30.10.11

Domingos

Gostava que aquilo do Duarte Lima tivesse sido com outro tipo qualquer, afinal o Duarte Lima criou a Associação Portuguesa Contra a Leucemia, lembro-me do concerto para angariação de fundos, o maestro José Cura a cantar a "Feiticeira" em dueto com o Luís Represas, afinal o Duarte Lima deu a conhecer o Domingos António, está bem que não estamos a falar de um pianista de topo, mas sempre tem aquela história de menino pobre que tocava piano em imaginárias teclas na mesa, afinal o Duarte Lima impulsionou o banco de dadores de medula, se aquilo do Duarte Lima foi efectivamente com o Duarte Lima, é coisa para me aborrecer.

24.10.11

Post programado para sair a seguir ao jogo da bola que eu fui ver hoje à noite, espero que tudo corra conforme as escrituras

Durante muito tempo, o Sporting era a única coisa que me corria mal na vida, era assim como o tipo a quem nada corria bem na vida, a mulher tinha fugido com o melhor amigo, tinha sido despedido do trabalho e os filhos andavam na droga, o tipo decidiu comprar uns sapatos três números abaixo do dele só para ter um prazer na vida que era chegar a casa e descalçar os sapatos, eu era assim mas ao contrário, as coisas corriam-me bem mas eu insistia em ir a Alvalade, só para sofrer, era assim uma coisa em certo, com que se podia contar, isto de não ter definitivamente nada que o aborreça é uma maçada, um homem fica sem referências.

22.10.11

Carvalho Meneses

Há cinco anos o Carvalho Meneses vestia fatos às riscas, usava gravatas italianas e usava botões de punho, eu próprio perguntava coisas ao Carvalho Meneses e as pessoas do Carvalho Meneses faziam o que o Carvalho Meneses dizia, isto porque, bem entendido, o Carvalho Meneses dizia coisas acertadas.

Um dia veio uma depressão ou um esgotamento ou lá o que foi, não percebo muito destas coisas e, ao mesmo tempo, a mulher do Carvalho Meneses saiu de casa, na verdade não sei se a depressão do Carvalho Meneses veio por causa disso da mulher ou se a mulher se foi por causa da depressão.

O Carvalho Meneses começou a ter que se governar à base de comprimidos que lhe faziam tremer as mãos, ficavam-lhes as frases a meio, diz que isto das depressões é mesmo assim, apesar de se esquecer de coisas o Carvalho Meneses não se esquecia de me tratar pelo nome, se calhar era por eu nunca ter tido pena do Carvalho Meneses nem fazer de conta que tinha coisas muito urgentes para fazer quando o Carvalho Meneses se chegava à máquina do café.

Ontem, estava eu na fila da churrasqueira, isto toca a todos, e a mão do Carvalho Meneses tocou-me no ombro e eu dei um abraço ao Carvalho Meneses e fiquei mesmo contente por o ver e estivemos ali à conversa e eu percebi quase tudo o que o Carvalho Meneses me dizia, apesar de o Carvalho Meneses falar com  voz arrastada e me dizer que se vai andando, eu não gosto muito que me digam que se vai andando, mas o Carvalho de Meneses pode, afinal ainda há cinco anos me explicava coisas.

O que mais me custou não foi o Carvalho Meneses cheirar a mijo e ter o casaco cheio de caspa e ter os sapatos com pó. O que me tocou mesmo fundo foi o Carvalho Meneses ter encomendado só meio frango assado.

19.10.11

Tio Lancastre

"O que gostava de lhe dizer, meu caro" começou o Tio Lancastre com a voz grave das grandes ocasiões, enquanto indicava ao fiel Sebastião que servisse duas flutes de Don Perignon gelado, "é que pode escolher as que não têm rostos simétricos, as que não têm os dentes alinhados, as que não têm um índice de massa corporal razoável, as que são sensíveis ao efeito da força de gravidade, as que não têm a certeza do copo em que lhes servirão o vinho. Mas, meu caro, por quem é, não escolha nunca uma que beije de olhos abertos".

18.10.11

E agora isto é um Baby-Blog (II)

E falamos do projecto do mais novo, a realização de um filme para a disciplina de "não sei quê cívica".

Nas primeiras cenas, Jesus Cristo converte-se ao Budismo, explica-me ele numa linguagem vagamente Montypytoniana.

Pedi-lhe para não me contar mais nada.

17.10.11

E agora isto é um baby-blog (I)

Os meus filhos trocam mensagens com toda a gente, menos comigo.

Resolvi falar sobre o tema, implorando-lhes inclusão.

Afinal não é nada pessoal, o meu problema é que não sou "Extravaganza".

15.10.11

Isto da crise...

... não é senão uma cabala que o Universo, na sua infinita sabedoria, idealizou para acabar de vez com os fashion-blogs, mai-las roupinhas da Zara e as pulseirinhas da H&M, tudo a combinar com os sapatinhos da Berska, novinhos em folha e comprados aos pares, um de cada cor.

14.10.11

Sim, havia uma luz ao fundo do túnel

...era o comboio em sentido contrário.

(ena, dois posts no mesmo dia, já quase me esquecia de como se faz...)

Se eu tivesse um blog cor-de-rosa (IV)

A Fitch baixou a avaliação do UBS de A+ para A? Não há memória de um Outubro com tanto calor? Os Okupas de Wall Street estão prestes a ser expulsos? Ninguém quer o Yannick Djaló?


Who cares? Afinal de contas o Barca Velha de 95 mantem a taxa de IVA intermédia!

13.10.11

Quase Vila Nova de Tazém

Na medida inversamente proporcional ao meu martírio com as películas, em que é aposta certa que o meu próximo filme será o pior que vi na vida, numa clara demonstração de que existe equilíbrio no universo, o meu campeonato dos livros só me dá alegrias, o último que leio é quase sempre dos melhores que li na vida, certamente haverá aqui muito da minha capacidade de depuração nas escolhas do que leio, com o tempo desenvolvi um processo de selecção que me permite perceber se um livro é bom depois de ler as duas primeiras páginas, em caso de dúvida ainda abro uma página ao calhas lá para meio do livro e logo vejo se merece a pena correr o risco, a verdade é que me penitencio por só agora, chegado a esta idade em que me faltam vinte anos para me começar a preocupar com a próstata, só agora, dizia eu, me ocorreu ler o "Sinais de Fogo", quando digo que me penitencio quero mesmo dizer que me vou auto-flagelar, vou reçomeçar a leitura de "Ulysses", é justa penitência por ter preterido durante tantos anos Jorge de Sena, ele ali na prateleira e eu a escolher coisas menores, dois volumes ao lado.

12.10.11

Do jogo da bola de ontem

Faltou-nos abrir espaços onde eles aparentemente não existiam.

(Qualquer bom amante sabe como fazê-lo)

10.10.11

Era só um jantar no Rio

A sério que sim, a ideia era ficar só ali pela Zona Sul, um mergulho em São Conrado, a praia da rapaziada da Rocinha, o que é sinal de segurança total, talvez uma picanha na Gávea, no limite um pé de samba num dos bares da Lapa, afinal era só um fim de semana no Rio.

Mas não, houve o velho Regis, taxista compositor de samba, uma daquelas pessoas que ri com a cabeça inclinada para trás, desafiador implacável do trânsito, uma mão no celular, outra no som do cêdê, "eu que fiz este samba meu irmão, é um samba p'ra minha mulhé, ela ficou doida...", mais som, "não sei quê na nossa cama, quero você otra veiz", imagino a alegria da senhora Régis, ter um samba dedicado a sair pela janela do táxi do marido e a misturar-se com os trinta graus de Ipanema não é para todas, chope Brahma, a senhora Régis já desfilou no Carnaval, só pintada, "um corpão, meu irmão", pode ser que a música do velho Régis tenha ganho a final na noite passada e tenha sido a escolhida para o Carnaval da escola de samba, "era bom, meu irmão, essa grana faiz falta para horas de voo para a minha minina, cê já viu? pilota de avião filha de taxista?", espero bem, Régis, rio enquanto ele me conta que foi "num Pai de Santo, mil reais para afastar o namorado da minha minina, o probema é que o cara é mais rico que eu e já me falaram que pagou dois mil reais a outro Pai de Santo, aí eu vou primeiro...".

Era só um jantar no Rio, a sério que sim.

6.10.11

Praticamente Rio

Mão amiga (conhecida, vá...) fez-me chegar à mão (à caixa de mail, vá...) os princípio disso de ser retrossexual, diz que Paga sempre a conta, mesmo que ela insista muito (Checked, custa um dinheirão, mas as coisas são como são), que Enfrenta os desafios todos, desde ladrões em casa a pneus furados (Checked, não há mês em que não fure um pneu de bicicleta, que são muito mais difíceis de mudar que os dos carro),  que Demora muito até dar conta que está a viver um relacionamento (Checked, nota mental : verificar que raio será isso de "relacionamento"), que É sempre ele que põe a mão na massa em dias de festa lá em casa e trata do churrasco (Checked, até porque o tipo que trata do churrasco não tem que falar com as amigas da mulher, bebe mais cerveja que toda a gente e fica sempre com os melhores pedaços da picanha), que Nunca é visto no banco do pendura num automóvel (Checked, era só o que faltava...) que Só chora quando o cão morre ou quando o clube perde (Checked, e mesmo assim, só se o cão for grande e o clube que nos ganha for o Benfica), que Deve possuir uma mala de ferramentas, mesmo que não a use (Checked, inclui cabos de bateria, compressor de ar e cabos de reboque no carro para o que der e vier), que Nunca vai ao médico, nem que esteja gravemente doente (Checked. E nem sequer tomo comprimidos. E supositórios está fora de questão. E exame à próstata é coisa que não me assiste), que Tem sempre uma cicatriz de um acidente com uma história mirabolante (Checked. Cicatriz no lábio inferior por ter levado com um barco nos queixos enquanto me preparava para lastrar antes de mergulhar num dia de mar feio, cicatriz num joelho por ter ficado sem menisco porque o sacana do esqui não saltou) e, finalmente, que Nunca se senta num bar (Checked. Num bar controla-se o ambiente. De pé. Com um copo de Jameson 18 anos na mão. Aliás, nem sabia que havia bancos nos bares).

5.10.11

Quase Rio

Ontem disseram-me que eu era um retrossexual e que isso era bom e tinha aceitação, que os metrossexuais estavam absoluta e definitivamente fora de moda e que retrossexual é que era, ainda argumentei que se calhar não, retrossexual, assim à primeira audição, pareceu-me um neologismo para homossexual mas em passivo, e eu, não desfazendo, não sou apreciador.

Em tendo tempo, terei que averiguar o que é isso do metrossexual.

4.10.11

Não sei quê Paris

Dentro do campeonato "pior filme que vi na vida" há um outro campeonato, o de "pior filme de Woody Allen que vi na vida", enquanto no primeiro campeonato eu consigo equilibrar as perdas, visualizando Bergman em dêvêdê por entre as películas que vão estreando, já com o campeonato segundo a coisa ocorre de maneira diferente, derivado da minha opção de achar que Woody Allen só resulta no cinema só visualizo os filmes à medida que vão estreando, o que torna a espiral de decadência incontrolável.

Neste último, o "não sei quê Paris", para além de ter passado parte do tempo todo a olhar para a actriz loura e a achar que não coincidiam as formas com as das últimas fotografias que eu memorizei da Scarlett Johansson, só lá para meio do filme é que realizei que o orçamento só deu para a Rachel MacAdams, uma espécie de Scarlett Johansson mas em mais barato, passei outro tanto do tempo a pensar qual seria a cidade a patrocinar a próxima fita de Woody Allen e diverti-me a pensar que a Costa de Caparica, não sei se repararam que eu sei que se diz Costa de e não Costa da, bem podia candidatar-se, a receita é fácil, uns pescadores a chegar com robalos a saltar nas redes à praia de São João e depois uma trama sofisticada, a descoberta que Pessoa foi feliz na Parque de Campismo do Inatel, coisas desse nível, um filme para as pessoas se distraírem, que é o que precisamos todos, derivado disto da troika e do aumento do IVA e dessas coisas.

(e tenho para mim que se o tipo da barba, o que sabia tudo, é um tipo dos que agora lhes chamam SMILF, isto é a gente a conversar, está claro...)