30.7.11

Às vezes os desportivos lembram-me os blogs cor de rosinha...



Ele há coisas...

Um homem anda meio perdido nisso de escolher onde jantar numa sexta-feira, acaba por decidir dar uma oportunidade ao restaurante do Museu do Oriente, tinham-lhe dito que as vistas eram razoáveis, depois um homem percebe as movimentações das pessoas, todas a movimentar-se ao mesmo tempo, um homem pergunta ao rapaz que lhe trouxe os cafés se havia alguma coisa que justificasse as movimentações, que sim, que havia espectáculo, um homem acaba por perceber que ainda há bilhetes em lugares bons, e não é que estava a tocar o Bob Stewart, aliás, o grande Bob Stewart, ali mesmo à minha frente, ele e os Tuba Project?

27.7.11

Confesso

Já tinha saudades de ouvir o Jorge Jesus dizer "jegadores".

zzz

Se eu quisesse mesmo ganhar dinheiro a sério, assim mesmo à grande, gravava as entrevistas do ministro das Finanças e vendia os CD's aos pais que desesperam porque não conseguem adormecer as criancinhas.

(conduzir a seguir a um almoço de leitão, cruise control nos 130, o sol de frente e o senhor ministro a discursar na TSF pode ser fatal...)

26.7.11

A maioria das pessoas queixa-se da falta de objectivos

Mas eu não, eu tenho dois objectivos: escolher carro até amanhã (nem que seja por um-dó-li-tá) e acabar o Ulysses até ao fim desta semana (para começar a ler a biografia do sacana do Hitler que em ofereceram um destes dias em que fiz anos).

25.7.11

O tal questionário dos livros

Noutro tempo responderia a isto do questionário dos livros sem pensar muito na coisa, uma pitadinha de ironia ali, outra de sobranceria acolá e a coisa despachava-se. Acontece que quero responder mesmo a sério, apetece-me.

1. Existe um livro que relerias várias vezes?

Houve um tempo em que relia os livros várias vezes, que o digam as datas anotadas a caneta, com números de menino, nos livros dos "Cinco", com poucas semanas de intervalo, sinal que aqueles eram tempos em que não tinha todos os livros que desejava.
Neste tempo, em que não consigo ler todos os livros que tenho, quase nunca releio, isto se aplicarmos a excepção dos livros que leio aos meus filhos, em suaves prestações, antes de dormir (e assim reli Sepulveda e outra vez "Os Cinco").

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

"O mundo de Sofia" de Jostein Gaarder, há muitos anos. Houve um outro que nunca cheguei a terminar, Miguel Esteves Cardoso, "O amor é fodido".

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?

Teria que ser um livro grande, que eu ainda vou viver muitos anos. "Os Maias" é um livro grande.

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Vários, evidentemente. Mas sinto-me desconfortável por nunca ter lido Tolstoi.

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?

"O Velho e o mar" de Hemingway.

("O velho estava a sonhar com os leões.")

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Lia tudo, desde os rótulos dos Corn Flakes da Nacional, até ao Diário Popular. E Enyd Blyton e o Agente Langelot e Julio Verne e Sandokan.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

A Bíblia. Porque tive medo que o Todo Poderoso me castigasse se não lesse tudo até ao fim.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Os livros preferidos têm a ver com um tempo da nossa história. "A Ilustre casa de Ramires" foi o único livro português que levei para um desterro de Erasmus e foi importante. "A História do Cerco de Lisboa" foi lido a quatro mãos, numa viagem de comboio que durou cinco dias de Lisboa até Atenas. "A Insustentável Leveza do Ser" foi lido em três dias de escalada nos Picos de Europa.

9. Que livro estás a ler?

"Ulysses", toda a gente sabe isto!

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito

(Caramba, não tenho dez amigos...)

Trocar de carro - a saga (III)

O único "stand" que repeti foi o da Alfa Romeo. Isto quererá dizer alguma coisa.

(não necessariamente boa)

22.7.11

Trocar de carro - a saga (II)

Passei a manhã a tentar decidir que carro conduzirei nos próximos dois anos. Uma manhã inteira perdida a ouvir falar da estabilidade que umas jantes de dezoito polegadas proporcionam, da "qualidade de vida a bordo", o que quer que isso seja, e do espaço nos lugares traseiros, que é coisa que a mim, que conduzo sempre no lugar da frente, nada me diz.

Uma manhã inteirinha, que poderia ter usado a ler duas páginas do Ulysses, passada a cortar a palavra a tipos com demasiado gel no cabelo...

21.7.11

Trocar de carro - a saga

O tipo das vendas da Mercedes foi o único que me soube responder ao que lhe perguntei sobre binário do motor (todos os outros tentaram refocar a minha atenção nas aplicações em madeira do tablier), na Mercedes foi o único local onde não me chamaram a atenção para pormenores de equipamento imbecis (bancos aquecidos?!), o Mercedes é o único que tem um sistema de navegação a sério, o Mercedes é a melhor escolha no que toca ao value for money, o tipo da Mercedes foi o único que me deu um aperto de mão como deve ser no final, na Mercedes foi o único sítio onde se percebeu que querem mesmo vender automóveis.

Cá em casa não me deixam comprar Mercedes.

Palminhas...

Era uma vez eu e uma mulher muito bonita que trazia uma saia curta e um decote inversamente proporcional ao tamanho da saia. Reunimos frente a frente, com uma mesa de tampo de vidro transparente. Olhei-a nos olhos durante toda a hora que durou a reunião.

20.7.11

Ando cá com uma vontade...

...de me encostar aquela coluna das bobines de filmes que vai do chão até ao tecto da Cinemateca, só para ver o que acontece...

18.7.11

Siga a vida

O Paraguai está nas meias finais da Copa América.

(nunca pensei vibrar com uma coisa destas...)

15.7.11

Post em tempo real

Ha poucas formas tão poderosas para chamar a atenção de uma mulher como tentar acompanhar o final do Nessun Dorma a plenos pulmões, vidros abertos, na fila da segunda circular.

Ulysses, página 72 (ou como ter sempre um bom título até ao Natal)

Ontem, jantar no restaurante de tapas do Cafeína. Hoje, jantar no Galeto.

Porto dez, Lisboa zero.

12.7.11

Ulysses, página 40

Há uma boa razão para eu pagar para assistir ao género "comédia romântica com Julia Roberts" apenas uma vez a cada vinte anos.

(e espero que a minha memória me ajude a que assim continue a ser)

11.7.11

Nos intervalos do Ulysses

Quem verdadeiramente gosta daquilo do Principezinho não pode deixar de ir à Quinta de Regaleira, é assim uma espécie de Harry Potter, tudo o que está no livro é o que está na peça, what you see is what you get, um homem está ali a ver a peça e já sabe o que eles vão dizer a seguir, principalmente na cena da raposa, aquilo do cativar, e tal, a única coisa verdadeiramente criativa é que o Principezinho é uma princesa, eu sei disto porque em Sintra aquilo é frescote ao fim da tarde, e também gostei de ver uns miúdos com uns cartazes na Volta do Duche a dizer que davam abraços grátis, eu até saí do carro, não resisto a nada que seja grátis, entretanto os carros da frente começaram a circular e os que estavam atrás não apitaram, afinal ainda há quem respeite que um abraço não é coisa que se interrompa.

10.7.11

A minha vida com Ulysses

Quinhentas e cinquenta e uma páginas, a que em rigor se deverão deduzir as sete primeiras, as do título, das coisas técnicas e as que explicam que se aproveitou a tradução em português do Brasil de António Houaiss porque se diz por aí que essa é que é boa. Letras pequenas e sem um único desenho.

Até agora registo três páginas razoavelmente simples, a primeira que diz "Ulisses", a segunda que está em branco e a quinta que diz "I". Por outro lado, hoje ainda não consegui passar do primeiro parágrafo da página treze, que reza "Vegetissombras flutuavam silentes na paz matinal desde o topo da escada ao mar que ele contemplava. Da borda para fora o espelho do mar branquejava, esporeado por precípites pés lucífugos. Colo branco do mar pardo. Ictos gémeos, dois a dois. Mão dedilhando harpicordas fundindo-lhes os acordes geminados. Undialvas palavras acopladas tremeluzindo sobre a maré sombria".

(Isto é capaz de não ser empreitada fácil, vou ali comer umas bolachas Oreo que agora inventaram, com o dobro do recheio, e descansar um bocadinho a vista.)

7.7.11

Há poucas coisas tão constrangedoras...

...como ver um homem adulto a tentar introduzir a namorada nova no seu (dele) círculo de velhos amigos.

Desalinhado

Ontem, precisamente à mesma hora que os Coldplay atacavam a primeira música, iniciava eu a leitura de Ulisses, de James Joyce.

6.7.11

Isto não é para si, a sério que não

Nestes quase vinte anos que levo de blogosfera (éramos tão poucos, naquele tempo...), apendi que não há forma de convencer as pessoas que não conhecemos, que não nos conhecem, que apenas tropeçam no que escrevemos porque o Google as encaminhou para aqui porque achou que isto é o sítio certo para quem digita "boas mamas", não há forma de as convencer, dizia eu, que o que escrevemos não é para elas, que não pode ser para elas, pois se nem sequer sabemos que elas existem...

5.7.11

Saberes empíricos

Se perguntarmos às mulheres o que mais as atrai no género oposto, nove em cada dez darão a resposta clássica e responderão "sentido de humor", apesar de, na vida real, acabarem por ficar com o tipo que paga as contas.

(já nós. daremos também a resposta clássica "que tenha boas mamas" e, na vida real, acabamos por ficar com a que tem sentido de humor)

3.7.11

Acabaram as férias

(A partir de amanhã as minhas ordens voltarão a ser obedecidas.)

1.7.11

Outra vez do Sul

Que eu não vislumbre mulheres com o nome dos filhos tatuado nos braços em letra tipo "Old English" tamanho vinte e quatro, que não existam famílias com geleiras azuis com fatias de melancia lá dentro, que a área de segurança à minha volta seja a equivalente a um quadrado de pelo menos dez por dez metros, que exista zona de sombra para que a minha leitura não seja prejudicada, que sejam providenciadas conquilhas e cerveja fresca que não seja Heinecken no bar de apoio, que não existam indíviduos com bigode, pele vermelha e sotaque de Liverpool até onde a minha vista alcance, que a água seja fria e as ondas sejam de dois metros, que não se ouça o barulho das raquetes de praia quando regresso da água e me estendo ao sol de olhos fechados, que o tipo das bolas de berlim só passe uma vez de manhã e outra à tarde, que as nuvens tapem o sol durante cinco minutos em cada vinte, que os meus filhos nunca deixem de praticar a agradável actividade do "mosh ao pai", que o mais novo continue a achar que eu sei centrar a bola como os melhores, que a mais velha continue a fazer-me perguntas e eu saber a maior parte das respostas, que a que não é minha filha continue a achar que eu não tenho emenda.