo o que eu desejava se resumia a coisas que se podiam comprar, os anos acabaram por me ensinar que as coisas boas da vida não se compram, felizmente aprendi isso em tempo, mas, voltando aos estereótipos, em verdade vos digo que tenho cá as minhas teorias sobre mulheres com as malas organizadas e com o interior dos automóveis imaculadamente limpo.

20.6.11

À novel Assembleia da República, eu só peço que legisle no sentido de ...

... proibir de vez as unhas de gel, os perfumes de cheiro adocicado, as pernas mal depiladas, as frases que começam com "é assim", as calças brancas com cuecas de gola alta, os soutiens que prometem o paraíso e afinal nem por isso, as cuecas fio dental vermelhas a acompanhar calças de cintura descaída, os soutiens roxos com alças à mostra naquelas t-shirts brancas que deixam as costas nuas, lingerie que não seja branca ou preta, saias curtas a acompanhar pernas com celulite, cabelos pintados de uma cor com a raiz de outra , tatuagens de golfinhos e de estrelinhas, sushi em centros comerciais, coisas da Pandora, correntes nos tornozelos, unhas dos pés pintadas de uma cor diferente das unhas das mãos, pulseiras ruidosas.

(e é ver a retoma económica...)

19.6.11

Modo espartano

Eu podia viver só com queijo de Azeitão, vinho do Douro e pão alentejano.

(e Chartreuse verde com muito gelo, evidentemente...).

17.6.11

Escolhas

Porquê flamenco no Palácio dos Duques de Pastrana quando se podia ter Tony Carreira no Megapiquenique do Continente?

16.6.11

O ovo azul

Um complexo processo de acasos e circunstâncias várias transportou-me para uma visualização do teledisco dos Kaoma e para aquilo do "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar", eu já não me lembrava do argumento da coisa, se calhar porque nunca antes tinha visto o teledisco, aliás, no tempo em que eu via telediscos, alternava-se entre o "Still loving you" e o "I just called to say I love you", entremeado com uma curta temporada de "Nikita" e de "We are the world", embora, pensando bem, isto do "We are the world" foi já numa fase terminal em que eu via telediscos, derivado dessa situação quer-me parecer que eu nunca tive contacto visual com o teledisco dos Kaoma in illo tempore, mas a verdade é que desde esses tempos de antanho nada mudou, no tal teledisco o miúdo de ascendência africana, digamos assim, consegue o extraordinário feito de conseguir dançar lambada com a miúda loura, filha do dono do bar de praia mexicana, ora acontece que o pai não gosta, é da natureza dos pais de miúdas louras não apreciar que elas dancem lambada com miúdos de ascendência africana, digamos assim, e separa-os, puxa a miúda para fora dali, grande plano do miúdo de ascendência africana, digamos assim, com cara de sofrimento, uns dias depois, a vocalista dos Kaoma sempre a cantar, a cena repete-se, miúdo ascendência africana, digamos assim, outra vez a dançar com a miúda loura, pai da miúda loura a enxofrar-se outra vez e a fazer menção de os separar outra vez, só que acontece que a vocalista dos Kaoma, sempre a cantar aquilo do "Chorando se foi quem um dia só me fez chorar", entra na pista e saca para dançar o pai da miúda loura, in extremis, estava já ele com a mãozorra prestes a cair em cima da miúda loura, o tipo primeiro estranha, mas depois entranha-se, é vê-lo a rodopiar com a vocalista dos Kaoma na pista de dança, olhar cúmplice para o miúdo de ascendência africana, digamos assim, que continua a dançar com a filha loura e a mensagem que eu retenho é que a melhor maneira de resolver o problema dos empata é providenciar-lhes alguma coisa para os ocupar, até pode ser a vocalista dos Kaoma.

15.6.11

Tio Lancastre

"Meu caro...", dizia-me o meu Tio Lancastre enquanto conduzia o Bentley Continental nas curvas apertadas de Monte Carlo"...não se conhece verdadeiramente uma mulher se não tivermos observado a forma como supera um desgosto de amor".

E explicou-me longamente, enquanto descíamos para o Casino, que é na sabedoria com que gerem as emoções contraditórias, na elegância com que se levantam da mesa com o coração nas mãos, na sobriedade com que se referem a quem não as mereceu, que se percebe a essência da Mulher que afinal valia mesmo a pena.

13.6.11

Coisas de que me lembro enquanto degusto um Porto Quinta do Noval

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

11.6.11

Afinal

E lá estava eu, a pensar se havia de dizer à mulher que me ia passando os códigos de barras dos livros pela máquina registadora que ela tinha um sorriso muito bonito, por um lado ela podia exacerbar o alcance de um "parabéns, você tem um sorriso muito bonito" (comigo as mulheres tendem a exacerbar o que lhes digo), por outro lado ela podia pegar pegar num pau e vir atrás de mim para me bater, afinal as mulheres estão pouco habituadas a que um "parabéns, você tem um sorriso muito bonito" signifique apenas e só isso.

Lá me decidi, no preciso momento em que ela me devolvia o cartão, naquele momento em que é socialmente aceite que as pessoas se olhem nos olhos, a largar um "parabéns, você tem um sorriso muito bonito". E ela disse "muito obrigado", sorriu de novo e cada um de nós foi à sua vida.

10.6.11

Nunca poderás dizer que conheces uma mulher...

...se nunca a tiveres visto sem saltos altos e desmaquilhada.

8.6.11

Tio Lancastre

"Se queres um conselho, meu rapaz,..." - começou o meu Tio Lancastre, enquanto me servia dois dedos de Old Bushmills sem gelo, "...não te deslumbres com a que perora sobre a qualidade de fotografia, com a que sabe de cor o nome dos actores russos, com a que não tem dúvidas sobre a corrente em que se deve inserir a obra do realizador, com a que discorra longamente sobre as idiossincrasias da nova vaga do cinema alemão. Se queres um conselho, meu rapaz, deslumbra-te com a que se emociona com a história, com a que chora se o herói morrer no final, com a que te agarra com força a mão se o vilão estiver prestes a levar a melhor. Deslumbra-te com a que goste de ver filmes, não com a que perceba de cinema".

5.6.11

(desta vez não houve enquadramento espacio-temporal para fazer aquele número de comentar as eleições)

...mas que me aborrece que o Primeiro-Ministro do meu país me chegue de Massamá, isso aborrece.

E então?

Se a manhã foi passada com a pele a saber a sal, olhos brilhantes a deliciar-me com o mar da costa alentejana, barba de quatro dias, caipirinhas a acompanhar camarão e conquilhas, a noite foi de fato escuro, barba já feita, cabelo penteado, a distribuir sorrisos no jantar de gala no Palácio da Bolsa, garrafas Magnum de vinhos do Douro, sapatos bem engraxados.

4.6.11

E lá estava eu...

...salada de pepino à minha frente, telemóvel encostado ao ouvido.

Arriscando a vida, portanto.

3.6.11

(amanhã vou para o Carvalhal)

Passar o dia na Comporta e levar livros para estudar é tão inadequado como comer sardinhas assadas barradas com doce de morango.

1.6.11

Coisas capazes de me alegrar o dia

Ligar o rádio e saber que Cohen ganhou o prémio Príncipe das Astúrias das Letras este ano

(Foto: Jornal Público)

30.5.11

Eu já...

...vi uns senhores da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, no Burger King do Colombo, a fazer uma oração e a abençoar a comida que iam tomar.

(vi de fora, naturalmente...)

28.5.11

Só uma palavrinha sobre aquilo dos miúdos do vídeo

Os telejornais referiram-se às miúdas que encheram de pontapés a outra desgraçada como "os presumíveis agressores".

Hum...

O meu filho comemorou os golos do Barcelona com muito mais entusiasmo do que comemora os golos do Sporting.

27.5.11

Coisas que fazem bem

As imagens iniciais do Lost in Translation, beber a Super Bock nova pela garrafa, tirar a gravata no fim do dia, achar que com o Domingos é que vai ser, ir ao Prado só para ver os Goya outra vez, almoçar com tempo numa esplanada, ouvir a música dos miúdos dos Açores a agradecer ao Markl, almoçar com mulheres bonitas, dizer "puta que pariu" às convenções, fazer uma apresentação sem powerpoint lá atrás, dizer "gosto de ti" e gostar mesmo, ir de mochila às costas para hotéis de charme, Bulgari Aqua em promoção em Barajas, trazerem-se rebuçados Dr Bayard porque eu tenho andado pouco doce.

26.5.11

Impressionam-me sempre...

...aqueles tipos que apanham a carreira das vinte e cinquenta para Madrid e levam só a malinha do portátil.

(é que as camisas ficam tão amarrotadas quando as enfiamos ali dentro...).

21.5.11

A minha vida é só problemas

Um homem anda uma vida inteira a dizer que não, que fica bem com esquiar com música nos ouvidos no Inverno e mergulhar em águas fundas no Verão, que aquilo é um desporto que pode esperar até um homem ter uma próstata problemática.

Só que um dia um homem percebe que aquilo não é só o que parece, que não se trata só de andar pelos campos a passo, aquilo trata-se de um homem ter que jogar consigo mesmo e ganhar, aquilo afinal vicia.

Hoje é capaz de ter sido o dia em que estou capaz de me decidir a jogar golfe.

20.5.11

De como a bola nos transforma em melhores pessoas

Passar três dias a repartir o meu espaço vital com mulheres de jogadores de futebol deu-me uma nova perspectiva de vazio, de tal forma que me transformei e acedi a um nível mais elevado de tolerância, num novo ser, com capacidade para perdoar calças com apliques metálicos reluzentes, t-shirts com as marcas italianas a ferir-me os olhos, unhas de gel e até as calças de fato de treino à mesa do pequeno-almoço.

19.5.11

Acho que a maturidade é isto

A última vez que tinha sido feliz no Temple Bar foi com Guinness.

Desta vez foi com Paddy.

17.5.11

Coisas de que não me orgulho:

Ter vindo assistir ao treino do Porto.

16.5.11

Modo optimista

Depois de amanhã já é antevéspera de sexta-feira.

15.5.11

14.5.11

11.5.11

Acalmai-vos, oh gentes do Google Reader, já cá está aquilo do sapo cosido...

O que o meu caro deve evitar, dizia-me o Tio Lancastre elevando a voz para se fazer ouvir por cima do motor do Aston Martin, capota aberta, a caminho do The Oitavos, é ser como o sapo na água quente. Quando subimos lentamente a temperatura da água, o sapo, em vez de se esgueirar enquanto é tempo, vai-se adaptando à água quente. Prefere ficar e adaptar-se em vez de pular dali para fora. Acaba por morrer cozido.

Coisas que funcionam

Madrugada fora tento escolher a melhor música para acompanhar o estudo de matérias tão deliciosamente interessantes como a Performance e Controlo de Gestão ou a teoria está por detrás desse fantástico mundo dos Balanced Scorecards. Os olhos começam a fechar-se por alturas dos balanços de tesouraria e escolho Rachmaninoff, música fácil e que me parece ser a mais capaz de me despertar. Não resulta, tento Bach, talvez me apazigue o espírito e me dê novo ânimo para continuar, rumo ao Balanço Previsional. Nada feito, também não se revela a escolha acertada.

Acabo por me lembrar que Smiths e Cure nunca me deixaram mal, em madrugadas de tempos idos. E, quase emocionado (quase emocionado, disse eu), percebo que, muitos anos depois, continua a resultar.

9.5.11

Coisas que eu não percebo

Porque é que se batem palmas quando o speaker anuncia que "estão quarenta e quatro mil e trezentas e doze pessoas no estádio" e como é alguém pode achar que aquilo do "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…” foi escrito por Fernando Pessoa.

Para o ano há mais...

7.5.11

Tio Lancastre

Não deixes que te escape a "tea person", dizia-me o meu Tio Lancastre, enquanto olhava o horizonte, com o ar nostálgico de quem, algures na vida, talvez tivesse perdido uma, as "tea person", fazem menos perguntas e, fazendo-as, fazem as perguntas certas, para além disso, sabem manter uma conversa séria sobre as vantagens de existirem talheres de legumes e copos de vinhos do Dão distintos dos copos de vinho do Alentejo, sabem cruzar e descruzar as pernas nos momentos certos, têm a sabedoria das mulheres que sabem estar há pelo menos cinco gerações.

E, meu caro, rematava o Tio Lancastre, se por acaso deixares escapar a "tea person" e não te sobrar outra que não a "coffee person", ao menos certifica-te que ela não adoça o café.

6.5.11

Se...

... elas acreditam que existem chás que emagrecem, cremes que adelgaçam, sabonetes que eliminam a celulite, lingerie que aniquila a força da gravidade, porque é que não haviam de acreditar que eu sou um tipo com um elaborado sentido de humor?

5.5.11

Dia de escrever dois posts

O que me aborrece mesmo, para além de não vislumbrar uma final Villareal-Sporting de Braga, é que aquele tipo que canta o Over the Rainbow, com ar de quem podia perfeitamente concorrer ao concurso dos adiposos das Seychelles, ou lá do sítio de onde ele vem, ele e mais o bendito ukelele, que me remete sempre para tipos com coroas de flores em cima das barrigas e férias em regime de tudo-incluído-até-o-gin-tónico, o que me aborrece mesmo, dizia eu, é que o tipo cante na estação de rádio que está exactamente a meio caminho entre a Antena 2 e a Radar, o que, parecendo que não, transforma aqueles três milésimos de segundo que eu levo a reagir, no momento tenebroso do meu dia.

É então isto o terrível FMI?

Que manda fazer aquilo que já devia ter sido feito?

(meninos...)

4.5.11

Tio Lancastre

E lá estava o Tio Lancastre, sentado na sua poltrona de couro de bisonte curtido ao sol, fumando tranquilamente o seu Partagas, os fios de fumo azul subindo paralelos às prateleiras de livros com lombadas antigas, os dedos da mão que não segurava o copo de Hennessy tamborilando suavemente na secretária de mogno.

E lá estava eu, escutando-o, ele a recomendar-me que, quando escolhesse, optasse pela que fala com acerto, pela mais sóbria, por aquela que, mais que ouvir o que eu digo, entenda absolutamente o que eu quero dizer, que optasse pela requintadamente simples, que escolhesse a que soubesse mais do que eu, que me deslumbrasse com a sofisticação da que quase não se nota.

2.5.11

Fofinhos

Uma homem não resiste à curiosidade e fica ali com o aparelho ligado naquilo dos indivíduos com elevada massa corporal, é vê-los com aquelas manias das saladas e do exercício, um homem acaba por sentir fome e vai buscar uns chocolates Godiva, e, sentado no sofá, enquanto estica a mão para a caixa de chocolates que se vai esvaziando, um homem fica a cismar que aquelas almas não cuidaram que comer chocolates acabaria por resultar naqueles corpinhos.

Breaking news

Sim, parece que o Bin Laden lá quinou de vez. E o Roberto, parece que também.

1.5.11

Se os príncipes podem tudo...

...porque é que ele não conseguiu ficar com a irmã mais bonita?

30.4.11

Mas que tem margem de progressão, disso não há dúvida

Não é que ela seja má pessoa. Mas também não se pode dizer que seja boa pessoa, isso não.

29.4.11

Pequeno apontamento de reportagem

Cumprindo o meu desígnio, eu que sou do Sporting de Braga desde pequenino, embora aceite, magnanimamente, que o Sporting de Braga perca os próximos três jogos do campeonato, lá fui ver a situação de ontem no Estádio da Luz, ou lá como se chama aquilo, e, em verdade vos digo, desejo com todas as forças que o tal de Domingos se mantenha onde está por muitos e bons anos, que treinadores com a camisa fora das calças sempre me causaram incómodo, nem o Paulo Sérgio, que era como era, se desajeitava assim.

28.4.11

Um dia como os outros

E lá estava eu, que ainda não cheguei à idade de comprar um Porsche (e aqui se faz uma alusão subliminar a uma certa cena do Lost in Translation em que a Scarlett Johansson põe o Bill Murray no lugar), mas que, por outro lado, já passei a idade em que se deseja possuir um Dodge Charger de 1969 (sim, The Dukes of Hazzard), lá estava eu a ouvi-las argumentar, de um lado a veterana, uma carreira de sucesso, roupa de bom corte, óculos com armação Prada, daquelas mulheres que sabem que podem perder uma batalha e ganhar a guerra, do outro lado a newcomer, pós graduação não sei onde, metade das palavras em Inglês, nunca perdeu uma guerra mas também nunca ganhou uma batalha, cabelo bem penteado, sapatos que custaram uma pequena fortuna.

Acabei por escolher a teoria da que cheirava melhor.

27.4.11

Maturidade é...

...entrar na livraria e sair de lá apenas e só com o Steinbeck que me mandaram lá ir comprar.

(e nem a reedição do "Viagem ao Mundo da Droga" trouxe...)

26.4.11

(se houvesse uma aplicação que fizesse tocar música dos Deolinda de cada vez que o limitador de velocidade ultrapassa os cento e vinte quilómetros por hora, a coisa dava-se...)

Desde que me trocaram a carrinha por um carro, por duas vezes na mesma semana contribuí generosamente com cento e vinte euros para o erário público, em virtude de haver uma lei qualquer que desaconselha que se circule em autoestrada a uma velocidade iniciada pelo dígito "2".

Não é que tenha outras prioridades para desembolsar cento e vinte euros, mas dei conta que o ambiente e as emissões de carbono merecem que eu passasse a regular a velocidade nos cento e vinte e cinco quilómetros por hora.

25.4.11

Daqui onde me encontro...

...perscrutando o horizonte e as aldeias do sopé da Serra da Estrela com o meu olhar intenso e taciturno, dou conta da entrada nos limites da minha visão periférica de um rapazito envergando uma camisola do Benfica, o que, só por si, é coisa para me aborrecer, mas a questão é que na camisola do Benfica que o rapazito envergava estava a associação de palavras "César Peixoto", ora eu pensava que camisolas com "César Peixoto" escrito atrás só o próprio César Peixoto as envergaria e, mesmo assim, só pelo período de tempo estritamente necessário, ou seja, os dez minutos finais dos jogos das taças da liga, de maneira que hoje percebi que ainda não sei tudo das coisas da vida.

23.4.11

Intervalo

Tenho estado em profunda reflexão, se um homem não tem nada de relevante para dizer, mais vale ficar em silêncio, ora acontece que eu estava sem nada relevante para dizer até há uns minutos, quando tomei conhecimento que alguém que estimo profundamente adoptou uma gata bebé e deu-lhe o nome de Christie. a Gata Christie. (e, já agora, aproveito para informar que há um Cabriz tinto, reserva nâo sei quê, que se bebe muito razoavelmente).

21.4.11

Conforme as Escrituras

É o tempo de Jesus crucificado...

20.4.11

Restyling

Da classe das malfodidas todos sabemos tudo, a temática está bem documentada nas caixas de comentários dos blogues cor de rosa, Deus me livre de algum dia ter um blogue desses, as malfodidas, do alto da sua malfodibilidade, chegam às caixas de comentários e lá vai disto, enquanto deixam queimar a sopa de abóbora e mandam o mais novo baixar o som da aparelhagem, que já não podem ouvir a Rádio Cidade, tratam de cortar a direito nas roupinhas dos outfits e, de caminho, ainda vergastam o Português das meninas dos blogues cor de rosa, Deus me livre, só para mostrar que a malfodibilidade é um estado de alma.

Já os benfodidos é caso distinto, ninguém estudou ainda a fundo o fenómeno. É aqui que eu entro. Está oficialmente inaugurado o conceito de blog benfodido.

19.4.11

Coisas infalíveis

Homem sem óculos escuros, com calção caqui e camisa branca com mangas arregaçadas a passear cão labrador na praia ao pôr do sol.

(em alternativa, homem com gravata a comprar verduras no supermercado, com filho com menos de três anos pela mão, com quem vai falando em tom calmo, chave de Saab 95 na outra mão)

O meu Tio Lancastre...

...era bem capaz de arranjar uma boa história para invocar aquilo das duas irmãs que estavam em casa a discutir quem ficava com a laranja, só havia uma laranja em casa e ambas a queriam, chegou o pai e, salomónico, dividiu a laranja ao meio, metade para cada uma, a primeira irmã descascou a sua metade de laranja, deitou fora a casca e comeu os gomos, a segunda irmã descascou a laranja e deitou fora os gomos, ela queria mesmo era a casca da laranja para raspar e fazer torta de laranja.

18.4.11

(aquecendo os motores)

Estava aqui a olhar para as notícias do passamento das artistas de Hollywood, os retratos que acompanham a notícia da passagem para o outro lado são sempre os dos melhores momentos, lá está Elisabeth Taylor, belíssima como Cleopatra, lá está Jane Russell, deslumbrante no "Os homens preferem as loiras", ninguém escolheu uma Liz Taylor a sair da clínica de recuperação ou uma Jane Russell com oitenta e muitos anos.

Estava aqui a pensar que uma boa fotografia minha para epitáfio é aquela em que estou sentado na varanda de uma casa de praia que os meus pais tinham, vinte e poucos anos, três semanas de sol e sal em cima, um pólo cor de rosa, usava-se naquele tempo, o mar ao fundo, riso de cabeça para trás, expressão de que nada me é impossível.

17.4.11

Olha...

Um blog a modos que abandonado...